Mundial de F-1 começa em ritmo de guerra

O 56º Mundial da história da Fórmula 1 começa nesta quinta-feira às 21 horas, horário de Brasília, 11 horas de sexta-feira em Melbourne, Austrália. E a mesma disputa esperada dentro das pistas em função dos resultados surpreendentes da pré-temporada é esperada também nos boxes. Até hoje a equipe Minardi, de propriedade do australiano Paul Stoddart, não sabia se iria disputar a etapa de abertura do campeonato. "Recebi uma ligação de Jean Todt (diretor-geral da Ferrari), às 2h30, na realidade ele me acordou, para dizer que não assinaria o meu pedido para competir com o carro de 2004." Stoddart alega não ter dinheiro para adaptar seu PS04 ao regulamento deste ano e ainda contruir um carro novo. Por isso pediu para todos os chefes de equipes assinarem concordando com sua solicitação de usar o velho, mesmo que fora do regulamento. "Oito concordaram, menos um, a Ferrari. Perguntei a Todt a razão e ouvi que era porque eu apenas tenho criticado a Ferrari nos últimos três meses." O dono da Minardi descartou recorrer à justiça, ao menos durante os dias da prova. "Isso poderia interromper o GP, o que eu não faria. Mas segunda-feira de manhã, se não me permitirem correr, estarei lá", afirmou. Stoddart contou mais: "Todt me disse que não estaria no circuito Albert Park até sexta-feira de manhã. Ocorre que a inspeção dos comissários é amanhã (quinta-feira).? Há outros motivos para essa guerra entre a mais eficiente escuderia da Fórmula 1, a Ferrari, e a de menos recursos, a Minardi. "É claro que se trata de uma revanche de Todt, que hoje está numa luta contra os mesmos times que me apóiam." Luca Colajanni, assessor de Todt, saiu em sua defesa: "Não cabe à Ferrari fiscalizar se um time está acatando o regulamento ou não. Isso é responsabilidade dos comissários, da FIA." Existe uma cisão grave na Fórmula 1. De um lado estão Ferrari, Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, e Max Mosley, presidente da FIA. E do outro, as nove demais equipes, reunidas na Grand Prix World Championship (GPWC). "A cada dia nos unimos mais, a cada situação de desgaste como esta aqui de Melbourne fica clara a necessidade de realizarmos o nosso próprio campeonato. Quero ver como será o Mundial de Ecclestone e Mosley, só com a Ferrari como escuderia?", falou Stoddart. A saída do australiano será, como explicou, pedir mais 24 horas para os comissários inspecionarem os carros da Minardi, não participar dos treinos que começam amanhã à noite no horário de Brasília, e esperar Todt desembarcar em Melbourne. "Podemos até adaptar grosseiramente nossos carros, mas não acho que seria seguro, sem nunca termos feito um único teste, com dois pilotos que irão estrear na Fórmula 1 (o holandês Christjan Albers e o austríaco Patrick Friesacher)", argumentou Stoddart.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.