Mônaco: Schumacher prevê dificuldades

Se o GP da Espanha foi bastante difícil para a equipe Ferrari, a corrida de domingo, em Mônaco, sexta da temporada, pode não ser diferente. As três últimas edições da prova foram vencidas por pilotos de equipes da Michelin: Jarno Trulli, da Renault, ano passado, Juan Pablo Montoya, Williams, em 2003, e David Coulthard, McLaren, em 2002.O maior problema de Michael Schumacher e Rubens Barrichello, este ano, tem sido os pneus. A Bridgestone está perdendo a disputa com a Michelin. Schumacher quase que já assumiu que ganhar no Principado não será nada fácil. "Desistir da luta está fora de questão", afirmou. "Fórmula 1 é esporte e no esporte todos os resultados são possíveis", afirmou o alemão. Para poder se inserir dentre os que vão brigar pelo primeiro lugar, Schumacher e Rubinho têm de largar nas primeiras filas do grid.E, para isso, seus pneus devem lhes permitir boa velocidade na volta de classificação das duas sessões, sábado à tarde e domingo pela manhã. Não é isso que tem acontecido este ano. Os pneus Bridgestone da Ferrari não apresentam o mesmo grau de aderência proporcionado pelos Michelin. A não ser que os japoneses tenham desenvolvido novos pneus entre a etapa de Barcelona e a de domingo, sempre possível, a dupla de pilotos da Ferrari deve sofrer de novo. Há um caso que pode servir de exemplo para a Bridgestone. Em 2002, a Ferrari tinha um carro muito superior a todos os demais. Schumacher e Rubinho venceram quase tudo.Na corrida de Mônaco daquele ano, porém, a Michelin distribuiu a seus times um pneu extremamente macio, capaz de dar a Juan Pablo Montoya, da Williams, e David Coulthard, McLaren, a primeira fila no grid, para surpresa de muitos em razão da hegemonia da Ferrari até então. Os pneus da Michelin, em 2002, foram excepcionais na classificação, mas durante a prova eram cerca de dois segundos mais lentos que os da Bridgestone.Mas como se o piloto que está na frente desejar quem está atrás não passa no circuito de rua do Principado, Coulthard acabou vencendo, mesmo com Schumacher o acompanhando de perto o tempo todo, bem mais rápido. Não seria de se estranhar se, domingo, a Bridgestone utilizar-se da mesma receita já usada pela concorrente em condições extremas como a experimentada por ela. Dar a Schumacher e Rubinho um pneu que contrarie todas as previsões, por lhes dar a chance de se classificarem na frente, e depois repassar à dupla do time italiano a responsabilidade de manter os concorrentes atrás.A estratégia de apenas um pit stop deverá ser a mais freqüente ao longo do GP de Mônaco. Ainda sob os efeitos da desastrosa performance da Bridgestone no Circuito da Catalunha, Rubinho comentou: "Em Montecarlo temos de dispor de um pneu melhor para a classificação se desejarmos lutar pela vitória". A pressão até do presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, sobre a direção da Bridgestone é enorme. A reação dos japoneses às criticas de Montezemolo é mais uma atração do GP de Mônaco.

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