Mundial deixa Ferrari apreensiva

Michael Schumacher, Rubens Barrichello e Jean Todt, diretor-esportivo da Ferrari, já declararam algo semelhante outras vezes e, depois, o que se viu foi Schumacher e a Ferrari dominando a temporada. Mas os três, no encontro com a imprensa encerrado hoje, nos Alpes italianos, deram a entender que, de fato, a Ferrari este ano terá dificuldades bem maiores para se impor como faz no Mundial de Construtores desde 1999 e de Pilotos, 2000. Quinta-feira à noite, Todt afirmou: "As mudanças este ano são profundas, motor, pneu, aerodinâmica, será bem mais complicado para nós." Schumacher lembrou ainda que a Bridgestone, fornecedora de pneus da Ferrari, só tem a própria Ferrari e dois outros times, sem muita expressão, Jordan e Minardi, para desenvolver os novos pneus exigidos pelo regulamento. "Nossos concorrentes têm bem mais equipes", falou. A Michelin conta com a BAR, Williams, McLaren, Renault, Sauber, Jaguar e Toyota. Num momento de alteração dramática do solicitado dos pneus, como este ano, Schumacher acredita que pode ser uma vantagem para os adversários. Os pilotos terão de se classificar e disputar a corrida com apenas um jogo de pneus. Os titulares da Ferrari, Schumacher e Rubinho, mais Luca Badoer e Loris Capirossi, do Mundial de Moto GP, também patrocinado pela Marlboro, participaram, hoje, da tradicional exibição de kart sobre o gelo, num lago congelado, no centro da pequena cidade de Madonna de Campiglio. Cerca de 6 mil pessoas acompanharam o show de rara beleza das ruas que cercam o lago. "Nem quando fui a Monza assistir ao GP da Itália vi Schumacher de tão perto", disse Stefano Casadei, torcedor da Ferrari. "E agora sem ter de pagar nada." A partir de segunda-feira a equipe italiana, junto da maioria das escuderias da Fórmula 1, inicia em Barcelona nova série de treinamentos visando a abertura do campeonato, dia 6 de março na Austrália. Encerraram-se hoje, também, os testes da Williams, McLaren, Toyota e da própria Ferrari em Jerez de la Frontera. A principal atração do ensaio era a disputa entre Antonio Pizzonia e o alemão Nick Heidfeld pela vaga de titular da Williams. O amazonense concentrou-se na simulação de corrida enquanto Heidfeld testou diferentes tipos de pneus. Os tempos de cada um não são comparados diretamente pela Williams. A análise da capacidade de um piloto se faz através de um extenso conjunto de características e não se um ou outro foi um ou dois décimos mais veloz. A condição de cada um, hoje e no primeiro dia do teste, quinta-feira, era distinta. A Williams promete anunciar o escolhido dia 31, em Valência, na apresentação do seu novo carro. Alexander Wurz, com a McLaren de 2004, sem as severas restrições do regulamento deste ano, fez o melhor tempo em Jerez, 1min16s052 (102 voltas). Heidfeld registrou a terceira marca, 1min16s736 (117) e Pizzonia, a quarta, 1min17s070 (125). Já em Valência, Felipe Massa promoveu a estréia da nova Sauber, C24. "Os pilotos terão de reaprender a guiar", afirmou, em razão da falta de aderência provocada pelos novos pneus e as restrições aerodinâmicas.

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