Shuji Kajiama/AP
Shuji Kajiama/AP

Massa não obedece ordem para deixar Alonso ultrapassá-lo

O espanhol procura passar a ideia de tranquilidade entre ambos pilotos após a prova

Livio Oricchio, Enviado especial - O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2013 | 09h31

SUZUKA - Felipe Massa desobedeceu a ordem dada por seu engenheiro, Rob Smedley, pelo rádio, atendendo ao diretor da Ferrari, Stefano Domenicali, para deixar Fernando Alonso ultrapassá-lo, neste domingo, em Suzuka. "Fernando me ultrapassou na pista", afirmou Massa. Foi na 20.ª volta de um total de 53. Os dois lutavam pelo sexto lugar do GP do Japão.

Desde que a Ferrari passou a adotar a política de concentrar seus interesses num piloto apenas do time, Michel Schumacher, no fim dos anos 90, foi a primeira insubordinação dentro do grupo. Rubens Barrichello se rebelou também, como Massa neste domingo, mas no fim acabou acatando a ordem de equipe. No GP da Áustria de 2002, por exemplo, Rubinho permitiu a Schumacher ultrapassá-lo apenas metros antes da bandeirada. Procurou deixar o mais claro possível que freou para não cruzar a linha de chegada em primeiro por ter sido obrigado por Jean Todt, então diretor da Ferrari.

Em Suzuka, Massa largou em quinto e Alonso em oitavo. Mas logo depois da largada o espanhol se posicionou atrás de Massa, por ter ultrapassado Nico Hulkenberg, da Sauber, Nico Rosberg, Mercedes, e Lewis Hamilton ter um pneu furado num toque com o vencedor, Sebastian Vettel, da Red Bull. Depois do primeiro pit stop, entre a 10.ª e a 13.ª volta, Hulkenberg ganhou a posição dos dois pilotos da Ferrari.

Na entrevista depois da prova, Massa, visivelmente contrariado com o resultado, apenas décimo colocado por ter de cumprir um drive through, em razão de exceder o limite de 80 km/h nos boxes, deu mais detalhes do que se passou no rádio da Ferrari. "A ordem de eu deixar Alonso me passar veio bem antes de ele me ultrapassar na pista." Falou, ainda: "Você nunca fica contente com uma instrução dessas. Sempre que elas vem nós discutimos". O piloto fechou a questão e não facilitou a vida do espanhol. 

PANOS QUENTES

Na conversa dos jornalistas com Alonso a respeito do ocorrido, o espanhol procurou passar a ideia de que há um clima de tranquilidade entre ambos. "Zero problema. Não pudemos fazer uma grande corrida, independente do que ele fizesse não melhoraríamos nossas posições. Estávamos lutando pela sétima, oitava posição hoje, tentando somar o máximo de pontos." E quem deu a ordem, Domenicali, da mesma forma teve de responder a várias perguntas sobre o que se passou no GP do Japão. "Não vou fazer disso uma batalha porque não mudaria nada. Não temos nada contra Felipe", afirmou o italiano. "O que temos de fazer é um grande salto de qualidade, em especial na sessão de classificação para poder continuar lutando com a Mercedes pelo segundo lugar entre os construtores, o nosso objetivo."

Não há indícios de que o fato de Massa não ter obedecido a ordem de permitir a Alonso ultrapassá-lo, ainda na fase inicial da corrida, tenha gerado um situação desconfortável para ele dentro do grupo. Mas muito em função de que, como lembraram Alonso e Domenicali, a insubordinação não interveio no número de pontos que a Ferrari poderia conquistar no GP do Japão. Ao final das 53 voltas, Alonso recebeu a bandeirada em quarto, graças a sua impressionante capacidade de se recuperar das más classificações da Ferrari aos sábados.

Massa explicou o que fez com que fosse punido com o drive trhough: "A aderência na entrada dos boxes é baixa, eu cheguei rápido, freei forte, mas o carro não reduziu tanto a velocidade. Uma pena esse drive throught, estragou a minha corrida. Essas coisas acontecem". Lá na frente, o notável Vettel mostrou que sabe vencer mesmo quando começa não liderando a competição. O alemão só assumiu o primeiro lugar do GP do Japão na 40.ª volta, depois de uma estratégia espetacular da sua equipe e, claro, a condução veloz, precisa e constante. O companheiro, Mark Webber, o pole position, terminou em segundo e o cada vez melhor Romain Grosjean, da Lotus, em terceiro.

Agora, Vettel soma, depois de 15 etapas, 297 pontos enquanto Alonso, 207. São 90 pontos de diferença e restam quatro provas: Índia, dia 27, Abu Dabi, 3 de novembro, EUA, 17, e Brasil, 24. Para ser tetracampeão na Índia, basta a Vettel o quinto lugar, independentemente da colocação de Alonso. O alemão vem de cinco vitórias consecutivas, nove na temporada. Ser quinto não representa um desafios dos maiores.

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