Montoya está confiante. Como sempre

"Agora sei como tirar mais do meu carro. Nosso conjunto chassi-motor-pneu é ainda mais eficiente que no ano passado. Portanto, teoricamente, estaremos ainda mais bem preparados para vencer aqui em Interlagos." A previsão é de Juan Pablo Montoya, da Williams, vice-líder do Mundial, com 12 pontos, e sobre quem recaem as maiores esperanças da torcida para, junto com Michael Schumacher, oferecer um novo show, como aconteceu no GP Brasil de 2001. "Não estou preocupado com o novo carro da Ferrari. O lançamento dele estava previsto para a próxima corrida, mas foi no entanto antecipado", afirmou o colombiano, para dizer que o fantástico desempenho da Williams na Malásia apressou a estréia do modelo 2002 da escuderia italiana. Há muitos anos a Fórmula 1 não assistia a tamanha identificação dos torcedores com um piloto como está acontecendo com Montoya. O estilo agressivo de pilotar pode ter origem no seu ídolo, Ayrton Senna. "Ele era o mais rápido, possuía uma vontade indomável de vencer, ser o melhor, e nunca, nunca desistia." Apesar de Montoya estar há pouco mais de um ano na F1, os traços de identificação no seu estilo com o de Senna são grandes. O colombiano de 26 anos já é ídolo de muita gente no Japão, no Brasil, na Alemanha de Michael Schumacher e, claro, na Colômbia. Nesta sexta-feira, no primeiro treino livre do 31º GP do Brasil, das 11 horas ao meio-dia, será essa mesma gana de chegar em primeiro, nem que seja para assumir elevados riscos, que Montoya levará consigo para dentro do cockpit da Williams. "O que eu aprendi depois de um ano na Fórmula 1? Muita coisa, mas talvez o mais difícil seja o preparo necessário para todas nossas obrigações quando não estou pilotando", revelou ele. A formação psicológica para atender profissionalmente todos os compromissos representa um desafio maior que a habilidade necessária para pilotar, avaliou Montoya. "O mais fácil na Fórmula 1 é ser piloto." Dentre as responsabilidades que um personagem público mundial tem é a preservação da sua imagem, em especial com os jovens, que os têm como ídolos. "É complicado, não há como fazer com que todos se satisfaçam com você. Mas digo que os mais jovens são os que mais compreendem que não é toda hora que você está disponível." Na Colômbia, essa questão da falta de privacidade é grave. "Adoro aquela gente, acompanho o drama de meu país (vive uma guerra civil), mas não posso ir lá mais de duas ou três vezes por ano." Ele conta uma experiência: "Eu me dirigia a um restaurante, em Cartagena, quando fui interpelado por um cidadão que não compreendeu por que não lhe dei atenção e ele me perguntou por qual razão então eu era famoso?" A resposta foi dura: "Corro na Fórmula 1 porque essa é a minha grande paixão, vencer corridas, não para sair em fotos." O título mundial é seu objetivo, mas Montoya conta não estabelecer planos para conquistá-lo. Depois de suas etapas realizadas, este ano, ele está a dois pontos do líder Michael Schumacher, que tem 14. "Aprendi a não pensar em B quando se está em A. Devo tirar o máximo de A para atingir B." O colombiano já obteve duas segundas colocações, em duas provas, enquanto em 2001 apenas na Espanha, das oito primeiras provas, marcou pontos. "Começamos bem melhor esta temporada. Eu compreendo melhor a Fórmula 1 como um todo." No campo técnico, Montoya é hoje um piloto mais rápido e comete menos erros que no início. "Aprendi como tornar o carro mais previsível nas suas reações, em especial nas curvas de alta, que foi a maior dificuldade na minha transferência da Fórmula Indy para a Fórmula 1." O diretor-técnico da Williams, Patrick Head, chegou a citar o colombiano como exemplo para Ralf Schumacher, seu companheiro de equipe e que é bem menos dedicado nas reuniões com os engenheiros. As relações com Ralf Schumacher parecem menos tensas do que em 2001, assim como com o próprio Michael Schumacher. "Com Ralf eu falo de acerto de carro, de qual seria o melhor pneu para nós, conversas profissionais." Até a delicada questão da diferença de salário entre Ralf e ele não ficou sem resposta. Ralf recebe cerca de US$ 12 milhões por ano, diante de apenas US$ 3 de Montoya. "Estou contente com o que eu ganho. Ele recebe mais porque está há seis anos na Fórmula 1 e provavelmente a sua experiência vale mais." Michael Schumacher defendeu Montoya na corrida da Malásia, depois de ele ter sido punido com um ?drive trough?, passar lentamente pela área de box, em razão do acidente entre ambos. No ano passado, eles chegaram a trocar acusações ao fim do GP da Áustria. "Eu e Michael conversamos em Sepang, depois da entrevista coletiva", confirmou o piloto da Williams, ratificando a distensão na relação. Os dois, muitos imaginam na Fórmula 1, são os maiores candidatos ao título. Talvez o melhor amigo de Montoya na categoria seja Rubens Barrichello. "É a pessoa mais próxima que tenho na Fórmula 1. Conversamos bastante, mas pouco sobre automobilismo." Um outro brasileiro já chamou a atenção do piloto da Williams: Felipe Massa. "Ele tem realmente talento, é veloz, mas precisará de tempo para demonstrá-lo mais. Felipe precisa trabalhar bastante a cabeça."

Agencia Estado,

27 Março 2002 | 18h02

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.