Montezemolo descarta Perez na Ferrari em 2013; Massa ganha sobrevida

Montezemolo descarta Perez na Ferrari em 2013; Massa ganha sobrevida

Presidente da Ferrari disse que piloto mexicano é muito novo para assumir lugar de brasileiro

Livio Oricchio, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2012 | 18h33

NICE - Depois do excelente desempenho no GP da Itália, domingo, na casa da Ferrari, Monza, cresceram os comentários de que Sergio Perez, da Sauber, poderá substituir Felipe Massa na equipe italiana no ano que vem. O mexicano largou em 12.º, ousou na estratégia dos pneus Pirelli, primeiro usou os duros e depois os moles, e terminou a corrida em brilhante segundo lugar. Mas ontem o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, jogou um balde de água fria nas suas pretensões: "Colocar um rapaz bem jovem na Ferrari, com a pressão da Ferrari... É preciso mais experiência. Na próxima temporada ainda é muito cedo".

A não ser que as coisas mudem radicalmente, e na Fórmula 1 não é impossível, Perez não faz parte da lista de candidatos à vaga de Massa caso este não tenha o contrato renovado. Stefano Domenicali, diretor da Ferrari, deu um prazo até os GPs do Japão, dia 7, e da Coreia do Sul, 14 de outubro, para Massa demonstrar ser ainda capaz de somar bons pontos regularmente, como fez nas duas últimas provas. Na Bélgica ficou em quinto, o que garantiu à Ferrari 10 pontos, e na Itália, quarto, mais 12. Foi a primeira vez no ano que obteve dois resultados importantes seguidos.

Mas a declaração de Montezemolo, curiosamente, não se estende a outros pilotos jovens e também na lista que todos na Fórmula 1 comentam como eventuais companheiros de Fernando Alonso em 2013. Quem informa é o assessor de imprensa da Ferrari, Luca Colajanni. "Fizeram uma pergunta sobre Perez ao nosso presidente e a resposta foi específica para ele", afirmou ao Estado. Pode-se, depreender, portanto, que outros pilotos jovens não estão descartados.

Não é de hoje que circulam pelo paddock dos autódromos os nomes de Nico Hulkenberg, alemão, 25 anos, 32 GPs de experiência, e de Paul Di Resta, escocês, 26 anos, também com presença em 32 provas de Fórmula 1. Os dois são pilotos da Force India. Em termos de experiência, os dois se equivalem a Perez, que já largou 30 vezes. O mexicano, no entanto, é um pouco mais jovem, 22 anos. Até mesmo Kimi Raikkonen, da Lotus, 32 anos, acabou citado e, sabe-se, a direção da Ferrari conversou com ele.

Ocorre que Paul Di Resta é piloto do quadro da Mercedes. A montadora alemã o vem formando há anos. E se Michael Schumacher parar de correr este ano, não renovar com a Mercedes, como a cada dia, agora, se fala mais e mais, Di Resta deve assumir o carro do alemão. Não faz sentido se acreditar que a Mercedes o cederia a um concorrente direto, a Ferrari. Já Hulkenberg não tem vínculo com ninguém e pode, mesmo, ser a opção dos italianos. Sobre Raikkonen, uma fonte próxima disse ao Estado, na Bélgica: "Esqueçam, ele não voltará para a Ferrari. Está muito bem na Lotus".

Para essa história prosseguir é preciso, primeiro, Montezemolo e Domenicali decidirem o futuro de Massa que, em nenhum instante, foi completamente descartado. Depois da etapa de Hockenheim, onde bateu na traseira de Daniel Ricciardo, da Toro Rosso, na largada, e não marcou pontos, diante de espetacular vitória de Alonso, seu parceiro, Massa parecia ser carta fora do baralho na Ferrari. Mas nas últimas três corridas mostrou consistência, marcou pontos em todas e é, essencialmente, o que Domenicali deseja dele.

Se Massa não permanecer na Ferrari, e a lista de candidatos a sua vaga se limitar aos nomes comentados dentro da própria Fórmula 1, o fato de Montezemolo ter descartado Perez restinge a competição a Hulkenberg, Di Resta e Raikkonen. E como Di Resta está comprometido com a Mercedes e Raikkonen, Lotus, sobra apenas o alemão da Force India, Hulkenberg. Na Fórmula 1, contudo, nem sempre o raciocínio lógico leva a conclusões verdadeiras.

O mais interessante em todos esses rumores, com boa dose de procedência, é que Perez é piloto da academia da Ferrari. Os italianos investem na sua formação técnica e até ajudaram a viabilizar sua presença nas categorias de base. Este ano já subiu no pódio três vezes: segundo na Malásia, terceiro no Canadá e segundo na Itália. No caso de o mexicano talentoso ser preterido por outro jovem com experiência semelhante, como é o caso de Hulkenberg e Di Resta, Montezemolo dará um voto de descrédito ao programa da sua academia.

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