Mingione vence em sua 1ª vez no Rali

A vitória na primeira participação do Rali Paris-Dacar superou qualquer expectativa de Luiz Mingione, que jamais havia participado da prova. Antes de sair do Brasil para aquele que seria seu maior desafio sobre uma moto, o piloto brasileiro disse que ficaria contente se conseguisse cruzar a linha de chegada em Dacar.E Mingione tinha motivos para aquela declaração. Em dezembro do ano 2000, faltando menos de uma semana para o embarque para a Europa, ele sofreu um acidente de moto em São Paulo, luxou o ombro e teve de desistir da edição 2001. "Foi muito duro. Estava naquela expectativa de viajar, realizar o que para mim seria um sonho e, de repente, vi tudo ir por água abaixo", lembrou o piloto.Jean Azevedo acabou escalado como substituto, beneficiado pela coincidência de ter praticamente as mesmas medidas de Mingione. "Foi sorte mesmo. De outra maneira, o Jean não poderia ter participado, pois não havia tempo suficiente para preparar a moto para uma pessoa com medidas diferentes", afirmou Klever Kolberg, outro brasileiro que participou do Paris-Dacar. "O macacão serviu certinho."Na prática - Apesar de competir com motos há mais de uma década e ter no currículo uma vitória no Rali dos Sertões de 1995, Mingione não vive do esporte - diz que isso é quase impossível no Brasil -, mas encontrou um meio de estar sempre perto das motos, sua grande paixão. Sua principal fonte de renda é o trabalho de analista de pesquisa e desenvolvimento da Honda do Brasil."Não tenho formação acadêmica. Tudo o que sei de motos aprendi na prática", conta Mingione. "Algumas soluções que encontrei para o design das motos agradaram tanto que não só foram usadas aqui no Brasil como também em outros países", afirmou o piloto. O bom trabalho do brasileiro como analista chamou a atenção dos técnicos da matriz japonesa, que o chamaram para uma temporada.Totalmente recuperado do acidente no ano anterior, Mingione se preparou para o Rali de 2002 e optou por dificultar seu desafio. Ao invés das motos 400cc, as mais populares nas competições dos anos anteriores, o piloto escolheu enfrentar as dunas e as dificuldades do deserto com uma moto 250cc. Como o equipamento, de potência inferior, não vinha sendo usado nos últimos anos, não era possível prever sua reação ao enfrentar o deserto africano. O resultado não podia ter sido melhor. Mingione superou o deserto, os adversários, a má sorte e chegou à vitória.

Agencia Estado,

13 de janeiro de 2002 | 19h12

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