Mundial pode mudar de rumo

A coluna de Livio Oricchio publicada no JT desta segunda-feira

Livio Oricchio, Jornal da Tarde

25 de junho de 2012 | 11h51

Observei, em detalhes, a versão do modelo RB8 da Red Bull que estreou no. Às quintas-feiras os carros ficam em fila indiana na área em frente aos boxes aguardando a vez de entrar no box 1 para a inspeção técnica. É a melhor hora para vê-los de perto. O que constatei foi surpreendente.

Adrian Newey, diretor técnico, concebeu um carro novo, tudo é diferente. Aerofólio dianteiro, assoalho, laterais e defletores foram concebidos para trabalhar em função de criar fluxos de ar que funcionem como um túnel para os gases do escapamento fluírem na direção do difusor, a porção final do assoalho. Até a suspensão traseira é nova. Newey modificou o conjunto mecânico para acomodar o novo conjunto aerodinâmico. As diferenças são bastante relevantes em relação ao modelo utilizado até o GP do Canadá.

Vocês viram o resultado? Numa Fórmula 1 em que as colocações no grid se definem em bem poucos milésimos de segundo, Vettel, na pole position, impôs preocupantes 324 milésimos, ou três décimos, para Lewis Hamilton, da McLaren. E na 24ª volta da corrida, ontem, o alemão tinha 20,8 segundos de vantagem para Romain Grosjean, da Lotus. É quase um segundo por volta. Não havíamos visto nada semelhante este ano.

Vamos, agora, para Silverstone, circuito que tende a favorecer ainda mais a maior geração de pressão aerodinâmica do RB8. É certo também que, como me disse Grosjean, a verdade de hoje na Fórmula 1 não é a verdade de amanhã, mas se essa competição tiver ainda um pouco de lógica, Vettel e Webber devem se impor sem dificuldades nos 5.891 metros do traçado inglês. E se isso, de fato, ocorrer - é a minha aposta -, estou prevendo uma reação dos adversários. Talvez violenta.

Vão começar, rapidinho, a dizer que as soluções de Newey são ilegais. Afinal, como explicar numa Fórmula 1 supercompetitiva alguém, de repente, aparecer com uma solução mágica que faça o carro voar? No caso de Charlie Whiting ratificar a legalidade do novo RB8, como já fizeram os comissários no Circuito da Comunidade Valenciana, e apesar de toda a imprevisibilidade atual da Fórmula 1, faz sentido pensarmos que as corridas, daqui para a frente, possam começar com um favorito, a equipe Red Bull.

Procedendo, será interessante acompanhar como o time vai reagir com Webber em segundo no Mundial, com 91 pontos, e Vettel em quarto, 85. Na 10ª volta, de um total de 57, Grosjean forçou a ultrapassagem em Hamilton na curva 13 e o inglês recuou porque o choque seria inevitável. O discurso de Hamilton, de “visar sempre marcar o máximo de pontos, sem se expor a riscos excessivos, base para ser campeão este ano”, se confirma na prática. Valia o segundo lugar. Faltando uma volta e meia para a bandeirada, Hamilton, sem pneus, se vê na mesma situação, no mesmo lugar, mas agora com o audaz Maldonado. E o que faz? Não deixa espaço, mesmo sabendo que seria ultrapassado. O provável quarto lugar lhe levaria a 100 pontos, em segundo, a 11 de Alonso, líder. Mas a incoerência o deixou em terceiro, com 88, a 23 do espanhol.

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