Minardi compra briga perigosa com a FIA

A equipe Minardi pode até alinhar seus dois carros para disputar o GP da Austrália, neste sábado à meia-noite, mas estará comprando uma briga cujo desfecho pode ser o fim da sua existência. "Reconsiderei minha decisão e busquei na justiça comum os meus direitos", afirmou nesta sexta-feira o australiano Paul Stoddart, proprietário da Minardi. Ele havia prometido não recorrer à Corte do Estado de Vitória para poder disputar o GP da Austrália com os carros de 2004 sem estar adaptados, a não ser no aspecto de segurança, às regras de 2005.Sexta-feira à noite, horário de Melbourne, o juiz Justice Hapersberger concedeu liminar autorizando os pilotos do time de Stoddart, o holandês Christijan Albers e austríaco Patrick Friesacher, realizarem as duas sessões livres programadas para o sábado de manhã e disputar o treino de classificação, à tarde. Uma nova audiência programada para este sábado às 14h15 (15 minutos da madrugada de sábado, no horário de Brasília), definiria se eles poderiam participar da corrida também. Nessa audiência representantes da FIA poderiam contestar e, então, a Corte é quem decidiria.Curiosamente, Stoddart conseguiu a assinatura dos nove demais diretores das equipes para poder usar o carro de 2004, sem as mudanças impostas para este ano. Mas um telefonema do presidente da FIA, Max Mosley, aos comissários desportivos acabou com sua chance de correr. Os comissários recusaram o documento apresentado por Stoddart, em que todas as demais escuderias não se opunham. Até mesmo Jean Todt, diretor geral da Ferrari, reviu sua postura contrária, provavelmente atendendo à solicitação de Bernie Ecclestone, promotor do Mundial.Mosley sempre foi claro nesses aspectos de recorrer à justiça comum, tal qual faz a FIFA com os clubes de futebol: "Temos os nossos tribunais para discutir nossas questões. Quem opta por não recorrer a eles deve arcar com as conseqüências", fala Mosley. A Minardi já está sujeita à suspensão de um ou dois GPs porque Stoddart foi à Corte do Estado de Vitória.Resta saber como fica Ecclestone nessa história, que tem contrato milionário com as emissoras de TV que adquiriram os direitos de transmitir o Mundial. O compromisso garante a presença de 20 carros no grid e sem a Minardi serão 18. Esse deve ter sido o seu argumento na conversa com Jean Todt para fazê-lo aceitar o pedido da Minardi. Agora Ecclestone terá de convencer Mosley de desfazer-se de sua autoridade e não punir Stoddart, o que não é fácil diante do carácter autoritário do presidente da FIA. Mosley já declarou, em Londres: "Paul Stoddart está muito ousado."

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