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Ciro Campos e Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

12 Setembro 2014 | 07h00

Uma mistura de saudosismo e inovação será a principal atrativo da primeira temporada da Fórmula E. A categoria da FIA tem a corrida inaugural neste sábado, na  China, e no grid vão estar sobrenomes famosos da década de 1980 na Fórmula 1 como Piquet, Senna e Prost, na direção de modernos carros elétricos por  circuitos de rua pelas principais cidades do mundo.

A categoria tem como bandeiras o consumo consciente e o uso de energia limpa. A proposta dos organizadores é abrir para a indústria automobilística a  possibilidade de pesquisar e aprimorar o uso de carros elétricos. A grande diferença da Fórmula E, inclusive, está no som. Movidos por bateria em vez de  combustível, os carros terão motor silencioso.

"Sem o som, perdemos a referência para a troca de marchas, porque o barulho se confunde com o do vento", explicou o piloto Bruno Senna. Para as corridas,  cada competidor terá dois carros à disposição, já que a bateria tem dura somente até a metade da prova, quando o piloto terá de ir aos boxes para trocar de  veículo.

A organização da Fórmula E também se preocupou em diminuir outros gastos. Os pneus foram produzidos para aguentar toda a corrida, seja na chuva ou no tempo  seco. Por temporada uma equipe da categoria tem custo operacional de no máximo 5% do gasto de uma escuderia na Fórmula 1.

Todas as sessões livres de treinos, classificações e provas serão no mesmo dia, para prejudicar o mínimo possível o trânsito das cidades por onde a categoria  vai passar. Os traçados de rua foram elaborados para passar por pontos turísticos. Na corrida da China, por exemplo, o circuito abrange áreas dos Jogos de  Pequim, em 2008. A temporada irá até junho o ano que vem e terá dez etapas, mas nenhuma delas será no Brasil.

Pelo regulamento, o carro tem 150kw de potência e vai exigir moderação na hora de acelerar. "É necessário distribuir a potência ao longo das curvas conforme  a estratégia para que a bateria não acabe muito cedo. Todos os carros da categoria são iguais e vamos ter grande equilíbrio", disse o brasileiro Lucas di Grassi.

O terceiro brasileiro da categoria é Nelsinho Piquet. Assim como os outros dois compatriotas, o filho do tricampeão mundial integra a lista dos 11 pilotos  que passaram pela Fórmula 1 e estão confirmados na nova categoria. "Um dia os carros de corrida teriam essa categoria. Era uma questão de juntar um projeto,  ideias, investidores e um bom administrador", disse.

Além de Piquet e de Bruno Senna, o francês Nicholas Prost, filho de Alain Prost, é outro presente na grid a ser herdeiro de um ídolo das pistas. "Ter  sobrenomes de peso é legal na categoria e sem dúvida cria uma nostalgia para quem gosta de automobilismo", admitiu Bruno.

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Ciro Campos e Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

12 Setembro 2014 | 07h00

A interação com o público é um dos grandes objetivos da Fórmula E. A categoria traz a iniciativa inovadora dos fãs votarem pela internet antes de cada prova para escolher qual piloto deve receber potência extra para as corridas. Os três mais populares vão ganhar 90 cavalos a mais.

A ideia é procurar atrair os fãs de automobilismo a participarem do evento. Essa preocupação, aliás, também norteou a montagem do calendário. Como as pistas são de rua e passam perto de pontos turísticos, facilitam o acesso para o público acompanhar as corridas. A concorrência pelo posto de piloto mais popular promete ser acirrada, pois vários dos pilotos já são conhecidos por quem acompanha automobilismo. Dos 20 nomes, 11 já passaram pela Fórmula 1.

Além de Bruno Senna, Nelsinho Piquet e Lucas di Grassi, a categoria conta com o espanhol Jaime Alguersuari, o indiano Karun Chandhok e os franceses Stéphane Sarrazin e Franck Montagny, que tiveram breves passagens na Fórmula 1. Completam a lista os conhecido Sebastien Buemi, Jarno Trulli, Nick Heidfeld e Takuma Sato.

Há também duas mulheres na categoria: a italiana Michela Cerruti e a inglesa Katherine Legge. A primeira será companheira de equipe de Trulli, na equipe do ex-piloto da Fórmula 1. Legge, por sua vez, terá Sato ao seu lado na Amlin Aguri - em 2005, ela foi piloto de testes da Minardi.

ATRAÇÃO

A temporada da Fórmula E vai durar pouco menos de dez meses, entre 13 de setembro de 2014 e 27 de junho de 2015. No total, nove provas têm cidade definidas, todas em circuitos de rua: Malásia (Putrajay), Uruguai (Punta del Este), Argentina (Buenos Aires),  Estados Unidos (Miami e Long Beach), Mônaco (Monte Carlo), Alemanha (Berlim) e Reino Unido (Londres). O local da quinta etapa, que ocorrerá em fevereiro, ainda não foi divulgado.

Segundo Nelsinho, o formato é perfeito para atrair novos fãs. "É legal porque vamos correr em grandes capitais que nunca tiveram corrida. Será no centro da cidade, em um formato que a Fórmula E pode ter: sem barulho, em um só dia de evento, em pistas não muito grandes." 

