Michael Schumacher ganha GP do Brasil

Quando uma equipe eficiente como a Ferrari conta com um piloto da competência excepcional de Michael Schumacher, um diretor técnico estrategista como Ross Brawn e um fornecedor de pneus com a capacidade de reagir da Bridgestone, o resultado não pode ser outro: vitória! Foi uma conquista surpreendente até para Michael Schumacher, a de hoje em Interlagos. "Depois dos nossos problemas na Malásia (quando os pilotos da Michelin foram bem melhores), não acreditava que conseguiria manter o ritmo das Williams no GP do Brasil", afirmou. Schumacher cruzou a linha de chegada em primeiro, sem receber a bandeirada, na estréia da nova Ferrari F2002, seu irmão Ralf, da Williams, terminou em segundo, a apenas meio segundo, e David Coulthard, McLaren, em terceiro, a um minuto. Foi o próprio Ralf Schumacher que contou, com cara de quem não gostou do que viu: "Quando compreendi que Rubens Barrichello faria dois pit stops, entendi que Michael faria um só, o que não esperava." Ninguém imaginava que a Bridgestone produziria um pneu que permitisse a seus pilotos completar 39 voltas, sem substituição, numa velocidade até melhor que os da Michelin da Williams, no início, num circuito em que o asfalto fervilhava a 43 graus. Na etapa de Sepang, dia 17, Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya, também da Williams, fizeram primeiro e segundo com enorme facilidade porque o desgaste elevado dos pneus da Ferrari não permitiu a Schumacher planejar uma parada apenas. "Esse resultado aumenta minha confiança nas provas em que nós não fomos muito bem no ano passado", comentou Schumacher, como a próxima etapa, dia 14 em Ímola, vencida sem dificuldades por Ralf em 2001. "Vamos para a nossa casa com outra postura", afirmou Schumacher, o líder na classificação, com 24 pontos, diante de 16 do irmão, para delírio dos tifosi. A Williams, no entanto, continua em primeiro entre os construtores, com 30 pontos contra 24 da Ferrari, todos conquistados pelo alemão. Mais uma vez, hoje, Rubens Barrichello abandonou o GP do Brasil. Felipe Massa, Sauber, também não concluiu a prova, a exemplo de Enrique Bernoldi, da Arrows. Poucos campeonatos da Fórmula 1 alternaram tanto as perspectivas de definição do vencedor como o desta temporada. A análise é do próprio Schumacher, que realizou hoje em São Paulo uma das suas maiores corridas, dentre as 55 que já ganhou - ele disputou 164. "Na Austrália disseram que a Ferrari ganharia tudo, depois na Malásia foi a vez da Williams, pelas formas como venceram, e aqui a vantagem de novo é nossa." Ralf Schumacher procurou diminuir um pouco a conquista do irmão: "Falavam que a nova Ferrari era fantástica, vi na imprensa também, mas sábado, nós fomos mais velozes e hoje quase a batemos também." O que ficou claro no 31.º GP do Brasil, com público próximo de 50 mil pessoas, foi: Ferrari e Williams irão concorrer numa competição à parte. E a McLaren que se cuide. A Renault, que tinha pretensões de terminar em quarto entre os construtores, pode acabar na frente da McLaren. Hoje seus pilotos, Jarno Trulli e Jenson Button, permaneceram mais de meia corrida na frente de David Coulthard e Kimi Raikkonen, a dupla da McLaren. Button classificou-se em quarto, como na Malásia. Jarno Trulli, o outro piloto, abandonou. "Terminar a prova um minuto atrás do vencedor não é fácil. Nosso carro novo (MP4/17) é superior ao de 2001, mas nossos adversários trabalharam ainda melhor", falou Coulthard, resignado. O maior problema da equipe é o motor Mercedes, muito menos eficiente em tudo que o BMW da Williams e o V-10 da Ferrari. Na corrida de São Paulo, como em Melbourne e Sepang, um acidente na largada comprometeu o resultado final. Montoya tocou na traseira da Ferrari de Schumacher no fim da Reta Oposta e teve de parar nos boxes para substituir o aerofólio dianteiro, não lhe dando mais que a quinta colocação. "Vi que ele não faria a primeira curva porque brecou muito tarde", falou o alemão, que a exemplo de 2001, percorreu o S do Senna lado a lado com o colombiano. "Saímos juntos do S e consegui passá-lo porque a preferência era minha. Eu não vi a batida no meu carro, como estão dizendo, tampouco a senti." Montoya criticou duramente a Federação Internacional de Automobilismo (FIA), acusando-a de favorecer Schumacher e a Ferrari. Ele queria uma punição para o piloto da Ferrari. O finlandês Mika Salo, em sexto, deu mais um ponto à Toyota, outra grande agradável surpresa do início do Mundial. Confira os seis primeiros do GP do Brasil: 1) Michael Schumacher - Ferrari 2) Ralf Schumacher - Williams-BMW 3) David Coulthard - McLaren-Mercedes 4) Jenson Button - Renault 5) Juan Pablo Montoya - Williams-BMW 6) Mika Salo - Toyota Confira a classificação do Mundial de Pilotos: 1) Michael Schumacher - Ferrari - 24 pontos 2) Ralf Schumacher - Williams - 16 pontos 3) Juan Pablo Montoya - Williams - 14 pontos 4) Jenson Button - Renault - 6 pontos 5) Kimi Raikkonen - McLaren - 4 pontos 6) David Coulthard - McLaren - 4 pontos 7) Eddie Irvine - Jaguar - 3 pontos 8) Nick Heidfeld - Sauber - 2 pontos 9) Mark Webber - Minardi - 2 pontos 10) Mika Salo - Toyota - 2 pontos 11) Felipe Massa - Sauber - 1 ponto Confira a classificação do Mundial de Construtores: 1) Williams - 30 pontos 2) Ferrari - 24 pontos 3) McLaren - 8 pontos 4) Renault - 6 pontos 5) Sauber-Petronas - 3 pontos 6) Jaguar - 3 pontos 7) Minardi - 2 pontos 8) Toyota - 2 pontos

Agencia Estado,

31 Março 2002 | 15h34

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