Diego Azubel/EFE
Diego Azubel/EFE

Na Fórmula 1, pilotos buscam formas de se sentirem estimulados

Com título praticamente definido para Sebastian Vettel, corredores miram outros objetivos

Livio Oricchio - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

11 de outubro de 2013 | 07h30

SUZUKA - Como manter a motivação. Esse é um problema que atinge vários pilotos agora que a definição do tetra de Sebastian Vettel, da Red Bull, parece ser apenas uma formalidade, podendo até mesmo ocorrer no GP do Japão, domingo. Na madrugada de sábado, às 2 horas, no circuito de Suzuka, será disputada a sessão de classificação. "Ela é importante porque as ultrapassagens são difíceis nessa pista", diz Vettel.

Para Fernando Alonso, da Ferrari, ainda com chances matemáticas, mas probabilidade quase desprezível de conquista do título, as seis corridas que restam representam uma oportunidade para divertir-se. "Temos em jogo a luta pelo vice entre os construtores, a Ferrari concorre com a Mercedes, e tanto eu quanto Felipe (Massa) vamos procurar o máximo de pontos", disse, ontem, no Japão. "Mas poderemos também correr mais riscos para tentar um pódio, por exemplo, não temos a perder", comentou. "E isso nos dá mais prazer."

O caso de Mark Webber, da Red Bull, é um pouco particular. Já anunciou que abandona a Fórmula 1 no fim da temporada. Será piloto da Porsche no Mundial de Endurance. "Está difícil manter o interesse nessas provas que faltam", assumiu o australiano de 37 anos. Kimi Raikkonen, da Lotus, além de fora da luta pelo título vai se transferir para a Ferrari.

"O que mais gosto de fazer é correr. O fato de não ter mais chance de ser campeão não não faz muita diferença para mim", respondeu ao Estado no seu melhor estilo outsider. No fim de 2009, contudo, recebeu a bagatela de 12 milhões de euros da Ferrari para não correr em 2010. Foi dispensado para ceder a vaga a Alonso. Razão: falta de estímulo, interesse. Havia sido campeão em 2007.

O italiano Flavio Briatore não está mais na Fórmula 1 há quatro anos. Mas quando alguém lhe perguntava sobre como fazia para manter seus pilotos motivados, numa situação como a atual, em que Vettel não tem adversários, sua expressão mudava. "Qualquer cidadão que tenha um contrato como o deles não tem o direito de não se sentir estimulado. Honrar o que ganham é o maior de todos os estímulos." Briatore era implacável na cobrança a seus pilotos.

Vencer a luta com o companheiro de equipe. Essa foi a escolha do mexicano Sergio Perez, da McLaren, não apenas nessa fase do campeonato, mas desde o começo do ano. "Não temos carro para lutar por vitórias e mesmo o pódio. Por isso a referência para julgar meu trabalho é compará-lo com o de Jenson Button, que tem o mesmo carro", comenta. "E como já é campeão do mundo, eu também posso avaliar como estou. Vencê-lo é o meu objetivo maior."

A possibilidade de ascender a uma equipe melhor, como no caso de Nico Hulkenberg, interessado em trocar a Sauber pela Lotus, ou de permanecer na Fórmula 1, a exemplo de Felipe Massa, que negocia com Lotus, Force India e Williams, representam formas de o piloto buscar algo extra dentro de si. "Na Fórmula 1 você está sempre no limite, mas há situações que você mesmo sente estar dando mais do que tem, como quando corro em Interlagos", explica Massa. Há para ele, portanto, um grupo de pilotos que nessa fase de definição do mercado procura "tirar tudo o que possui e mais um pouco".

Um piloto, porém, parece imune a tudo isso: Vettel. Está sempre estimulado com o carro que tem. A vitória domingo pode lhe garantir o quarto título seguido, desde que Alonso se classifique no máximo em nono. E seu retrospecto no circiuto mais seletivo do calendário é espetacular. Largou nas quatro últimas edições do GP do Japão na pole position, venceu três, 2009, 2010 e no ano passado, e em 2011 ficou em terceiro, sempre com a Red Bull. Não se espera nada diferente desse notável alemão de apenas 26 anos de idade nesta edição do evento.

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