Massa e Bernoldi também brilharam

Poucas vezes na trajetória brasileira na Fórmula 1 todos os pilotos representantes do País na competição se apresentaram de forma tão espetacular como neste domingo. Além da vitória inatacável de Rubens Barrichello, Felipe Massa, da Sauber, classificou-se em sexto, depois de largar em 11º, e Enrique Bernoldi, Arrows, em décimo, mas partindo da 21ª colocação no grid. Os três foram altamente convincentes no GP da Europa. Os três têm companheiros de equipe alemães. E o Brasil, como na Copa, venceu e bem: 3 a 0. "Penso que consegui o resultado na largada", disse Massa, que pela terceira vez na sua temporada de estréia na Fórmula 1 marcou pontos, diante de seu parceiro, Nick Heidfeld, bem mais experiente e profundo conhecedor do circuito de Nurburgring, na Alemanha. "Ganhei duas posições ainda na primeira curva, ao ir por fora. Mais tarde cometi alguns erros, em especial porque o carro passou a vibrar depois do pit stop, mas não comprometedores." Ao contrário dos pilotos da Ferrari, que como ele também usam pneus Bridgestone, Massa planejou apenas um pit stop, realizado na 31ª volta de um total de 60. Heidfeld o havia feito uma volta antes. O brasileiro deixou os boxes no instante em que o alemão passava por lá. "Estava com os pneus frios mas o nível de adrenalina bem alto, fui para cima, dividi a freada e o ultrapassei." Heidfeld terminou em sétimo. Como a corrida era na Alemanha, a pergunta sobre se a equipe lhe orientou a facilitar a ultrapassagem do companheiro foi inevitável. "Mandaram eu tirar o pé sim, mas não tirei. Acontece que o meu rádio não funcionou direito", contou rindo. "Marcar um ponto numa pista onde a Sauber nunca havia conquistado, no mesmo fim de semana em que o Brasil passou para as semifinais da Copa, é ótimo." Massa treina em Barcelona quarta e quinta-feira. Bernoldi deixou o alemão Heinz-Harald Frentzen, companheiro de Arrows, ultrapassá-lo duas vezes, por ordem da equipe. Mesmo assim, classificou-se na sua frente, em décimo, enquanto Frentzen foi 13º. "Tom Walkinshaw (sócio da escuderia) veio me pedir desculpas por ter ordenado que eu o deixasse passar." O ritmo de Bernoldi chamou a atenção de todos no autódromo. Na largada ele pulou de 21º para a 14º. Depois realizou mais ultrapassagens, sendo a mais espetacular na última volta, na freada da chicane. "Passei o Pedro de la Rosa (Jaguar), por fora, como o Schumacher fez com o Jean Alesi uma vez, no mesmo lugar." O piloto lembrou que a disputa maior da Arrows é com a Jaguar. "A rivalidade é enorme." A Jaguar tem 3 pontos no campeonato e a Arrows 2. Um dos maiores inconvenientes de Bernoldi na prova foi algo incomum. "Um lastro, um disco de chumbo de 3 quilos, escapou dentro do cockpit. Batia no meu pé a cada freada, estou com o calcanhar preto das pancadas." A explicação para tanta velocidade é simples. "Largando lá atrás não tinha o que perder e mandei os mecânicos regularem o carro com o mínimo de asa, para poder ultrapassar no fim da reta." Claro que o modelo A23 da Arrows tornou-se difícil de ser pilotado. "Para complicar, a direção hidráulica que começamos a usar agora quebrou ainda nas primeiras voltas, estou com os braços superdoloridos." Foi seu melhor trabalho desde que estreou na Fórmula 1, ano passado. Bernoldi vai treinar nesta terça-feira em Barcelona. "Estamos ficando chiques, tem até teste."

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