Montezemolo: a culpa é da Bridgestone

Acabou a lua-de-mel entre a Ferrari e a Bridgestone, que tantas notáveis conquistas gerou. O presidente da equipe e da Fiat, proprietária da Ferrari, Luca di Montezemolo, afirmou em alto e bom som, como nunca havia ocorrido ainda, em entrevista publicada hoje pelo diário italiano La Repubblica: "Estou preocupado porque vejo, depois de cinco corridas, que dispomos de um carro bastante competitivo, mas ao mesmo tempo temos um grande problema com os pneus." Domingo, no GP da Espanha, a Ferrari pareceu, de novo, um time pequeno. Em nenhum instante, na classificação ou mesmo na corrida, esteve entre os mais rápidos. Ano passado, Michael Schumacher monopolizou as vitórias nas cinco primeiras etapas. Quando a Fórmula 1 se apresentou para a prova de Mônaco, como agora, dia 22, o piloto alemão da Ferrari tinha 50 pontos, decorrentes de ser primeiro na Austrália, Malásia, Bahrein, San Marino e Espanha. Uma única temporada depois, tudo o que ele conseguiu foi apenas um sétimo e um segundo lugar, 10 pontos, cinco vezes menos que em 2004. Para o presidente da Ferrari, não há dúvida, a culpa é dos pneus. "A Bridgestone trabalhou muito bem nos campeonatos passados e sei também que estão investindo para valer, mas este é, com toda certeza, a nossa dificuldade número um e também o que mais me preocupa." A série impressionante de conquistas da Ferrari, campeã entre os construtores desde 1999, e com Michael Schumacher desde 2000, um dia seria quebrada, disse Montezemolo. "Mais cedo ou mais tarde aconteceria, faz parte do esporte, da vida. Teremos ainda mais satisfação quando retornarmos a vencer", declarou ao La Repubblica. O assunto do momento na Fórmula 1 é a queda de desempenho da Ferrari em razão de a Bridgestone estar com problemas para produzir pneus eficientes para o novo regulamento. Seu diretor para a área de desenvolvimento, Hirohide Hamashima, atribuiu o fracasso da marca japonesa no Mundial à falta de treinamento. "Dizem que a Ferrari treina mais do que qualquer outra equipe, mas nos testes de inverno a marca concorrente (Michelin) pôde contar com vários times de ponta para seus experimentos, esse é o motivo de eles melhorarem rapidamente." A Bridgestone fornece pneus para a Ferrari, Jordan e Minardi, mas estas últimas quase nunca realizam testes particulares, o que faz da Ferrari a única escuderia que desenvolve seus pneus. Já a Michelin conta com Renault, McLaren, Toyota, BAR, Williams, Red Bull e Sauber. Juntas já realizaram quatro vezes mais quilômetros em testes de pneus que a Ferrari com a Bridgestone. Esta é também uma das razões de a Ferrari não concordar com a restrição no número de dias de treinos privados, proposto por seus concorrentes. Os italianos sugerem que a limitação seja em quilômetros e não dias. Como o regulamento dos pneus mudou radicalmente de 2004 para este ano, a Michelin acabou beneficiada por ter mais equipes. A partir desta terça-feira, os dez times da Fórmula 1 iniciam sua preparação para o GP de Mônaco. BAR - Suspensa das etapas da Espanha e de Mônaco, além de perder os 10 pontos conquistados no GP de San Marino, a organização anglo-nipônica está, agora, acusando outros times. Ron Meadows, seu diretor, declarou hoje que três outras escuderias tinham tanques de combustível semelhantes ao seu. Uma carta seria entregue à FIA quando se falava já em irregularidades em seus carros, mas a não punição na prova de Ímola, em princípio, levou Meadows a não enviá-la. "Esses carros também ainda teriam combustível depois de pesados." O dirigentes não quis apontas as três equipes.

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