Minha primeira da DTM

Dia sim, dia não o verão dá as caras. Não dá pra contar nos dedos da mão os minutos que dura um solzinho leve, quando ele aparece. Mas também não chega a esfriar, apesar do céu encoberto. Isso é o que Londres tem para o momento. É o lugar onde comecei minha vida no automobilismo, junto com os brasileiros que disputavam a Fórmula-3. Todas as terças pela manhã esperando chegar às bancas o Motoring News, e às quintas a Autosport. Ler, deglutir, reler. Deveria ser um prazer semanal, mas se tornava diário de tanto que eu lia e relia cada página. 

Reginaldo Leme, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2015 | 03h00

Éramos uma meia dúzia de brasileiros vivendo aqui em torno das corridas. O chefe de todos, claro, era o Zampa, o que tinha a solução para tudo, mesmo que os meios nem sempre fossem os esperados. Mas isso é história para o meu livro que, finalmente, comecei a escrever.

Quando recebíamos a Autosport, íamos direto para as duas páginas intituladas “Pit&Paddock”. Lá estava tudo dos bastidores, aos quais nem sempre temos acesso. É como se um jornalista inglês fosse cobrir a Stock Car no Brasil. Obviamente eu teria muito mais informações do que ele. Aliás, bem lembrando, tive como padrinho um jornalista inglês que me ensinou muito nesses meus primeiros anos. É o Mike Doodson, da velha guarda, extremamente conhecido e, de vez em quando, ainda aparece em um ou outro GP. 

Mike me apresentou a todas as pessoas mais importantes da F-1. Alguns anos depois desse longínquo 1973, o Mike foi trabalhar como assessor de imprensa da Lotus, e nesse tempo se afastou de qualquer publicação. Sabendo do lado arrogante e prepotente de seu chefe Colin Chapman, ele logo teve o cuidado de me apresentar ao homem de preto, me cercando de elogios que fizeram Chapman ter um raro momento de simpatia. Quase uma década depois, em outubro de 81, na corrida em que Piquet ganhou o título em Las Vegas, eu fiz uma entrevista exclusiva com Chapman, que acabaria sendo a última dele - que morreu no começo de 82. Se é que morreu de fato, porque, dadas as condições estranhas de sua morte em meio a dívidas imensas por causa do envolvimento com John Delorean para fabricar um carro de alto luxo nos Estados Unidos que nunca saiu do papel, durante muito tempo ouviu-se histórias fantasiosas de que ele vivia no pantanal mato-grossense.

Este começo de vida londrino é um período que me deixa muita saudade. Gosto de rever os lugares onde morei na região 100% hippie de Earls Court. Era dali que eu saia com pilotos brasileiros às 6 da manhã dos domingos. Com dez autódromos e um automobilismo em franca evolução, todo fim de semana tinha corrida na Inglaterra. Que bom ter vivido esta primeira geração, já que na semana passada voltei a viver o ambiente da Fórmula-3 em Zandvoort, agora um campeonato europeu, tão forte como era naquele tempo a F-3 inglesa. 

Fui conhecer o nível da Euro F3 e, ao mesmo tempo, realizei um desejo antigo de ver de perto uma corrida de DTM, o campeonato de carros de turismo mais importante do mundo, que hoje se tornou uma disputa direta entre as três alemãs Audi, Mercedes e BMW. 

Os carros têm todos os recursos que a F-1 deixou de usar por questão de custos. O curitibano Augusto Farfus é uma atração. Talento reconhecido pela BMW desde os tempos do WTCC, que era uma preparação para a marca voltar ao DTM depois de20 anos. A BMW voltou em 2012 foi campeã no primeiro ano, e com Farfus tornando-se o único estreante vencedor na história da categoria. Em 2013 foi melhor ainda. Farfus foi o maior vencedor da temporada (três vitórias), além de mais dois pódios e em sete das dez corridas entrou no Q4 (os quatro mais velozes), o que lhe garantiu o vice-campeonato. 

Desde o ano passado, com a introdução do modelo M4, a BMW tem enfrentado dificuldades. Mas em Zandvoort dominou o fim de semana. E as próximas pistas (Áustria, 2 de agosto, e Moscou, 30 de agosto) também devem ser boas para o M4. Depois dessas, ainda vão faltar três : Oschesleben, Nurburgring e Hockenheim, 18 de outubro.

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