Na Espanha, Zonta vence na F-Nissan

Depois de quatro anos, Ricardo Zonta voltou a vencer uma corrida. Foi a primeira bateria de duas da Fórmula Super Nissan, neste domingo, na cidade espanhola de Valência. Na segunda prova, largou em 19º, a última colocação, e chegou em terceiro. Ele garante que não foi a experiência na Fórmula 1 que o levou à boa colocação, mas sim seu talento e sorte. "Nosso carro está bem acertado, melhor que muitos outros. Todo mundo desta categoria espera muito de mim e o resultado me deu muito mais confiança", afirma o brasileiro, que não vencia desde que conquistou o título da FIA Grand Turismo, em Laguna Seca. "Não me lembro de nenhuma outra prova como a segunda deste domingo (na qual passou dez carros em apenas uma volta), a não ser uma em Monza, quando larguei em 17º e cheguei a ficar em terceiro, mas não terminei a prova." Zonta explicou como subiu 16 posições na segunda corrida. "Poderia ter ficado em primeiro se no treino de classificação de sábado não tivéssemos errado a estratégia. Arrisquei tudo o que podia ao largar em último, sabia que havia óleo na pista e muitos pilotos estavam tomando cuidado com isso. Não me importei porque tudo o que queria era chegar perto dos primeiros, e consegui achar espaços para ir passando. Foi um pouco de sorte" Ele garante que na F-1 dificilmente conseguiria tal recuperação. "Lá na F-1 depende-se muito do carro, não só do piloto. Também não tem como arriscar e ir cruzando no meio dos carros porque se você, por exemplo, sai da pista, é punido dentro da equipe. Aqui os motores e chassis são iguais para todos." Apesar das queixas, ele garante que a pretensão é voltar à principal categoria do automobilismo mundial. "Quando fechei para correr na Super Nissan, uma das condições era que o contrato ficasse aberto para eu sair ou voltar quando quisesse. Mas estou com a cabeça aqui." Apesar da boa colocação, o brasileiro declarou que sua equipe teve problemas no pitstop. "Um dos meus mecânicos ainda demorou 15 segundos a mais com uma roda dianteira, sem contar o óleo que tinha na pista. Mas no final, foi uma boa prova." Ander Vilariño, que ficou na frente de Zonta na segunda bateria, agradeceu aos céus pelo problema que o brasileiro enfrentou. "Dei graças a Deus pelos problemas que o Ricardo teve e eu consegui ficar na frente dele. Ter pilotos como ele, Montagny e Justin Wilson, que passaram pela F-3000, mostra que esta é uma competição muito séria e competitiva." Na primeira bateria, atrás de Zonta, ficaram o francês Franck Montagny e o espanhol Rafael Sarandeses. Na segunda, Montagny saiu vencedor, seguido do espanhol Ander Vilariño e de Zonta. Na classificação geral, o francês é o líder, com 37 pontos, seguido de Zonta, com 34, e do belga Bass Leinders, que soma 20 pontos. A promessa dos pilotos é de alta competitividade "Após duas ou três corridas, com as equipes acertando os carros, a diferença entre os times será muito pequena. Além disso, temos ótimos pilotos e times", diz Montagny. Zonta aposta que "esse formato com duas provas curtas (uma de 18 voltas e outra de 26, mais um pitstop obrigatório) é boa. O piloto tem mais chances de armar uma estratégia para a segunda corrida. Também é emocionante para o público." A próxima das oito etapas restantes será também na Espanha, em Jarama, no dia 9 de junho. Fora deste país serão realizadas apenas três corridas: na França, Argentina e Brasil. "Para nós, pilotos espanhóis, foi ótimo termos um campeonato deste nível porque não precisamos sair daqui para mostrarmos nosso talento. Sei que ainda temos muito progresso a fazer", disse Rafael Sarandeses, que está em sexto na competição, com 15 pontos.

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