Arquivo/AE
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Massa cria nova categoria para formar pilotos no Brasil

É a Fórmula Future Fiat, categoria de monopostos para quem sai do kart, com modelo parecido com o F-2

LIVIO ORICCHIO, Agência Estado

30 de agosto de 2009 | 07h33

Nesta segunda-feira, em Miami, Felipe Massa terá uma consulta com o médico americano Steve Olvey, que é neurologista da Fórmula Indy e tem bastante experiência em atender pilotos que sofreram impactos violentos, como aconteceu com o brasileiro. Mas na quarta ele já estará de volta a São Paulo, onde tem outro compromisso importante: vai apresentar ao público a Fórmula Future Fiat, categoria de monopostos que está criando para formar jovens de talento no automobilismo brasileiro.

"O Brasil precisa fazer alguma coisa para criar uma categoria-escola a fim de receber os meninos que saem do kart. Há o risco de não existir mais renovação de pilotos", costumava dizer Massa nos últimos tempos. Desde o fim da Fórmula Renault, em 2006, quem sai do kart tem como única opção real de monoposto carros com os pneus expostos, a Fórmula 3, mas o salto é muito grande. Como ninguém se mexeu para preencher esse espaço no automobilismo brasileiro, o próprio Massa tomou a iniciativa.

O evento vai se chamar Racing Festival. Junto do campeonato da categoria de monopostos destinada a formar jovens de talento, haverá o Trofeo Linea, com o modelo Linea da Fiat e motor de 215 cavalos. Massa não conduzirá pessoalmente o negócio, em razão dos seus compromissos profissionais com a Ferrari na Fórmula 1, mas é o idealizador e o padrinho da competição. Seu irmão Dudu, seu pai Luis Antonio e o empresário Carlos Romagnoli irão comandar o desafio.

O objetivo da Fórmula Future Fiat é oferecer o mesmo equipamento e condições para todos os pilotos, a fim de selecionar realmente os mais capazes. "Se o Felipe na sua época de kartista tivesse à disposição uma competição como essa, teria sido mais fácil dar sequência a sua carreira", diz Dudu. "Estamos entusiasmados com a possibilidade de oferecer algo em que o piloto precise apenas do capacete, macacão e de um investimento não elevado, em termos de automobilismo, para começar. O restante é por nossa conta", explica Luis Antonio.

O modelo do evento é semelhante ao da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para a Fórmula 2, criada neste ano. Não há equipes. Os organizadores disponibilizam o carro, um mecânico e alguns engenheiros conversam com todos os pilotos para compreender o que desejam modificar no acerto. "O carro é bastante avançado, produzido pela Signatech, da França, com motor Fiat de 150 cavalos. Dá para aprender bastante", comenta Dudu.

O calendário de 2010 prevê seis etapas duplas. Uma corrida no sábado, com cerca de 35 minutos de duração, e outra no domingo, um pouco mais curta, e com o grid entre os oito primeiros colocados invertido, a exemplo da GP2 - o vencedor do sábado larga em oitavo e o oitavo, na pole position. Uma temporada na Fórmula Future Fiat custará entre R$ 250 mil e R$ 300 mil, menos da metade do necessário para iniciar a carreira na Europa.

"Um menino de 16, 17 anos que sai hoje do kart, com seus 32 cavalos, tem duas opções: ir para a Europa ou permanecer no Brasil e competir na avançada Fórmula 3, com seus 230 cavalos, muito válida, mas me parece um pulo muito grande", comenta Massa. "É preciso ter alguma coisa entre um e outro carro de corrida."

O piloto brasileiro da Ferrari tomou pessoalmente a iniciativa de criar essa competição. "Acredito nesse formato, 100% escola. As condições serão as mesmas para todos e o equipamento disponibilizado é moderno, de ponta", revela Massa. Na sua visão, é a maneira correta de se evoluir no esporte. "Quando os pilotos forem para o exterior, terão uma base mais apropriada com a realidade que encontrarão por lá."

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