Momentos de pânico

O prejuízo das equipes em reconstruir os carros envolvidos no acidente mais impressionante das três décadas de existência da Stock Car no Brasil foi grande, mas não causou ferimento em nenhum dos seis pilotos envolvidos, principalmente Felipe Fraga e Thiago Camilo, que foram transportados para o hospital. E, acima de tudo, acabou sendo a grande demonstração na prática do quanto os carros atuais, com várias partes de carbono, são seguros. Para ter ideia da violência na hora do choque, a velocidade do carro de Rafa Matos era 231 km/h. O Thiago tinha uma pane elétrica e trazia o carro lentamente pelo lado direito da pista a 47 km/h. Esses dados são os captados e registrados pelas equipes.

Reginaldo Leme, O Estado de S. Paulo

08 Agosto 2015 | 03h00

Mais forte foi a batida de Felipe Fraga, que vinha colado em Rafa e não teve tempo de desviar do Thiago. Impossível saber com precisão a velocidade de Fraga no momento da batida porque o sistema de telemetria ficou destruído. Estando ligeiramente acima da velocidade do carro da frente, pode se considerar desaceleração repentina de algo entre 190 e 200 km/h. Esta é a velocidade em que Fernando Alonso bateu no guard-rail durante um treino da pré-temporada de F-1 em Barcelona e, por causa disso, foi até impedido de participar na corrida de abertura do Mundial. 

A equipe de resgate foi eficiente ao retirar, com o devido cuidado, Fraga, que estava preso no cockpit, e também com Thiago, que saiu sozinho do carro, mas ficou caído no chão, e os médicos Dino Altmann e Dorival Carlucci Junior tiveram que tomar as mesmas medidas, e o piloto, que levou todas as batidas na traseira, acabou sofrendo um corte no pé. Como explicou o piloto Luciano Burti, os pés são as únicas partes dos pilotos que ficam soltas pela forma como eles são amarrados fortemente pelo cinto de segurança de seis pontos. Além disso, deve se reconhecer que o advento do “hans” (head and neck support), um protetor cervical criado em 2001 depois do acidente fatal de Dale Earnhardt na Nascar, e hoje de uso obrigatório em qualquer categoria de automobilismo. Principalmente no caso de Thiago Camilo, que sofreu o impacto pelas costas, a proteção do hans foi fundamental. Mesmo para quem já está nesse mundo das corridas há mais de 40 anos, os sentimentos despertados por um acidente destas proporções são fortes. A torcida para ver o piloto saindo do carro é grande. 

Antes de terminarem as férias da Fórmula-1, teremos mais uma prova da Stock Car, daqui a oito dias, no autódromo de Goiânia, um dos mais seguros do Brasil. Trata-se de uma etapa especial do campeonato, a “Corrida do Milhão”, coincidentemente vencida duas vezes por Thiago Camilo. Ele correrá normalmente, assim como Felipe Fraga, de 19 anos, um dos mais novos da categoria.

Aproveitando o período de férias que termina na semana de preparação para o GP da Bélgica, a partir de 17 de agosto, Felipe Massa é a grande atração de uma prova de kart, junto com vários pilotos da Stock Car e categorias internacionais de acesso, como Giuliano Raucci, da Fórmula-4. As duplas que dividem o kart nesta competição com duas horas de duração são obrigatoriamente formadas por um piloto profissional e um amador. Massa vai correr em dupla com o irmão Dudu. A competição, chamada de Haute Kart Challenge, está na sua sexta edição, e será realizada a partir das 10h40 no kartódromo da Granja Vianna. 

Para os apaixonados pelo esporte a motor de alto nível, este fim de semana marca a volta do Mundial de MotoGP, que também viveu seu período de férias e domingo abre a segunda parte da temporada em Indianápolis. Somando-se as três categorias (Moto3, Moto2 e MotoGP), serão aproximadamente três horas de classificação no sábado a partir de 13h35 e outras três de corrida no domingo a partir de 12 horas. Ainda nos EUA, a Nascar corre em Watkins Glen, um circuito misto que já foi usado pela F-1 (de 1961 a 1980).

No Brasil, a Fórmula Truck se apresenta no seletivo circuito de Santa Cruz do Sul em uma das temporadas mais equilibradas dos últimos anos. O líder é Felipe Giaffone (197 pontos), seguido por Paulo Salustiano (187), Leandro Totti (172) e Djalma Fogaça (161), os quatro primeiros entre 24 pilotos.


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