Na Bélgica, roteiro perfeito. Para Kimi

Até que enfim uma corrida em que o vencedor não era conhecido desde as primeiras voltas. Já era mesmo tempo, afinal tratava-se da 14.ª etapa da temporada. E por mais paradoxal que possa parecer, no circuito mais seletivo para pilotos e carros não foi Michael Schumacher e a Ferrari os vencedores, mas Kimi Raikkonen e a McLaren, a equipe que mais deu vexames este ano. O GP da Bélgica teve roteiro perfeito. Houve todo tipo de drama, acompanhado por um público espetacular, cerca de 100 mil pessoas. Por exemplo: acidentes feios, causados pela explosão do pneu traseiro direito de David Coulthard, McLaren, Jenson Button, BAR, e Juan Pablo Montoya, Williams, todos Michelin. Por muita sorte ninguém se feriu. Aliás era consenso hoje no circuito que havia anjos da guarda de plantão em cada curva. Por pouco a Fórmula 1 não volta a conviver com tragédias. A velocidade dos carros em dois pontos em particular era assustadora: Eau Rouge e Blanchmont, superior a 300 km/h. "Estamos muito rápidos", afirmou na sexta-feira Schumacher. Não dá para reclamar de falta de ultrapassagens. Rubens Barrichello cruzou a linha de chegada em último, ao fim da segunda volta, e acabou em terceiro. Kimi Raikkonen e Juan Pablo Montoya deixaram para trás, em Spa, ninguém menos de Schumacher, quando até ele próprio disse que não esperava ver seus adversários tão rápidos. O colombiano também colocou pimenta no drama ao tocar em Jarno Trulli, da Renault, e fazê-lo rodar no Bus Stop, na 19.ª volta de um total de 44, ao tentar ganhar a quarta colocação. Montoya devia estar com Felipe Massa, Sauber, na cabeça. Três voltas antes o fez tirar o pé do acelerador se não decolaria a 300 km/h na Eau Rouge, quando lutavam pelo sexto lugar. Três vezes o safety car entrou na prova em razão de acidentes. O fim da reta Kemmel parecia um cemitério de carros. Aquele foi o lugar escolhido para depositar os destroços. E a estratégia decisiva de Kimi Raikkonen, para impedir Schumacher de aquecer adequadamente seus pneus, mantendo-o lentamente atrás de si, recebeu vaias e palmas no circuito. É o mesmo recurso do alemão quando está na frente. Tanto que Schumacher sequer abriu a boca para reclamar. O ponto fraco dos pneus Bridgestone, da Ferrari, foi amplamente explorado pelo finlandês da McLaren. Outra característica pouco comum na Fórmula 1 e verificada, hoje, na prova em Spa-Francorchamps: seis pilotos chegaram a liderar a competição, a dupla da Renault, Jarno Trulli e Fernando Alonso, Raikkonen, Schumacher, Montoya e Pizzonia. Mais: diferentemente da maioria das demais etapas, apenas 11 carros receberam a bandeirada, sempre sob a ameaça de chuva numa traçado muito veloz. O filme tem final quase feliz. A expressão do herói Schumacher diante da sua torcida combinava certa alegria pelo sétimo título, mas mais frustração por não ter vencido. Sua fase de encerramento na entrevista coletiva é um clichê perfeito: "Simplesmente não fomos muito velozes quando mais deveríamos ser", afirma, em voz baixa, semblante até triste e olhando para o solo, enquanto seus fãs o aplaudem de forma efusiva.

Agencia Estado,

29 Agosto 2004 | 16h17

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