Na arquibancada, Bin Laden e Cia.

As arquibancadas foram uma atração à parte neste domingo no Grande Prêmio do Brasil. Quem entrasse por engano em Interlagos poderia até achar que estava num baile à fantasia e não numa prova de Fórmula 1. Numa conversa animada, no setor A do autódromo, por exemplo, foi possível ver um sujeito nada convencional, vestido de mulher, conversando com Osama Bin Laden. O falso terrorista era, na verdade, o administrador de empresas André Soares, de 31 anos, que se divertia ao lado da família e do colega que acabara de conhecer, Luís Abrantes. O pouco discreto Abrantes, de 26 anos, com uma mini-saia branca, peruca rosa e muita maquiagem no rosto, criou sua fantasia inspirado em sua sogra. "Ficou até parecido", disse. "Com a diferença que ela não tem esse corpinho que eu tenho", concluiu o bem-humorado torcedor, engenheiro químico nas horas sérias, do alto de seus cento e tantos quilos. O vermelho dos uniformes da Ferrari só rivalizava com o amarelo, azul e vermelho da representativa torcida colombiana, com cerca de 3 mil representantes, segundo o comerciante Juan Cergato, que veio de Bogotá com os dois filhos exclusivamente para torcer pelo piloto da Williams, Juan Pablo Montoya. "Vieram mais de 3 mil pessoas de meu país", afirmou Cergato. Mas o que fazia um coelho no meio dos colombianos? O paulista de Sorocaba Luís Norberto Vernalia aproveitou a data para fazer uma homenagem ao símbolo da Páscoa e também, claro, para aparecer um pouquinho. "É a sétima vez seguida que venho para a corrida, e sempre venho com uma fantasia diferente." Muitas e muitas crianças, famílias inteiras foram assistir ao GP. O casal carioca Luís Ricardo de Lima e Marisa Lima estavam debutando na Fórmula 1. Ele com o rosto pintado com as cores da bandeira brasileira e, ela, ligeiramente constrangida, com uma bandeira do Brasil sobre os ombros. No geral, o clima era familiar, mas havia claro algumas exceções espalhadas pelas arquibancadas. O empresário Gil Vieira, de 41 anos, era uma delas. Saiu de Brasília de madrugada, chegou às 6 horas no autódromo, acompanhado de dois amigos e da inseparável Xuxa, uma boneca inflável que comprou numa loja de produtos eróticos. "Ela vai dar sorte para o Brasil", garantiu o empolgado torcedor.

Agencia Estado,

31 Março 2002 | 14h07

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.