Massa e Bernoldi: a nova geração

Os dois representantes da geração jovem do Brasil na Fórmula 1, Felipe Massa, 20 anos, da Sauber, e Enrique Bernoldi, 23, da Arrows, já testaram seus carros para a temporada que começa dia 3 de março na Austrália e, dentro das limitações de suas equipes, ambos estão otimistas. "A Sauber fez um carro (C21) que é ainda melhor que o do ano passado", diz Massa, enquanto Bernoldi, apesar de ter completado apenas 16 voltas no circuito de Valência, comentou ter tido boa impressão do modelo A23: "Ele gera muito mais pressão aerodinâmica que o monoposto de 2001." Há quem já esteja colocando a Sauber como representante de um grupo único de forças na F-1. No primeiro estariam Ferrari, Williams e McLaren, no segundo a Sauber, e no terceiro Renault, BAR, Jordan e possivelmente a Arrows. "Ainda é muito cedo para essas conclusões", afirma Massa. "Os testes de inverno não são conclusivos sobre as verdadeiras potencialidades de cada time." A Sauber impressionou tanto nos ensaios de Barcelona como de Valência, semana passada. Enquanto o companheiro de Massa na Sauber registrou quinta-feira a marca de 1min12s404, o colombiano Juan Pablo Montoya, com a nova Williams FW24, chegou no máximo a 1min12s407. A Sauber, hoje, está mais rápida que a Williams. A mais nova revelação do automobilismo brasileiro, Massa, está tendo de amadurecer rápido. O seu companheiro na Sauber, o alemão Nick Heidfeld, além de experiente, é também muito veloz. Ele tem sido regularmente um pouco mais rápido que Massa. O piloto brasileiro fala do desafio que está enfrentando: "Isso é ótimo, te obriga a elevar o seu limite. Estou aprendendo muito, em especial como tirar mais do carro com o meu engenheiro." Semana passada Massa bateu duas vezes nos testes de Valência. "Na primeira, quarta-feira, cometi um erro. O carro quase não foi danificado", conta Massa. "No acidente de quinta-feira eu não tive culpa", disse. "Devo ter tocado alguma zebra com o aerofólio dianteiro e no fim da reta ele se soltou", explicou Massa. A não ser o monocoque, nada sobrou do C21 depois do choque na barreira de pneus e o vôo sobre a caixa de brita. "Tive sorte mesmo de não me ferir." O que mais impressiona Massa no novo carro é sua sensibilidade e resistência. "Ele reage a qualquer mudança que você faz e, claro, até agora nós treinamos, treinamos e não quebrou." Nos primeiros testes de Massa com a Sauber, em Mugello, que definiram sua contratação pela equipe, os tempos registrados impressionaram. Ele obteve, por exemplo, marcas melhores que as verificadas por Michel Schumacher, na mesma pista, alguns dias antes. "É lenda essa história de que eu seria mais veloz que o Schumacher. Treinei em dia diferente dele e sozinho na pista, o que é bem diferente de correr junto dos outros pilotos." Tudo é novo no modelo A23 da Sauber, como projetista, Sergio Rinland, motor, Ford, e chassi. O carro foi o penúltimo a ir para a pista, das 11 escuderias da F-1, e será apresentado, oficialmente, apenas no GP da Austrália. "Com o A22, de 2001, eu dava duas, três voltas e os pneus acabavam porque ele não gerava pressão aerodinâmica", contou Bernoldi, depois de testar o A23 em Valência, quarta-feira. "Com o carro novo, eu registrei meu melhor tempo na 15.ª volta, o que era impossível com o A22." A Arrows será um dos times com menos quilômetros acumulados em testes antes da abertura do campeonato. "Temos de melhorar, por exemplo, a direção, que é muito pesada ainda, e a tendência de o carro sair de frente." As duas características foram também sinalizadas pelo experiente Heinz-Harald Frentzen, companheiro de Bernoldi. "Acredito que estaremos no mesmo nível de BAR, Renault e Jordan", prevê o jovem piloto de Curitiba.

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