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Para Nelsinho, Fórmula E irá atrair novos fãs de automobilismo

Ex-piloto da Fórmula 1 entre 2008 e 2009 vê dificuldade na Fórmula E, mas acredita no desenvolvimento das equipes e das montadoras

Entrevista com

Nelsinho Piquet

Ciro Campos e Diego Salgado, O Estado do S. Paulo

12 Setembro 2014 | 07h00

Nelsinho Piquet será um dos grandes nomes da primeira temporada da Fórmula E. O piloto, que também disputa a Nascar e Global Rallycross Championship (GRC),  enxerga a nova categoria do automobilismo como uma oportunidade da nova geração acompanhar as corridas. Em entrevista ao Estado, o ex-piloto da Fórmula 1  (Renault - 2008 e 2009) afirma que aceitou o desafio de correr pela Fórmula E nos últimos dias, após três testes.

O piloto, que se diz "viciado" em corridas, vê o fato como uma chance de correr durante todos os meses do ano. Além disso, Nelsinho minimizou as dificuldades da categoria, como o silêncio do  motor e a necessidade de troca do carro por causa da bateria, que dura apenas 25 minutos. " É um pouco difícil, mas com o desenvolvimento das equipes e das  montadoras isso vai melhorar todo o ano", disse.

Como surgiu a oportunidade pra você correr nessa nova categoria do automobilismo?

Eu conversei com várias equipes desde o início, mas não acertei o contrato. Cheguei a um acordo na última hora. Eu tinha até desistido quando recebi mais uma  ligação. Me chamaram para fazer um treino e gostaram. O contrato foi fechado depois do terceiro treino. Meu calendário estava aberto. O Rallycross não tem  tantas corridas e não estou fazendo a Nascar em tempo integral esse ano. Então tive a oportunidade de correr em outra categoria.

O que espera da Fórmula-E?

Pode ser uma nova era para o automobilismo. Um dia isso tinha de começar. Hoje há diversas montadoras com carros 100% elétricos à venda. Começou com os  híbridos. Um dia os carros de corrida teriam essa categoria. Era uma questão de juntar um projeto, ideias, investidores e um bom administrador. Deu certo.

Quais as principais diferenças do carro?

Do ponto de vista do espectador, há bastante diferença. O fã que está acostumado aos carros barulhentos, como os da Fórmula 1 e da Nascar, vai estranhar um  pouco. Mas com certeza a geração nova vai se adaptar muito mais fácil a esse tipo de corrida. Eu acho que vai atrair essa geração nova que está ligada à  tecnologia. Do lado do piloto, será estranho nas primeiras voltas, mas acostuma-se. É apenas um carro que não faz barulho.

Qual a dificuldade em guiar sem o barulho do motor?

Não vou dizer que é mais fácil. Obviamente com o barulho é mais fácil, porque estamos acostumados. É um pouco mais difícil. Por exemplo, quando entramos na curva e a marcha não entra, não dá mais para escutar pelo motor. Tem de dar uma olhada no painel ou ser mais preciso nas trocas de marcha quando diminuir nas  curvas.

E como será mudar de carro durante a prova? Vai ser estranho?

Não é normal ver um piloto saindo de um carro e indo para outro, mas é apenas o início da categoria. Tenho certeza que daqui a cinco anos isso não vai mais  acontecer. O pit stop será apenas para a troca de pneus. Pode ter no futuro um carregador wireless. É o início de tudo. As baterias não aguentam tanto. É um pouco difícil, mas com o desenvolvimento das equipes e das montadoras isso vai melhorar todo o ano, como acontece em todos os carros de corrida. No futuro  não vamos precisar de dois carros. As tecnologias serão criadas. Várias ideias estão surgindo.

A categoria reunirá sobrenomes famosos do automobilismo. O que o torcedor pode esperar?

Grandes nomes foram nossos pais e tios. Herdei o nome dele, mas sou piloto por mim porque sou apaixonado por automobilismo. Do ponto de vista do torcedor  será legal e interessante. Irão rever nomes na pista, desenhos de capacete, as cores e a semelhanças entre nós. Mas quando nós estamos nos carros, não pensamos em nada disso. É um ingrediente a mais, a categoria deve estar gostando disso. São dez campeonatos mundiais de Fórmula 1.

Como será correr apenas em circuitos de rua?

Por mim tanto faz. Cria mais dificuldades para os pilotos, por ser mais técnico e diminuir a margem de erro. Isso separa mais os pilotos bons dos ruins. É  legal porque vamos correr em grandes capitais que nunca tiveram corrida. Será no centro da cidade, em um formato que a Fórmula E pode ter: sem barulho, em um  só dia de evento, em pistas não muito grandes. É mais um ponto que pode atrair um público novo, que poderão acompanhar do quintal da casa deles.

Você voltará a correr na Europa depois de cinco anos. Como será o retorno após cinco temporadas na Nascar?

Acho legal estar novamente em um monoposto. Quero correr o máximo possível. Me viciei em correr. No ano passado fiz quase 40 corridas no ano. Acho o máximo poder correr todo fim de semana. Como não fechei o ano inteiro com a Nascar, será bom que vou continuar nessa rotina. Se eu pudesse correr sempre em três  categorias diferentes... Três tipos de carro, no mundo inteiro. Não tem coisa melhor.

Clique na imagem e saiba mais sobre a nova categoria

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