McLaren e Raikkonen surpreenderam

Se quando está feliz, o finlandês Kimi Raikkonen, 22 anos, piloto da McLaren, quase não fala nada, depois de uma grande frustração então ele se torna mudo. Foi difícil arrancar dele neste domingo alguma palavra sobre seu excepcional trabalho no GP da França. Ele terminou em segundo, mas merecia ter vencido: "Pode parecer estranho eu descrever meu melhor resultado na Fórmula 1 como a pior corrida da minha vida, é o que eu sinto. Liderar a corrida e a algumas voltas do fim seguir em frente numa freada e perdê-la é terrível." A McLaren foi a surpresa da corrida. "Não tão bem na classificação", como lembrou David Coulthard, terceiro colocado neste domingo, "mas bastante eficiente ao longo das 72 voltas da prova", destacou Raikkonen. Os dois pilotos foram sempre bem mais velozes que a dupla da Williams, Juan Pablo Montoya, quarto colocado, e Ralf Schumacher, quinto, embora no sábado tenham sido mais lentos na tomada de tempos para o grid. "Perder a corrida é frustrante, claro, mas o mais importante é que acompanhamos o ritmo da Ferrari", falou Coulthard. Raikkonen cruzou a linha de chegada a um segundo e 105 milésimos de Schumacher. Pneus - Os dois pilotos não esconderam que os pneus Michelin tiveram importância decisiva no resultado. "Eles se comportaram de forma mais constante e nós estamos compreendendo como usá-los melhor a cada prova", afirmou Coulthard. Este é o primeiro ano da McLaren com os pneus franceses. Com exceção de Schumacher, que corre com Bridgestone, os demais pilotos que marcaram pontos usavam pneus Michelin. Protesto - Apesar de a McLaren não ter entrado com protesto oficial contra a decisão de não punir Schumacher por ultrapassar Raikkonen com bandeira amarela, Ron Dennis, sócio da escuderia, expressou seu ponto de vista: "Não nos sentimos à vontade com as condições com que Kimi perdeu a liderança da corrida." Alan McNish, escocês da Toyota, teve o motor quebrado no fim da reta e espalhou óleo no asfalto, na 68.ª volta. Quando Raikkonen passou sobre ele, precisou de mais espaço para frear. Nesse momento, a quatro voltas do fim, Schumacher o ultrapassou. "Não foi exposta a bandeira que indicava óleo na pista", falou McNish. Raikkonen confirmou a acusação aos comissários: "Vi apenas as bandeiras amarelas e reduzi a velocidade. Se tivesse observado a de óleo, teria reagido diferente." Montoya mais uma vez, pela quinta consecutiva, não aproveitou-se da vantagem de largar na pole position. "Escolhemos pneus (duros) que funcionaram bem ontem, no calor, mas hoje, com a queda da temperatura, deixaram meu carro difícil de ser guiado." Os três pontos do quarto lugar o deixam novamente como vice-líder do campeonato, com 34 pontos, diante de 32 de Rubens Barrichello e Ralf Schumacher, e 30 de David Coulthard, os três que lutam para terminar o Mundial em segundo. "O que foi na classificação uma vantagem, hoje funcionou ao contrário", explicou Ralf com relação à escolha dos pneus duros da Michelin. A McLaren tinha os moles. "Michael foi campeão. Penso que ele realmente mereceu", falou Ralf.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.