Montoya confiante na conquista do título

Michael Schumacher, da Ferrari, 71 pontos, Juan Pablo Montoya, Williams, 65, e Kimi Raikkonen, McLaren, 62. Com muita probabilidade, um dos três será o campeão do mundo e, a julgar pelo resultado impressionante deste domingo no GP da Alemanha, o favorito não é mais Michael Schumacher, da Ferrari, apenas sétimo, mas Montoya. O conjunto Williams-BMW-Michelin humilhou seus concorrentes em Hockenheim, sob 34 graus de temperatura, 56 no asfalto. Por muito pouco todos não levaram uma volta de vantagem. "Esse resultado veio numa grande hora", disse o colombiano. Restam apenas quatro etapas para o encerramento da temporada. Talvez nem o maior entendido dos profissionais da Fórmula 1 poderia imaginar que a Williams e seus parceiros técnicos não só reverteriam o avanço da Ferrari, superevidenciado ano passado, como lhe imporia uma supremacia ainda maior da que submeteu a todos. É o que está acontecendo no campeonato. Michael Schumacher teve um pneu furado na 63ª volta de um total de 67, quando era o segundo colocado. Mas se nada de anormal lhe tivesse ocorrido, o alemão teria cruzado a linha de chegada cerca de um minuto e cinco segundos depois de Montoya, como aconteceu com David Coulthard, da McLaren, segundo classificado. A melhor volta da prova, 12ª do Mundial, ficou, claro, com o colombiano, 1min14s917, na 14ª passagem. Mais uns dez segundos, cinco voltas, e a Ferrari ficaria uma volta atrás da Williams. "A Williams e a Michelin mostraram-se supercompetitivas em todos os tipos de traçado, por isso penso que na Hungria, Itália, Estados Unidos e Japão lutaremos pela vitória", afirmou Montoya. É mesmo verdade. Ele e Ralf ganharam com sobras em Mônaco, Nurburgring, Magny-Cours e neste domingo. Por essa razão a lógica sugere que a partir de agora, surpreendentemente, as chances maiores de vencer o Mundial são suas. "Não quero nem pensar nisso. Se conseguir somar bom número de pontos daqui para frente terei boas possibilidades." Um dos fatores-chave do sucesso de Montoya neste domingo foram os pneus Michelin, que sob um calor semelhante ao da Malásia fez seus pilotos voarem. Depois de Montoya e Coulthard, receberam a bandeirada Jarno Trulli, da Renault, terceiro, e Fernando Alonso, quarto, ambos da Renault, Olivier Panis, quinto, e Cristiano da Matta, sexto, os dois da Toyota, time em franca evolução. Todos com Michelin. O primeiro representante da Bridgestone é Michael Schumacher, sétimo. "Se não tivesse acontecido o acidente da largada a Williams faria nova dobradinha", disse Montoya. Seu companheiro, Ralf Schumacher, causou além da sua própria eliminação, a de Rubens Barrichello, Ferrari, e Kimi Raikkonen, McLaren, roubando um pouco as emoções do GP. Kimi tentou ultrapassar Rubinho por fora, antes da primeira curva, para assumir o terceiro lugar. Mas Ralf, vendo que poderia perder a segunda posição para ambos, deslocou o carro para a esquerda, tocando a roda traseira esquerda na dianteira direita da Ferrari que, por sua vez, encostou na traseira direita da McLaren. Raikkonen teve de ser atendido no centro médico, por ter ferido a perna esquerda. Nada de grave foi constatado. "Estava apenas defendendo minha posição e não fiz nenhuma manobra brusca. Ambos tiveram todo o tempo do mundo para compreender o que eu estava fazendo", defendeu-se Ralf. Não foi o que os comissários viram. Por tido sido considerado culpado pelo acidente, o alemão da Williams irá perder dez posições no grid do GP da Hungria, próxima etapa do campeonato, dia 24. Frank Williams apelou da decisão. Curiosamente, em outras ocasiões, onde sua culpa ficou bem mais clara, Ralf não foi punido, enquanto em Hockenheim o ocorrido bem poderia ser qualificado como "acidente de corrida", como gosta a FIA. "Não dá para ficar imaginando o que as pessoas atrás de você estão fazendo na pista", argumentou Ralf. Os pilotos vão aproveitar a semana extra de paralisação do campeonato para um período de miniférias. Que seja assim, porque depois o campeonato pegará fogo!

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