Michelin tumultua GP dos Estados Unidos

O italiano Jarno Trulli conquistou hoje, no circuito de Indianápolis, a primeira pole position da Toyota na Fórmula 1. Mas admitiu: está com medo de disputar o GP dos Estados Unidos, neste domingo, com largada às 15 horas (horário de Brasília). Os pneus Michelin, da Toyota, e de mais 6 equipes, tiveram de ser substituídos de sábado para domingo por outros enviados às pressas, da França, por razões de segurança. O acidente de Ralf Schumacher, sexta-feira, ocorreu por causa da explosão do pneu traseiro esquerdo. O dia, hoje, em Indianápolis, foi dos mais agitados na história recente da Fórmula 1. A prova correu sério risco de não ser realizada. "O grid estará completo, isso posso garantir", afirmou Bernie Ecclestone, promotor do Mundial. Se os times da Michelin não puderem correr, apenas os 6 carros que competem com Bridgestone, da Ferrari, Jordan e Minardi, não formam um grid. Com menos de 12 carros o GP dos Estados Unidos é cancelado. Ainda não se sabe, ao certo, o que irá acontecer com os pilotos da Michelin que concluírem as 73 voltas da corrida, amanhã. Charlie Whiting, diretor do GP dos Estados Unidos, foi claro, hoje: "Não abriremos mão de cumprir o regulamento." E as regras da Fórmula 1 são claras: não é permitido trocar de pneu de sexta-feira em diante nos fins de semana de GP. As equipes fazem a escolha do tipo desejado ao final das duas sessões de treinos livres na sexta-feira. O diretor da divisão de Fórmula 1 da Michelin, Nick Shorrock, por sua vez, disse hoje que quem for disputar a etapa de Indianápolis terá de usar os pneus que desembarcarem amanhã nos Estados Unidos. "São as unidades duras que produzimos para o GP da Espanha", explicou. E faz sentido: o circuito catalão, com suas curvas velozes e longas, são as que mais se assemelham às duas que antecedem a reta dos boxes de Indianápolis, onde o problema de segurança é mais grave. Essas duas curvas ocupam parte do traçado oval utilizado pela IRL nas 500 Milhas. Diante da inflexibilidade de Whiting, a considera "irregular", amplamente apoiado pela Ferrari, que compete com Bridgestone, e não tem dificuldades, uma enorme confusão se estabeleceu no paddock do circuito. "É simples, se nós não podemos trocar os pneus, comprovadamente por uma razão de segurança, ou se formos penalizados por isso, não vamos disputar o GP dos Estados Unidos", afirmou Flavio Briatore, diretor da Renault, líder do Mundial de Pilotos, com Fernando Alonso, sexto no grid, e de Construtores. Ricardo Zonta, como Trulli, estava assustado. "Estou substituindo o Ralf mas não pude guiar de manhã porque a Michelin nos orientou a ficar parados." Havia o sério risco de nova explosão do pneu traseiro esquerdo, que ele mesmo experimentara, sexta-feira, por sorte num ponto não tão veloz como o de Ralf. Zonta larga em 13.º. "Para a classificação nos orientaram a aumentar a pressão dos pneus e reduzir a carga aerodinâmica do carro a fim de aliviar as tensões sobre os pneus", explicou Zonta. Dos 14 carros que competem com Michelin, 8 apresentaram rachaduras na parede externa do pneu traseiro esquerdo e com dois pilotos, Ralf e Zonta, explodiram. A partir desse quadro grave Shorrock decidiu não permitir que seus times utilizassem na corrida os pneus trazidos para Indianápolis. A Ferrari assiste a tudo de camarote. Sabe que todos os pilotos da Michelin terão de ser punidos no fim da prova por desrespeito ao regulamento. Foi a presença de Bernie Ecclestone, em Indianápolis, que garantiu sua presença no grid. O tipo de punição que a direção de prova lhes irá impor é que estava sendo discutida até hoje no início da noite. Falou-se em acrescentar 30 segundos ao tempo final de corrida de cada um, um minuto, uma volta e até a desclassificação. A verdade é que ninguém sabe ao certo ainda o que acontecerá com o resultado do GP dos Estados Unidos. A Michelin que está realizando uma temporada impecável, com 9 pole positions e 8 vitórias, desta vez falhou feio.

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