McLaren e Mercedes criticam Bernoldi

Norbert Haug, diretor esportivo da Mercedes, sócia da McLaren, apanhou pelo braço o brasileiro Enrique Bernoldi, tão logo ele deixou o carro da Arrows depois da corrida, hoje, e com o dedo em riste disse: "Eu vou acabar com a sua carreira na Fórmula 1." Ao seu lado, segurando o outro braço de Bernoldi, estava Ron Dennis, do time inglês, ameaçando também. Da largada até a 43.ª volta, Bernoldi manteve atrás de si o escocês David Coulthard, da McLaren, que teve problemas no grid e largou em último. "Eu estou aqui, por que eles não vêm e dizem isso para mim, não para o nosso piloto ou a imprensa?", respondeu o dono da Arrows, o escocês Tom Walkinshaw. "Eles estão nervosos porque os dois carros deles quebraram, um na largada e outro durante a corrida", declarou, irritado. "Quando eu vi os comissários me mostrando a bandeira azul (para dar passagem, exposta equivocadamente), perguntei à equipe o que fazer e eles me responderam para continuar disputando a posição", explicou Bernoldi. Os dois lutavam pela 17.ª colocação. Enquanto isso, Michael Schumacher abria uma vantagem de cerca de dois segundos por volta em relação a Coulthard. "Eu compreendo que Enrique, como piloto, tivesse defendendo sua posição", afirmou Coulthard. "Não penso, porém, que me segurar durante tanto tempo, pela glória do 17.º lugar, o fez aparecer para algum dirigente de equipe." Na opinião de Coulthard, se esse foi o seu objetivo, "Enrique é um piloto de visão curta." As seguidas "fechadas" que recebeu do brasileiro serão colocadas à discussão na próxima reunião da Grand Prix Drivers Association (GPDA), a associação dos pilotos. "Vamos ser honestos, nós disputávamos duas corridas distintas", falou Coulthard. Na realidade, a ordem a Bernoldi veio do próprio Walkinshaw. Ao manter Coulthard, o vice-líder do Mundial, atrás de um carro da sua equipe, garantiu uma exposição na TV aos patrocinadores da Arrows, em especial o principal deles, o grupo de telefonia celular inglês Orange, quase impensável. A argumentação de Walkinshaw para os diretores da McLaren: "Nessa pista, para ultrapassar um adversário, é preciso correr riscos, e Coulthard não quis assumi-los." Para o dirigente, se fosse Michael Schumacher quem estivesse atrás, ele rapidamente resolveria a questão. "Nosso outro piloto (Jos Verstappen) ultrapassou cinco adversários e em todas manobras correu riscos."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.