Massa, Barrichello e até Senna já tiveram de dar passagem a companheiros

Jogo de equipe na Fórmula 1 também prejudicou em outras oportunidades pilotos brasileiros

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

01 de abril de 2014 | 07h00

SÃO PAULO - Quando no último domingo, na Malásia, Felipe Massa contrariou as ordens da Williams e se negou a dar passagem para o finlandês Valtteri Bottas, fez o torcedor brasileiro de Fórmula 1 se lembrar de casos parecidos. Os três últimos brasileiros a vencer corridas na categoria já receberam orientação similar das escuderias e tiveram de acatar. O Estado relembra essas histórias:

GP DO JAPÃO - 1991

Ayrton Senna, da Mclaren, já havia se consagrado tricampeão com o abandono do inglês Nigel Mansell, da Williams, ainda no começo da corrida em Suzuka. O brasileiro passou a ser o líder na 18ª volta, seguido pelo companheiro de equipe, o austríaco Gerhard Berger. A ordem se manteve até a volta final, a 53ª, quando Senna guiava para cruzar a linha de chegada e se preparava para comemorar o título com vitória. Mas pelo rádio recebeu a ordem de dar passagem ao austríaco, o que fez na reta de chegada.

"Não há melhor maneira de conquistar um título mundial do que esta: vencendo o Grande Prêmio como fiz em 1988, no Japão. E eu estava prestes a fazer isso quando o (Ron) Dennis (chefe da equipe) voltou a me chamar pelo rádio. Pedi que ele repetisse a mensagem e, mais uma vez, ouvi mal. Resolvi, então, tirar o pé e deixei o Berger passar”, explicou Senna.

GP DA ÁUSTRIA - 2002

Pole-position, Rubens Barrichello, da Ferrari, liderou a corrida até o fim, sem ser ameaçado por outros concorrentes em nenhum momento. Apenas nos metros finais, por uma ordem da equipe italiana, o brasileiro teve de ceder posição. Michael Schumacher, então na disputa pela liderança do campeonato, passou pelo companheiro de equipe a alguns segundos da bandeira quadriculada, que cruzou com uma diferença de apenas 0.1 segundo para Rubinho.

No pódio, a dupla foi vaiada e a situação constrangedora levou a Ferrari a retribuir a ordem meses depois. No GP dos Estados Unidos, em Indianápolis, o alemão já tinha garantido o título mundial e a Ferari, era a campeã antecipada entre os construtores. Na reta de chegada, o brasileiro herdou a liderança e chegou como o primeiro colocado.

GP DA ALEMANHA - 2010

O público torcia para que o piloto da casa, Sebastian Vettel, da Red Bull, comprovasse o favoritismo e ao largar da pole-position, mantivesse a ponta até receber a bandeira quadriculada. Porém, logo na saída as Ferraris de Felipe Massa e Fernando Alonso tomaram as duas primeiras posições. O brasileiro liderou até a volta 48, quando pelo rádio ouviu a ordem da equipe: "Alonso está mais rápido que você".

Antes disso, o espanhol já havia tentado a ultrapassagem e ao não ter a manobra facilitada, reclamou: "Isso é ridículo". Mas logo depois da escuderia italiana intervir, o bicampeão assumiu a liderança e ao fim das 67 voltas, cruzou a linha de chegada na primeira posição, seguido por Massa. No pódio, o brasileiro aparentou estar contrariado.

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