Muda tudo na Fórmula 1 para 2008

O presidente da FIA, o inglês Max Mosley, foi proprietário da equipe March de 1970 a 1976. E acredita que aquele foi o melhor período da história da Fórmula 1. Por isso, por que não regressar no tempo e tentar resgatar essa época? É o que se pode concluir do pacotão anunciado nesta quinta-feira pela FIA. Os regulamentos técnico e esportivo sugeridos pela entidade para 2008 representam uma nítida e, num certo sentido, perigosa volta ao passado. Por exemplo: os pilotos teriam de trocar novamente as marchas através da alavanca de câmbio e usar a embreagem no pé.Com certeza muitas das medidas propostas por Mosley não serão sequer consideradas pela maioria das equipes, hoje pertencentes a algumas das principais montadoras de automóveis do mundo. Seria um desastre para o marketing da Fórmula 1 adotar regras que fariam com que seus carros ficassem décadas para trás em termos de tecnologia se comparados aos modelos que essas mesmas montadoras produzem em série. Mas há pontos no amplo pacote de Mosley que serão incorporados, sem dúvida.As alterações visam a, conforme traz o comunicado da FIA, aumentar a segurança, conter a performance, os custos, oferecer maior justiça aos participantes e manter as montadoras estimuladas a permanecer na competição. Esta última um contra-senso se colocada diante das severas restrições tecnológicas. Além da proibição do câmbio semi-automático, acionado através de duas pequenas alavancas atrás do volante, e da embreagem automática, Mosley quer a volta dos pneus lisos, sem sulcos e mais largos. Deverá ser aprovada. Mais: um único fornecedor de pneus para a Fórmula 1, quase imprescindível para a sua saúde financeira, dentre outras vantagens.A temporada de 2008 será a primeira depois do fim do atual Acordo da Concórdia. Um novo conjunto de regras irá gerir as relações entre equipes, FIA e Formula One Management (FOM), a empresa que cuida do dinheiro arrecadado pela Fórmula 1. O regulamento de 2008 deverá ser definido até setembro, conforme diz o Acordo da Concórdia em curso.Mosley quer mais: central eletrônica única de controle do motor, produzida por uma empresa contratada pela FIA. Seria a mesma para todos, a fim de evitar falcatruas na eletrônica, como fez a Benetton em 1994, que possuía o controle de tração, apesar de proibido. Essa central eletrônica permitiria controlar, da mesma forma, o número de quilômetros de testes por equipe por ano, limitados em 30 mil quilômetros. Agora é de 48 mil. O sistema de freios também seria padrão, distribuído pela FIA.Os carros seriam mais largos e todos os apêndices aerodinâmicos visíveis hoje, como defletores, por vezes estranhos, e pequenas asas, seriam proibidos. Um aspecto importante do anunciado por Mosley é que a entidade passará a verificar o peso mínimo do chassi. Não haverá apenas um peso mínimo, como atualmente, em que as escuderias gastam milhões para confeccionar um carro abaixo do mínimo de 600 quilos, com o piloto, com o objetivo de usar lastro, discos de chumbo distribuídos de acordo com sua conveniência circuito a circuito.Mais: será permitido o comércio de carros inteiros ou parte deles. Assim, se a Minardi achar mais interessante, compra o carro da Ferrari do ano anterior em vez de fabricar o seu, como se impõe agora. Os representantes dos times têm até o fim de agosto para estudar, emendar, discordar, inovar no pacotão do presidente da FIA. Uma coisa é certa: por mais que muitos condenem as medidas, muitas serão adotadas e a Fórmula 1, num futuro próximo, será bem distinta. Nesta quinta os dirigentes evitaram comentários. "Preciso ler melhor o que deseja Mosley", falou Flavio Briatore, da Renault.

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