Indianapolis Motor Speedway/LLC Photography
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‘Na infância, troquei as bonecas pelos carrinhos', diz Bruna Tomaselli

Aos 21 anos, pilota de Santa Catarina é a única brasileira pré-selecionada entre as 55 concorrentes a uma das 18 vagas da WS

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2018 | 04h30

Sonhando com uma vaga no grid da W Series, Bruna Tomaselli reforçou sua preparação física e técnica nos últimos meses, desde que entrou na lista inicial do processo seletivo para se tornar pilota da nova categoria. “Estou fazendo ainda mais academia e simulador para chegar bem preparada e brigar por uma das 18 vagas”, disse a atleta de apenas 21 anos.

 A ansiedade não é por acaso. Numa modalidade fortemente dominada pelos homens, a chance de correr numa nova categoria, reservada às mulheres, é quase única para uma pilota, principalmente no Brasil, onde o automobilismo feminino quase não existe.  A trajetória de Bruna, ainda que iniciante, revela as dificuldades para uma mulher se tornar pilota profissional.

Nascida em Caibi, no extremo oeste de Santa Catarina (quase na Argentina, como ela brinca), a atleta começou no kart aos 7 anos. Nas diferentes categorias em que competiu no País, nunca enfrentou mais do que meia dúzia de rivais. “Em quase todas as provas que disputei, era a única menina.”

Com bons resultados no kart em nível estadual e regional, ela passou a competir em carros de fórmula aos 15 anos. Correu na Fórmula Junior e Fórmula RS até chegar na Fórmula 4 Sul-Americana, em que ficou em quarto lugar em 2015. Em outro bom resultado, ficou em terceiro competindo com mais de 80 adversários no Skusa, uma das principais competições de kart do mundo, nos Estados Unidos, em 2011.

Bruna é bancada pelo pai, dono de uma empresa familiar na mesma Caibi, cidade de 6.213 habitantes, segundo o último IBGE. Foi o apoio da família que permitiu que ela entrasse na USF2000, a “quarta divisão” da Fórmula Indy. “Como no Brasil quase não há categorias de fórmula, havia duas opções: EUA e Europa. Mas só tínhamos condições de bancar a competição nos EUA”, diz a garota, que nunca teve patrocínio ou apoio formal das entidades ligadas à modalidade. 

“Desde pequena eu gostava de carros. Eu desenhava carrinhos, brincava com eles. Troquei as bonecas pelos carrinhos”, lembra a pilota. Fã de Ayrton Senna, Michael Schumacher e Felipe Massa, a catarinense não esconde que seu maior sonho é chegar à F-1. E o caminho pode passar pela W Series. Para tanto, ela conta com uma ajuda especial. “Bia Figueiredo me disse um dia que seria a minha madrinha no automobilismo. E foi ela que me indicou à W Series.”

A indicação foi decisiva para a jovem brasileira entrar na primeira fase do processo seletivo, segundo disse ao Estado Catherine Bond Muir, CEO do novo campeonato. “Nós nos conhecemos em Santa Cruz (RS) numa corrida da Formula Junior. Ela corria pela Stock Car no mesmo circuito. Trocamos mensagens e hoje a procuro sempre quando tenho dúvidas de pilotagem. Mantemos contato sempre”, diz a catarinense.

Bruna é uma das 55 pré-selecionadas para a segunda etapa de avaliação da W Series. No fim de janeiro, ela viajará para a Áustria, onde será realizado novo estágio do processo de escolha das 18 pilotas que estarão no grid da primeira etapa da nova competição. As escolhidas serão conhecidas somente em maio, às vésperas da temporada, que contará com seis etapas na Europa. 

 

 

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