Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Mudança de regulamento na Fórmula 1 vira polêmica entre equipes

Possível alteração para deixar categoria mais equilibrada divide opiniões durante o GP do Brasil, em Interlagos

Ciro Campos e Felipe Rosa Mendes, O Estado de S. Paulo

11 Novembro 2017 | 07h00

O GP do Brasil é realizado neste fim de semana em Interlagos em meio ao início de uma batalha nos bastidores. Dias atrás os novos donos da Fórmula 1, o grupo Liberty Media, apresentaram aos chefes das equipes as propostas para a mudança no regulamento a partir de 2021. O conteúdo desagradou as principais escuderias e virou tema das conversas entre os pilotos no paddock.

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O campeão mundial Lewis Hamilton, da Mercedes, se posicionou sobre o assunto. "Seria interessante se chamasse os pilotos para participarem desse debate. Afinal, como podem mudar o desenho dos carros, nós poderíamos ser ouvidos. Ou quem sabe seria bom ter algum representante nosso nessa discussão", afirmou o inglês.

O Liberty Media adquiriu a Fórmula 1 no fim do ano passado. Os empresários americanos estão de olho na próxima janela de mudança do regulamento. Como o atual acordo, chamado de Pacto de Concórdia, vai até 2020, os proprietários têm articulado alterações principalmente na gestão do dinheiro, com o foco em ter uma categoria menos desequilibrada.

As primeiras conversas deixaram a Ferrari descontente. O presidente da escuderia, Sérgio Marchionne, ameaçou deixar a categoria, pois segundo ele, a Liberty queria transformar a Fórmula 1 em uma Nascar. O diretor do grupo americano, Chase Carey, rebateu e disse que na verdade pretende fazer a competição ser vencida não por quem tem mais dinheiro para investir, mas sim por aquele que saber lidar melhor com o orçamento.

A última reunião para debater a mudança foi na terça-feira, com a presença somente das seis principais equipes. Logo depois todos os presentes viajaram ao Brasil, para a disputa do GP, e em Interlagos o assunto tem repercutido. Por ser fim de temporada, as escuderias têm planejado o próximo ano e acrescentado à preocupação a mudança radical de regulamento que virá em 2021.

De olho na alteração estão empresas que atualmente não fornecem motores para a categoria, mas que podem passar a fazer parte. Por enquanto se mostram desfavoráveis ao tema equipes como Mercedes e Ferrari, que além de produzir os próprios motores, cedem unidades motrizes para outras escuderias. 

"O modelo atual de motor, como todos sabem, é muito complicado, não contribui em nada para o espetáculo e é muito caro. Espero que os dirigentes venham com um regulamento que simplifique tudo isso e faça a produção do carro ser mais barata para equipes como a nossa", comentou o chefe da Toro Rosso, Franz Tost.

Para a pior equipe da Fórmula 1 atual, a Sauber, o assunto é visto com opinião diferente à das grandes escuderias. "Para nós, as discussões têm importância diferente. Minha preocupação é ter preço justo e uma competição mais igualitária. Acho que isso vamos conseguir alcançar", disse o chefe do time suíço, Frédéric Vasseur.

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