Montoya esnoba irmãos Schumacher

O colombiano Juan Pablo Montoya, da Williams, não perdeu a oportunidade de esnobar os dois irmãos Schumacher, Michael e Ralf, seus desafetos, neste sábado, depois de estabelecer a pole position para o GP da Bélgica, no circuito de Spa-Francorchamps: "Estou supercontente, é um resultado brilhante. Olhe só a diferença do meu tempo para os outros." Montoya, com pneus para pista seca, fez 1min52s072, enquanto Ralf, seu companheiro, segundo no grid, 1min52s959. Michael, da Ferrari, terceiro, não foi além de 1min54s685, nada menos de 2 segundos e 613 milésimos mais lento. Foi uma sessão típica das disputadas no longo e seletivo traçado belga de 6.968 metros. O treino começou com chuva, mas depois o asfalto foi secando até se formar uma trilha. Vários pilotos arriscaram usar os pneus para pista seca e, também por esse motivo, os tempos foram tão discrepantes. O décimo colocado, por exemplo, Pedro de la Rosa, da Jaguar, ficou a 6 segundos e 447 milésimos de Montoya. "Meu carro estava fantástico. Se amanhã (domingo) não chover, temos todas as chances de vencer aqui", falou o colombiano. O fato de o primeiro, o segundo e o quarto colocados, Heinz-Harald Frentzen, da Prost, utilizarem pneus Michelin levantou a suspeita de que o teste realizado pela marca francesa em Spa, há algumas semanas, com a Toyota, lhe favoreceu bastante. Sexta-feira Montoya bateu forte quando chovia no circuito, na sessão da tarde, e treinou menos que os seus adversários. Neste sábado, as duas sessões da manhã, de 45 minutos cada, foram substituídas por uma única, de 40 minutos. Motivo: existia tanta neblina sobre o autódromo que não havia condições de os helicópteros decolarem. Por razões de segurança a direção de prova não permitiu o treino. Se algum piloto se ferisse não haveria como transportá-lo a um hospital. Apesar disso tudo o colombiano voou na pista na definição do grid. "Ter treinado pouco não comprometeu o ajuste de meu carro. Conheço bem Spa e adoro correr aqui." Foi a segunda pole position de Montoya, sendo que a outra também a obteve no "circuito de casa" de Ralf, em Hockenheim. Os dois irmãos Schumacher consideram Spa como o seu segundo "Home GP." Se Ralf acha que Montoya irá trabalhar para ele terminar em segundo o Mundial de Pilotos, está enganado. O próprio colombiano o avisou, tendo-o ao lado: "A Williams luta para ser vice entre os construtores. Portanto não faz diferença, no número de pontos somados, se eu for primeiro e ele segundo." Já a tão proclamada ajuda de Michael Schumacher a Rubens Barrichello, para terminar em segundo, talvez não possa ser prestada. Rubinho obteve apenas a quinta colocação. "Usei pneus intermediários, enquanto a opção para piso seco seria a melhor", explicou o brasileiro da Ferrari, que atribuiu à maior eficiência dos pneus Michelin a enorme vantagem da Williams e de Frentzen, quarto no grid. Michael dispunha de dois carros. Um com acerto para molhado, assoalho mais alto, suspensões mais moles e maior incidência das asas, e outro para pista seca. "Não estou desapontado com o terceiro tempo. Saí dos boxes no momento certo, com o modelo para seco, e sou o primeiro com pneus Bridgestone." Sua declaração vai ao encontro da de Rubinho, sobre a maior eficiência dos Michelin em Spa. "A previsão da nossa equipe é de corrida com asfalto seco. Vi hoje que teríamos problemas se fosse uma condição de seco para molhado."

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