Srdjan Suki/EFE - 21/3/2013
Srdjan Suki/EFE - 21/3/2013

Marko queria Kimi Raikkonen longe da Red Bull. Conseguiu

Empresário do finlandês confirmou que as negociações com a escuderia se encerraram

LIVIO ORICCHIO, O Estado de S. Paulo

19 de agosto de 2013 | 15h57

NICE - E não é que o doutor Helmut Marko ganhou mais uma? A eminência parda da equipe Red Bull, ex-piloto de Fórmula 1, hoje com 70 anos, não desejava ver Kimi Raikkonen como companheiro de Sebastian Vettel a partir de 2014. E sua vontade mais uma vez prevaleceu.

O empresário de Raikkonen, o inglês Steve Robertson, confirmou nesta segunda-feira que as negociações com a Red Bull se encerraram. "Mas não estou preocupado porque temos outras opções, no plural", disse Robertson, responsável também pela carreira do brasileiro Felipe Nasr, vice-líder da GP2.

O proprietário da Red Bull, o austríaco Dietrich Mateschitz, tinha de decidir entre ouvir o diretor geral do time de Fórmula 1, o inglês Christian Horner, o imprescindível diretor técnico, o engenheiro aeronáutico inglês Adrian Newey, e Marko, amigo e conselheiro pessoal. Horner e Newey defendiam a contratação de Raikkonen para formar um "dream team" na Red Bull.

Marko tem visão diferente. Argumentou com o seu modelo de gestão. Um grande piloto, Sebastian Vettel, e um companheiro igualmente capaz de marcar pontos, como tem sido Mark Webber, mas sem ser brilhante, o que poderia criar um canibalismo frequente na escuderia. E a argumentação de Marko vem respaldada com um dado irrefutável: Vettel conquistou os três últimos títulos mundiais e a Red Bull os de construtores. É um modelo que, efetivamente, funciona.

Como até agora Mateschitz tem ouvido Marko e não há razão para não seguir sua orientação, acabou pondo fim na eventual contratação de Raikkonen. Segundo uma fonte da Finlândia, Horner e Newey foram votos vencidos na reunião.

Outro ponto abordado por Marko é a existência de uma equipe satélite da Red Bull, a Toro Rosso, destinada a experimentar e formar profissionais a fim de suprir as necessidades da irmã projetada para ser campeã. E ainda na etapa de Xangai, este ano, Marko afirmou ao Estado, ao ser questionado a respeito do português Antonio Felix da Costa, destaque da Fórmula Renault 3.5: "Se ele (Felix da Costa) corresponder o traremos para a Toro Rosso e, se tivermos a oportunidade, vamos levar um dos nossos pilotos da Toro Rosso para a Red Bull. É para isso que estamos aqui".

E pronunciou uma frase emblemática: "Se nas ocasiões em que for possível nós não aproveitarmos os profissionais da Toro Rosso na Red Bull então não fará mais sentido manter um segundo time".

Nos dias do GP da Grã-Bretanha, no último fim de semana de junho, Webber anunciou que estava trocando a Fórmula 1 pelo Mundial de Endurance, para competir pela Porsche, de volta à competição. Desde então o nome de Raikkonen para ocupar sua vaga ganhou força, principalmente porque o próprio dono da Red Bull considerava o finlandês "o piloto ideal" para compor a dupla com Vettel.

O motivo por Raikkonen não ter assinado com a Red Bull não é financeiro. A Red Bull pagaria os cerca de 12milhões de euros exigidos por seu empresário, segundo se estima no paddock da Fórmula 1. O dobro do que a Lotus lhe paga hoje.

O negócio não deu certo porque Marko convenceu Mateschitz de que seria um erro desestabilizar Vettel. Marko foi o responsável por a Red Bull investir na sua formação e levá-lo à condição de titular. Gosta de que digam ter sido o "descobridor" de Vettel.

Confrontar seu trabalho, em 2014, com outro piloto igualmente capaz, como Raikkonen, seria expor o "protegido" e os objetivos da própria equipe a riscos desnecessários, na sua visão. Mateschitz entendeu da mesma forma, baseado no que vem acontecendo, e acabou com a história, contou ao Estado a fonte da Finlândia. Pelo mesmo motivo a possibilidade de Alonso trocar a Ferrari pela Red Bull, como tanto gostaria, ficar apenas no campo das hipóteses.

