AJ Mast/AP 
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Marc Marquez, o menino prodígio das pistas da MotoGP

Espanhol de apenas 21 anos assombra o mundo da velocidade e chega a Indianápolis para obter a 10ª vitória consecutiva na categoria

Wilson Baldini Jr. , O Estado de S. Paulo

09 de agosto de 2014 | 16h37

Construído em 1909, o tradicional circuito de Indianápolis será palco de mais um grande momento do mundo da velocidade. Quando acelerar sua Honda, às 15h deste domingo, para a largada do GP dos Estados Unidos de MotoGP, o espanhol Marc Marquez terá 27 voltas na pista de 4.170 metros para obter a décima vitória consecutiva na temporada. Se conseguir, o atual campeão mundial da principal categoria das motos vai igualar o feito do lendário italiano Giacomo Agostini, que nas décadas de 60 e 70 somou 15 títulos mundiais - 7 na categoria 350cc e oito na 500 cc.

Há seis anos, o "Garoto Prodígio" se contentava com o autógrafo de seu "herói" Valentino Rossi. Atualmente, com 21 anos, não se cansa de superar o ídolo, a quem impõe 88 pontos de vantagem na classificação geral.

A desvantagem atual não altera a admiração do veterano italiano pelo novato espanhol. Em Laguna Seca, em 2013, Valentino fez questão de ir cumprimentar Marquez pela conquista inédita de um rookie na sinuosa pista norte-americana.

"O Marquez está claramente em outro nível. Já percebi isso no ano passado e não há o que possa fazer", disse italiano nove vezes campeão mundial, de 35 anos, que revelou no programa Linha de Chegada, do SporTV, que precisou se reciclar para a disputa deste ano. "Mas o que posso fazer? É difícil, devia ter lutado com ele quando tinha 22 anos. De qualquer forma, é uma motivação enorme competir com ele, pois é preciso estar em um nível muito elevado."

Experiente, Rossi aproveita para explicar a situação que passa Jorge Lorenzo. Bicampeão em 2011 e 2012, o também espanhol pensou que seu reinado fosse durar mais, antes do surgimento de Marquez. "Compreendo o Jorge," continuou Rossi. "Pessoalmente, estou numa situação diferente. Para mim estar no pódio atrás do Márquez é aceitável. Sei que posso tentar lutar com ele, mas estou mais tranquilo. Para o Jorge é diferente porque ele quer ganhar. No ano passado o Jorge fez corridas impressionantes, mas isso não permitiu que ele ganhasse o título. Este ano o Marc tem mais experiência e a Honda está tecnicamente um pouco melhor que a Yamaha. O Jorge está frustrado porque sabe que é quase impossível e ele não quer ser segundo." Lorenzo tem 97 pontos no Mundial e está a distantes 128 de Marquez.

Além de Lorenzo, Dani Pedrosa, que fecha o trio espanhol de sucesso nas motos, é outro que sofre com a fase espetacular do compatriota. Bicampeão na categoria 250cc, sofreu com várias quedas e vê cada vez mais longe a possibilidade de ganhar um título na principal categoria.

Pedrosa é o vice-líder, mas está 77 pontos atrás de Marquez. Cada vitória vale 25 pontos. Se serve como consolo, Pedrosa faz o que bem entende com Marquez no videogame. "Ele coloca um segundo e meio por volta em mim", disse Marquez.

ESPONTÂNEO

Marquez se surpreende com o desempenho na temporada. Ele acreditava que pudesse vencer em Austin (Estados Unidos) e Le Mans (França), mas não imaginava que pudesse chegar a este ponto, com 225 pontos. "Acho que o ponto de desequilíbrio seja o fato de eu estar muito confiante. Com isso, consigo tirar muito da moto e os resultados são obtidos."

Com 1,68 metro e 59 quilos, Marquez se transforma em um gigante nas pistas. "Para se vencer é preciso atacar os adversários. Mas o ataque tem de ser feito nas curvas e retas e não nas entrevistas coletivas."

