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Nasr começa na Malásia sua trajetória final para chegar à Fórmula 1

Brasileiro vai correr a temporada da GP2 pela mesma equipe em que ganhou F-3 Britânica

Livio Oricchio, O Estado de S. Paulo

19 de março de 2013 | 23h01

KUALA LUMPUR - O início de temporada de Felipe Massa, domingo, na Austrália, foi promissor. O campeonato mal começou e Massa já deixou no ar a sensação de que pode disputar belo Mundial, o que praticamente o garantiria na equipe Ferrari ou num bom time da Fórmula 1 também em 2014. Seu desafio, no entanto, é grande.

No caso de as coisas tomarem outro rumo, sempre possível, o Brasil tem um único piloto em condições de chegar à Fórmula 1 no ano que vem. É o jovem talentoso Felipe Nasr, de 20 anos. No próximo fim de semana, no mesmo circuito onde a Fórmula 1 se apresentará, Sepang, na Malásia, esse brasiliense nascido numa família de automobilistas inicia sua segunda temporada na GP2, a categoria que quase sempre garante ao campeão uma vaga na Fórmula 1.

Sua preparação para começar em condições de lutar pela vitória foi a melhor possível, disse nessa entrevista exclusiva ao Estado. “Tudo tem se encaixado muito bem. Vou correr com a equipe com a qual fui campeão na Fórmula 3 Britânica (2011), conheço o Trevor Carlin (dono da escuderia Carlin), tenho relacionamento muito bom com todos no grupo.” Em 2012, no seu ano de estreia na GP2, pela escuderia francesa DAMS, Nasr enfrentou sérias dificuldades.

“Eu era estreante e eles tinham sido campeões da GP2 no ano anterior com o Roman Grosjean (hoje na Lotus). Simplesmente não me ouviam, achavam que por ser novato tinha de aceitar tudo o que eles me entregavam.” Este ano, com os ingleses da Carlin, o trabalho está fluindo de outra maneira. “Estive sempre dentre os três mais rápidos nos testes, na pista seca ou no molhado.”

Os concorrentes, porém, são capazes, como o próprio companheiro de Carlin, o inglês Jolyon Palmer, o sueco Marcus Ericsson, da DAMS, e o inglês James Calado, da Lotus. Em 2102 Nasr terminou em décimo, com quatro pódios, enquanto o parceiro na DAMS, o italiano Davide Valsecchi, no quinto ano na categoria, venceu o campeonato.

Nasr afirmou que vai começar a temporada com muita autoconfiança, o que não foi o caso de 2012. “Este ano os pneus mudaram e junto com os engenheiros da Carlin realizamos um bom acerto básico do carro para eles.” A Pirelli é fornecedora exclusiva da Fórmula 1, da GP2 e GP3. Sua filosofia é fazer os pneus da GP2 terem, agora, maior similaridade com os da Fórmula 1, ou seja, vida útil menor do normal, para tornar a competição menos previsível.

“Meu plano é simples. Fiz duas temporadas na Fórmula 3 Britânica, fui campeão, este é o meu segundo ano na GP2, quero e tenho condições de lutar pelo título, e no ano que vem, tudo dando certo, a Fórmula 1”, explica Nasr. Alerta para o fato de que nesta temporada, em especial, diante das características dos novos pneus Pirelli, a regularidade vai ser o mais importante na GP2, como quem diz que poderá, por vezes, evitar ultrapassagens de alto risco para provilegiar concluir a prova. “A consistência fará toda diferença este ano.” E esse é um dos seus pontos fortes.

Pensar na Fórmula 1, agora, diz Nasr, seria perder o foco na GP2, passo essencial para em 2014 realizar seu sonho de competir na Fórmula 1. “Tenho de pensar corrida a corrida na GP2. Qualquer coisa ao contrário vai me atrapalhar dos dois lados, obter sucesso na GP2 e, como consequência, dificultar minha entrada na Fórmula 1.”

Mas se os resultados forem os esperados, em razão da sua maior experiência e da forma de trabalho da Carlin, a hora para estrear na Fórmula 1 será perfeita, segundo Nasr. “Haverá uma mudança conceitual na Fórmula 1 em 2014, com o motor turbo e as restrições aerodinâmicas”, explica.

“Quem já está lá terá de reestudar como pilotar, acertar o carro, os desafios são imensos”, diz. “Pois eu começaria pegando todos nessa transição. Para mim tudo é novidade, vou aprender o que me será apresentado, sem saber como era. Para eles não, vão ter de se adaptar a nova realidade.” Mas antes disso precisa comprovar aos chefes de equipe da Fórmula 1 possuir talento. Só o dinheiro dos seus patrocinadores não garante nada. No ano passado alguns pilotos com capacidade e tendo investidores ficaram de fora, como Bruno Senna.

Portanto, já sexta-feira Nasr tem de começar acelerando bem no primeiro treino livre da GP2 no autódromo de Sepang.

O piloto jura não ter conversado ainda com nenhum diretor de escuderia da Fórmula 1. Pouco provável que seja verdade. Esses encontros fazem parte do processo de aproximação recíproca.

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