Zak Mauger/Fórmula 2
Zak Mauger/Fórmula 2

McLaren evita prometer testes para Sette Câmara na F-1 em 2019

Escuderia inglesa defende trabalho em simuladores antes de estipular estreia de brasileiro nas pistas

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S. Paulo

08 Novembro 2018 | 19h25

Mais novo brasileiro na Fórmula 1, Sérgio Sette Câmara ainda não sabe se terá uma oportunidade de pilotar o carro da McLaren no próximo ano. O mineiro de apenas 20 anos foi confirmado no início da semana como piloto de testes e desenvolvimento do tradicional time da Fórmula 1 para 2019, mas sua participação nas pistas ainda é um incógnita.

"Muito do seu trabalho será baseado nos simuladores, no desenvolvimento", desconversou o também brasileiro Gil de Ferran, diretor esportivo da McLaren, nesta quinta-feira. "Mas não será apenas isso. Vamos trazer ele para dentro da família McLaren. Ele vai ter contato com os nossos engenheiros, com tudo o que fazemos. E vai ganhar familiaridade com a equipe, com os aspectos de preparo físico, marketing e contato com a imprensa. Acho que será um programa bem completo."

Questionado sobre a eventual participação do brasileiro em testes e treinos livres, Gil de Ferran disse que ainda é cedo para planejar estas ações. Geralmente, os pilotos de testes das equipes de F-1 ganham oportunidades em testes da pré ou da intertemporada. Às vezes, têm até a oportunidade de participar do primeiro treino livre de alguma etapa do campeonato.

"O foco principal é no desenvolvimento de suas habilidades, suas contribuições para a equipe, e também em ir bem na Fórmula 2", disse o diretor esportivo da McLaren, que também não se disse preocupado com a ausência da Superlicença no currículo do piloto compatriota. "Acho que os pontos serão consequência. Como time, não estamos focados nisso."

Para poder virar piloto reserva ou até mesmo titular da F-1, qualquer atleta precisa obter a Superlicença, que é conquistada quando se soma no mínimo 40 pontos nas categorias de acesso. O brasileiro ainda não tem nenhum. Mas pode atingir este número de uma vez só se terminar a temporada da Fórmula 2 entre os três primeiros colocados. No momento, Sette Câmara está em sexto lugar, faltando apenas uma etapa para o fim do campeonato, em Abu Dabi, no fim de novembro.

EXPERIÊNCIA

Já envolvido com os eventos da McLaren, inclusive vestindo o uniforme da equipe britânica, Sette Câmara disse nesta quinta quer aproveitar a experiência que ganhará no tradicional time da F-1 para obter bons resultados na F-2, que disputará novamente na próxima temporada.

"Acho que Fórmula 1 é a Fórmula 2 com mais complexidades. Há mais coisas acontecendo. Se eu puder fazer um bom trabalho, especificamente na pilotagem no simulador, isso vai me ajudar também na F-2", afirmou o piloto mineiro.

"Na verdade, esse foi um dos motivos por que eu tive algumas dificuldades neste ano. É um esporte muito caro. Em comparação a outros pilotos, eu tive menos quilometragem na pista. Não é permitido fazer testes em carros da F-2, mas se pode testar outros carros de fórmula, e em bons simuladores, o que eu não fiz neste ano. Em 2019, pilotando num bom simulador, poderei me sair melhor. Acredito que quanto mais você pilota, melhor piloto você se torna. E vou trabalhar com o auxílio dos engenheiros, o que deve ter um efeito positivo na minha temporada na F-2."

 

 

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