Na corda bamba

Nenhum grande campeão aceita a derrota. Mas o caso de Lewis Hamilton parece mais grave. No pódio da Áustria, quando o mestre de cerimônia Gerhard Berger se dirigiu a ele dizendo que a briga apertada entre os dois pilotos da Mercedes tornava o campeonato mais interessante, o inglês nem deixou que ele terminasse a pergunta e, com muita ironia, disse que achava muito estranho todo o entusiasmo do ex-piloto pela vitória de Rosberg.

Reginaldo Leme, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2015 | 03h00

A leitura egoísta do inglês foi ignorada por Berger. O episódio demonstra que, embora venha se comportando bem melhor desde a segunda metade do ano passado, Hamilton continua o mesmo em algumas circunstâncias. O seu emocional continua andando sobre uma corda bamba - o que ganha importância especial no momento em que ele está a uma semana de disputar a próxima corrida em casa. Fazer poles seguidas (7 a 1 contra Rosberg nos grids) e acumular vitórias estava bom demais, mas nas últimas corridas quatro perdeu três para o rival. Isso prova que, mesmo sendo mais piloto, Hamilton pode ser derrotado. Vai depender muito dele mesmo.

A F-1 cumpriu o segundo período de testes permitidos durante a temporada. O primeiro foi em Barcelona e o segundo em Spielberg, após o GP da Áustria. Todas as equipes, exceto a Manor, participaram dos testes. E Mercedes, Red Bull, Williams, Sauber, Lotus, STR e McLaren usaram pelo menos um dos seus pilotos titulares (Rosberg, Bottas, Grosjean, Verstappen, Ricciardo, Nasr e Alonso). A Ferrari treinou com os reservas Esteban Gutierrez e Antonio Fuoco, mas topou colaborar com a Pirelli no teste de novos compostos que podem ser os pneus de 2016. Mercedes e STR também fizeram isso. Pela regra, durante o ano cada equipe tem direito a 110 jogos de pneus para testes (no ano passado eram 135). 

Neste fim de semana um brasileiro poderá ser o primeiro campeão mundial da Fórmula-E (elétrica). Nelsinho Piquet e Lucas di Grassi foram os destaques do campeonato, e Nelsinho chega à decisão como líder com 128 pontos, 17 à frente de Di Grassi. Mas essa etapa final, na Inglaterra, tem rodada dupla e a pontuação é igual à da F-1, com 25 pontos para o vencedor e 18 para o segundo colocado. Portanto, há outros quatro com chances: o suíço Sebastien Buemi (105), o francês Nicolas Prost (82), o belga Jerome D’Ambrosio (77) e o inglês Sam Bird (68). Bruno Senna completa o trio brasileiro, mas já sem chance de brigar pelo título.

Na F-E todas as corridas são disputadas em pistas de rua. Portanto, apesar de a Inglaterra ter dez autódromos, as duas rodadas decisivas serão disputadas em um circuito montado dentro do Battersea Park, não muito longe do centro e ao lado do Rio Tâmisa. Na F-E, o público elege por meio das rede sociais três pilotos que ganham direito ao chamado “fan boost”, um tipo de botão de ultrapassagem de cinco segundos usado uma vez durante a prova.

Na final de Londres, o francês Loic Duval tem direito a um “fan boost” extra por ter vencido uma corrida a pé de 100 metros rasos, e ainda recebeu o prêmio das mãos de Usain Bolt. 

Nem mesmo as constantes variações de temperatura de Londres, ainda que seja verão por lá, poderiam surpreender tanto quanto os 22 graus encontrados aqui em Santa Cruz do Sul, onde a Stock Car tem a sua quinta etapa de um total de doze. O frio de dez graus do começo da semana foi embora, mas, como diz o pessoal daqui, pode voltar a qualquer momento.

O que está quente na Stock é a briga no campeonato. Julio Campos lidera com 87 pontos, um à frente de Cacá Bueno. Seguidos de perto por Rubinho Barrichello (74), Marcos Gomes (73), Daniel Serra (60), Tiago Camilo (59), Max Wilson (48) e Ricardo Mauricio (44). Para citar só os oito primeiros. 

No Exterior, tem brasileiro na pista de Norisring, Alemanha. Pietro Fittipaldi e Sergio Sette Câmara disputam prova do europeu de Fórmula-3, junto com a DTM, que tem Augusto Farfus. Em Ímola, há rodada tripla do campeonato italiano de F-4 com presença do paulista Giuliano Raucci, estreante de 16 anos, e o tocantinense João Vieira.


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