Mônaco abre espaço para badalações

Tudo é mesmo diferente em Mônaco. Nesta sexta-feira, por exemplo, é apenas dia de festa. A maior parte das equipes e seus patrocinadores promovem os mais diferentes eventos. Não há atividade na pista, ao menos para a Fórmula 1. Nesta quinta-feira Mika Hakkinen, da McLaren, comprovou o que dissera na véspera - "Não estou fora da luta pelo título" - e estabeleceu o melhor tempo no primeiro dia de treinos do GP de Mônaco, sétima etapa do Mundial.A prova nas ruas do principado é única. "Não diria que os negócios são fechados aqui, mas costurados nos barcos ancorados no porto, nos hotéis da cidade e definidos nos próximos meses." A explicação é do diretor de marketing da Jordan, Mark Gallagher, talvez a equipe com o orçamento que mais cresceu nos últimos anos. The Snapper é o nome do iate de 80 pés de Eddie Jordan, sócio do time, local onde recebe os atuais patrocinadores e futuros investidores.Mas não é só por isso que Mônaco é diferente. Os projetistas mantêm atenção redobrada para suas idéias não serem copiadas, já que tudo se processa num espaço mínimo, a ponto de não existirem boxes. "Minha preocupação é com esse pessoal que usa máquinas fotográficas", dizia nesta quinta-feira Adrian Newey, diretor-técnico da McLaren. Os mecânicos repararam a suspensão traseira da McLaren de David Coulthard, que colidiu contra uma grade, debaixo de um imenso pano preto, criando uma imagem até cômica. "Na F-1 ainda há muito espaço para um copiar o outro, especialmente as idéias." A mesma atenção dos homens de negócios e engenheiros é dedicada à corrida pelo pessoal da segurança de pista e atendimento médico: os riscos de acidentes em Mônaco são absurdamente elevados. Eles próprios estão mais expostos que nunca.Só nesta quinta-feira Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya, a dupla da Williams, além de Tarso Marques, Minardi, e Pedro de la Rosa, Jaguar, bateram com alguma violência nas barreiras de proteção. Dois fiscais que retiravam pedaços da Williams de Ralf não foram atropelados por Jos Verstappen, da Arrows, por um milagre do acaso."Para ser rápido neste circuito deve-se pilotar quase raspando os muros. Numa das voltas passei perto demais e danifiquei meu carro", contou Coulthard, para exemplificar o desafio único que representam os 3.370 metros do traçado monegasco. Até o médico-chefe da F-1, doutor Sid Watkins, não passou imune aos riscos da pista. Ano passado, o carro em que estava colidiu contra um guard-rail na curva da Piscina, quando ele se dirigia para atender um piloto, e o neurologista fraturou uma costela.Tudo isso ganha ainda mais imponência por causa do cenário em que a história do GP de Mônaco, este ano na sua 59ª edição, se desenvolve. O litoral da Côte d´Azur é considerado um dos mais belos do mundo, pelo azul transparente das águas do Mediterrâneo, suas construções milionárias, cassinos, iates, artistas, circulação bancária, ausência de impostos e o glamour que cerca a vida do príncipe Rainier Grimaldi II e sua ex-esposa, Grace Kelly. "Não há melhor lugar no mundo para convidar um patrocinador em potencial na F-1", afirma Mark Gallagher.

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