Muito provavelmente a Red Bull deve anunciar nos dias da corrida na Bélgica que o australiano Daniel Ricciardo, 24 anos, piloto da Toro Rosso, e com potencial para crescer, embora sem demonstrar nenhuma genialidade, deverá ser o companheiro de Vettel em 2014. E talvez até que Feliz da Costa ocupará sua vaga na Toro Rosso.

Raikkonen é um homem feliz na Lotus. A equipe faz o que ele quer. É o maior responsável por a organização voltar a conquistar pódios com frequência, vencer e entrar na luta pelo título, como no ano passado, o do seu retorno à Fórmula 1, e nesta temporada. Ocupa hoje, depois de dez etapas, a vice-liderança do campeonato, com 134 pontos, diante de 172 de Vettel.

O próximo GP será no fim de semana, na Bélgica, no circuito favorito da maioria dos pilotos, Spa-Francorchamps, onde Raikkonen já ganhou quatro vezes, duas com a McLaren, em 2004 e 2005, e duas com a Ferrari, 2007 e 2009.

Chama a atenção o fato de Robertson dizer que Raikkonen tem "opções", no plural. A imprensa italiana deve publicar na edição de amanhã, terça-feira, que o destino do finlandês pode ser a Ferrari. As probabilidades de Raikkonen substituir Felipe Massa na Ferrari, no entanto, são muito pequenas. Seria o caminho mais curto para a saída de Fernando Alonso da escuderia italiana.

Luca di Montezemolo e Stefano Domenicali perderam a confiança em Alonso depois de suas críticas a Ferrari, na Hungria, e principalmente pelo fato de o seu empresário, Luis Garcia Abad, ter se reunido com Horner, o diretor da Red Bull, em pleno fim de semana de competição, em Budapeste. Foi oferecer seu piloto.

A chegada de Raikkonen a Ferrari seria uma forma de resguardar-se para o caso de Alonso a deixar no fim de 2014, caso os resultados da equipe sejam ruins. O contrato do espanhol com a Ferrari se estende até o fim de 2016. Mas deve haver cláusula de performance. Se a Ferrari não se classificar dentre os três primeiros entre os construtores, por exemplo, ele teria a possibilidade de solicitar a rescisão. Mas tudo não passa de uma hipótese, embora na Fórmula 1 muita gente bem informada diz ser essa a situação.

O regulamento terá uma mudança radical em 2014 e ninguém, em sã consciência, pode prever o que vai acontecer. O que se poder prever é que, diante da profundidade das transformações, dificilmente mais de duas escuderias vão lutar pelas vitórias, como acontece este ano, resultado de anos de regras semelhantes.

Na Fórmula 1 nada é impossível, apenas mais ou menos provável. E Raikkonen deixar a Lotus para competir ao lado de Alonso está dentre as menos prováveis. Alonso não funciona quando tem de compartilhar a escuderia com outro piloto supereficiente, como é Raikkonen.

Esse quadro sugere que as chances maiores são de o finlandês renovar com a Lotus. A pluralidade de times mencionada por Robertson pode não ser verdadeira. É sua função deixar Eric Boullier, diretor da Lotus, saber que seu piloto tem outra opção nas mãos, a fim de valorizar ainda mais sua mais que válida contratação.

Com Raikkonen fora da Red Bull e muito provavelmente Ricciardo confirmado - é o que se espera vá ocorrer no circuito de Spa-Francorchamps -, o mercado começará a se mexer. Deverá apressar, também, a definição do destino de Raikkonen. "Com o novo regulamento em 2014, e sua natureza complexa, será de extrema importância começarmos a trabalhar com os pilotos o mais cedo possível", disse Boullier, ao Estado, no GP da Alemanha, em julho. Renovar com a Lotus, ganhando o que deseja, deve ser o desfecho das negociações de Raikkonen no mercado.

Quanto a Felipe Massa, a imprensa italiana é crítica ao extremo ao piloto. Pede abertamente sua substituição em 2014. Apesar de ainda poder demonstrar em Spa e Monza ser um piloto capaz de realizar o que a Ferrari deseja dele, marcar bons pontos a cada etapa, nesse instante o seu empresário, Nicolas Todt, já sentiu os riscos e está se mexendo bastante para garantir um lugar para Massa na Fórmula 1 em 2014. E não está fácil.

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