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Morte da ex-piloto Maria de Villota choca a F-1

A piloto havia sofrido um sério acidente no dia 5 de julho do ano passado num teste aerodinâmico

Livio Oricchio, Enviado especial - O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2013 | 08h12

SUZUKA - A sessão livre da tarde estava prestes a terminar quando surgiu no paddock a informação de que Maria de Villota, ex-pilota de testes da Marussia, além de ter disputado provas de turismo, havia falecido. A simpática espanhola de 33 anos era muito querida na Fórmula 1, apesar da pouco convivência. Fernando Alonso, também espanhol, saiu do cockpit da Ferrari, foi informado pela assessora da equipe e se dirigiu para a entrevista com as TVs. Emissoras da Itália, Espanha e Inglaterra têm direito a duas perguntas cada. "Não sei o que dizer, acabei de tirar o capacete e me disseram. Me parece que nem está confirmado, não?".

Ao lhe dizerem que era verdade, comentou, consternado: "O que temos de fazer é rezar, por ela, sua família e pelo automobilismo, era muito amada por todos nós". Maria de Villota havia sofrido um sério acidente no dia 5 de julho do ano passado num teste aerodinâmico, realizado apenas em linha reta, na pista do aeroporto de Duxford, na Inglaterra. Ela completou a reta, freou forte, reduziu a velocidade e, de repente, o carro da Marussia ganhou velocidade, enquanto fazia a curva para percorrer a pista no sentido contrário, e entrou embaixo do caminhão da equipe. A pilota atingiu com o capacete a ponta da base elevatória traseira, causando-lhe lesões cranianas e a perda da vista direita.

Meses mais tarde, concedeu concorrida entrevista coletiva, onde se apresentou com um elegante tapa-olho. Resplandecia de felicidade por "apenas" ter perdido a visão de uma vista, diante da possibilidade grave de ter sofrido "sequelas neurológicas". A ex-pilota estava hospedada num hotel, em Sevilha. As causas da morte não estão claras. A familia escreveu no Facebook que agradecia a Deus pelo ano e meio extra que a ofereceu (depois do acidente). Até o início da noite deste sexta-feira no Japão não havia uma informação oficial.

O piloto de testes da Ferrari, o também espanhol Marc Gene, presente em Suzuka, comentou com os jornalistas: "É um choque". Os dois foram parceiros na Copa Maserati. "Há uma semana Maria me ligou para agradecer o prefácio que redigi para o seu livro. Estava otimista quanto ao futuro." A razão de Maria de Villota estar em Sevilha era exatamente essa, participar do lançamento do seu livro, "A vida é um presente". Gene disse que a ex-piloto não gostava de ser tratada como mulher-pilota, mas apenas como uma pilota, independente de ser mulher. "Maria superou com altivez o drama do acidente e gostava de compartilhar com os outros como conseguia aceitar a perda de um olho." No último GP da Espanha, em maio, em Barcelona, Maria de Villota apareceu na tradicional reunião dos pilotos com a direção de prova, às sextas-feiras nos fins de semana de GP e foi, segundo contou Gene, aplaudida por todos.

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