McLaren dá vexame na Alemanha

Na entrada do paddock da Fórmula 1, em Hockenheim, a Mercedes expôs nos dias de competição o modelo W196, campeão do mundo em 1954 e 1955 com Juan Manuel Fangio, o famoso "Flecha de Prata?. O diretor da empresa, Jürgen Hubbert, ao deixar o circuito hoje, deparou com seu lendário automóvel e deve ter sentido saudades daqueles tempos. A Mercedes, sócia da McLaren, deu um vexame, diante dos próprios alemães."Sem comentários", limitou-se a dizer Hubbert, no fim da corrida em que tanto Mika Hakkinen quanto David Coulthard abandonaram por quebra do motor Mercedes."Não poderia ser melhor. Fizemos a pole, ganhamos a corrida e ainda os dois motores da Mercedes quebraram", afirmou Gerhard Berger, diretor da BMW, fornecedora de motores da Williams. "Não fosse a quebra do motor (na 13ª volta de um total de 45) poderia ter sido segundo", analisou Hakkinen. Ontem, o finlandês já havia antecipado: "A Williams será imbatível aqui." E Coulthard praticamente deu adeus ao título ao encostar sua McLaren com o motor em pane também (27ª volta).Curiosamente, tanto os pilotos como Ron Dennis, o diretor-executivo da McLaren, antes da largada chamavam a atenção da "confiabilidade do seu equipamento" para justificar que poderiam vencer no desgastante circuito de Hockenheim."Não é o resultado que nós imaginávamos", comentou Norbert Haug, diretor esportivo da empresa alemã. Agora, a McLaren-Mercedes pode perder até mesmo o segundo lugar no Mundial de Construtores para sua grande rival, a Williams-BMW, além de ter apenas quase a metade dos pontos da Ferrari. Os italianos estão em primeiro com 124 pontos, seguidos da McLaren-Mercedes, 66, e da Williams-BMW, com 56. A Mercedes associou-se à McLaren em 1995, enquanto a BMW regressou à Fórmula 1 apenas no ano passado. Se depois da corrida de Nurburgring, Hubbert gritou, xingou, afirmou que iria cobrar mais resultados da sua equipe, o que não irá ocorrer agora, em que o desempenho da McLaren-Mercedes, organização que investe tanto quanto a Ferrari, senão mais, esteve abaixo da crítica? Hakkinen tinha razão quando afirmou: "Estou fora mesmo da luta pelo título há tempos, vou aproveitar agora as duas semanas de folga para tirar férias."Enquanto isso, na Inglaterra, sede da McLaren e onde são construídos os motores Mercedes, projetados pelo suíço Mario Illen, e em Stuttgart, Alemanha, fábrica da Mercedes, as cobranças serão ainda mais elevadas. Quem sabe eles podem discutir também uma forma mais profissional de relação com a imprensa.

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