Apesar de não gostar de polêmicas, Marquez ganhou as manchetes internacionais ao dizer para a revista especializada Motorcycle News que prefere motos a garotas. "Eu prefiro motos a garotas, porque eu gosto de todas as motos e elas nunca reclamam", brincou. Na entrevista, Marquez revelou que não troca a adrenalina de acelerar sua moto a mais de 300 km/hora por um banho de mar. "Eu tenho medo do mar e não consigo pôr o pé em um barco. Quando ele começa a se mover, eu fico tonto."

NO BRASIL

O motociclismo nacional tenta revelar um piloto que possa, pelo menos, disputar provas ao lado de Marc Marquez. Alexandre Barros, que por duas décadas esteve na MotoGP, lidera um projeto de formação de pilotos, que vai levar os melhores para a Espanha e, posteriormente, para a MotoGP. A equipe trabalha com três pilotos na GPR 250, a categoria escola do Moto 1000 GP: José Duarte (16 anos), Lucas Torres (15 anos) e Brian David (11 anos), piloto recém-chegado ao elenco. "O importante para um piloto é ter coragem e confiança", disse Barros.

Mas é preciso mais que isso para enfrentar Marc Marquez.

LENDAS

Michael Doohan

Australiano liderou a MotoGP de 1994 a 1998, quando venceu os cinco campeonatos mundiais. Foram 54 vitórias, 95 pódios e 58 poles. Ele só fica atrás de Agostini e Rossi em títulos. Está com 49 anos.

Eddie Lawson

Cerebral, americano ganhou quatro títulos mundiais (1984, 1986, 1988 e 1989). Foram 31 vitórias, 78 pódios e 18 poles. Travou grandes duelos com Wayne Gardner. Está com 56 anos.

Wayne Rayney

Americano foi tricampeão mundial. Somou 24 vitórias, 65 pódios e 16 poles. Ficou paraplégico em 1993, após queda no GP da Itália, em Misano. Está com 53 anos.

Giacomo Agostini

Italiano, de Brescia, ganhou 15 títulos mundiais de 1964 a 1977 (7 nas 350cc e 8 nas 500cc). Somou 122 vitórias, 159 pódios e 117 voltas mais rápidas. Está com 72 anos

Valentino Rossi

Soma 9 títulos mundiais, 106 vitórias, 188 pódios e 59 poles. Aos 35 anos, é o 3º na atual temporada.

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Marquez está um passo à frente dos outros

Alexandre Barros, ex piloto da MotoGP, O Estado de S. Paulo

09 de agosto de 2014 | 16h58

Alexandre Barros, ex piloto da MotoGP

Marquez está um passo à frente de Jorge Lorenzo, Dani Pedrosa e até de Valentino Rossi. Todos são pilotos maravilhosos, grandes campeões, mas hoje não são páreo para o Marquez. Ele chegou na categoria MotoGP ano passado e não precisou de tempo de adaptação. Aos 20 anos, ser campeão na temporada de estreia não é para qualquer um.

Este ano não tem adversário. E ele ainda tem o que evoluir. Ele cometia alguns erros por não conseguir manter a frieza em momentos importantes, mas no campeonato deste ano ele evoluiu muito. Hoje, o Marquez sabe administrar mais uma vantagem conquistada durante a corrida e passou a cometer menos erros. O que é normal, afinal ele é um menino e ainda vai desenvolver bastante sua forma de conduzir a moto.

O que mais caracteriza o Marquez é o fato de ele não se dar por vencido em nenhuma prova. Por pior que ela possa estar se apresentando para ele naquele momento.

Trata-se de um rapaz talentoso e que tem humildade para ouvir e aprender ainda mais. Estamos na metade do campeonato e a vantagem do Marquez é muito grande, mas o Valentino tem melhorado o seu desempenho e poderá incomodar um pouco. Vamos ver como o Marquez vai se comportar.

Já tivemos épocas em que o domínio foi de Eddie Lawson, Michael Dohan, Valentino Rossi, agora é a vez de Marquez. E acho que esse reinado ainda vai durar um pouco.

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