Paolo Pellegrini/Divulgação
Paolo Pellegrini/Divulgação

Nasr espera definir seu futuro logo depois do GP de Abu Dabi

Brasiliense vai para a etapa final da GP2 com chances ainda de ser campeão

Livio Oricchio, O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2013 | 16h48

NICE - Segunda-feira Felipe Nasr embarca para Abu Dabi a fim de disputar a etapa final do campeonato da GP2. Será realizada nos mesmos dias da 17.ª etapa da Fórmula 1, no circuito Yas Marina, de 1 a 3 de novembro. Antes disso, já no próximo fim de semana, a Fórmula 1 se apresenta na Índia, no circuito Buddh, prova que pode dar o tetracampeonato ao alemão Sebastian Vettel, da Red Bull. Basta chegar na quinta colocação.

O brasiliense de 21 anos aproveitou a pausa no calendário da GP2 para regressar a sua cidade, intensificar o programa de preparação física e acompanhar as negociações do seu empresário, Steve Robertson, o mesmo de Kimi Raikkonen, visando levá-lo à Fórmula 1 em 2014.

A última vez que os carros da GP2 entraram na pista foi na prova de Cingapura, dia 22 de setembro. A Fórmula 1 se deslocou depois para a Coreia e o Japão, mas a GP2 ficou parada. Nesse espaço de tempo os pilotos não puderam treinar.

Nas equipes, contudo, o trabalho foi intenso. Em especial nas três com chances ainda de terem seus pilotos campeões: a Racing, do líder na classificação, o suíço Fabio Leimer, com 179 pontos, a Russian Time, do inglês Sam Bird, 172, e a Carlin, de Nasr, 148.

“Olhando para os números, está mesmo difícil reverter a desvantagem. Em Abu Dabi vou fazer a minha parte, a gente nunca sabe o que pode acontecer. O importante é terminar bem o ano”, disse, ao Estado, Nasr.

O brasiliense está atrás não apenas nos pontos somados depois de 20 corridas, 19 etapas. “Não conheço a pista. No ano passado não houve prova válida pelo campeonato lá. Terei a meia hora do treino livre da sexta-feira de manhã para conhecer a pista, fazer alguns ajustes no carro e pronto. Na sequência já saímos para a definição do grid”, explicou Nasr.

A matemática do título lhe é muito desfavorável. Na primeira corrida do fim de semana, no sábado, a pontuação é a mesma da Fórmula 1, do primeiro ao décimo colocado. Mas o pole position ganha quatro pontos e autor da melhor volta, outros dois. Assim há em jogo 31 pontos (4+25+2).

Para a segunda corrida, no domingo, há a inversão do grid entre os oito primeiros. O vencedor do sábado larga em oitavo. O segundo colocado, em segundo, e assim por diante.

Nessa prova, os pilotos somam menos pontos: 15 para o vencedor, 12 para o segundo, 10, terceiro, 8, quarto, 6, quinto, 4, sexto, 2, sétimo, e 1, oitavo. Só oito marcam pontos. Não há pontos para a pole por ela se destinar ao oitavo colocado na corrida do sábado pelo critério do grid invertido. Mas o autor da melhor volta, domingo, recebe 2 pontos. Na segunda corrida, portanto, estão em jogo 17 pontos (15 + 2).

Diante de tudo isso, se na GP2 o piloto estabelecer a pole na classificação, sexta-feira, para a prova do sábado, vencer a corrida, registrar a melhor volta, e depois também ganhar a corrida do domingo com melhor volta, pode somar, no total, 48 pontos (4+25+2+15+2).

Desde a primeira temporada da GP2, em 2005, em apenas uma ocasião um piloto obteve o máximo possível, desafio dos maiores por o grid ser invertido na segunda corrida. A proeza coube a Nelsinho Piquet, em 2007, no GP da Hungria.

Leimer tem 31 pontos a mais de Nasr (179 – 148). Bird, 24 (172 – 148). São, portanto, poucas as combinações que podem levar o brasiliense ao título. Até porque, também, a Racing e a Russian Time mostraram-se nas etapas finais mais bem preparadas que a Carlin de Nasr. Leimer somou nas últimas quatro provas 51 pontos, Nasr, 18.

FÓRMULA 1

Todo piloto da GP2, não há exceção, deseja ascender à Fórmula 1. Nasr, com duas temporadas de experiência na competição e grande regularidade, é candidato. Ele se mantém em contato permanente com Robertson, na Europa. “É difícil entender o que se passa. A cada hora parece que vai ser uma coisa e, repente, muda”, diz Nasr. “Você não sabe exatamente o que está se passando.”

Seu objetivo é ser titular de alguma equipe, exceto as menos estruturadas do grid, Marussia e Caterham. “Reconheço que está difícil ser titular. Mas o Hulkenberg (Force India, em 2011), o Bottas (Williams, em 2012) o Vettel (BMW-Sauber, em 2007) começaram treinando nas sextas-feiras e hoje estão lá, o que demonstra ser um caminho válido. O importante é estar lá.”

Estar na pista no primeiro treino livre, ou em parte dele, conhecer como uma equipe de Fórmula 1 funciona, em especial com o novo regulamento, bastante complexo, participar das reuniões com os pilotos titulares e os engenheiros. “Isso é o que a experiência de terceiro piloto te oferece. Não é uma opção ruim se você não pode ser titular”, argumenta Nasr.

O que o piloto, seu orientador, o tio Amyr Nasr, e Robertson não concordam é com um contrato de um ano como terceiro piloto sem nenhuma amarração com o futuro. “Tem de ser uma coisa planejada, como tudo que fiz até agora no automobilismo. Não é assim, entrar lá com patrocinador e acabou.” Nasr que garantias de que será titular no ano seguinte.

Pela forma como as negociações estão caminhando, o brasiliense acredita ser bem provável que logo em seguida ao GP da Abu Dabi haja alguma definição quanto ao seu futuro. O piloto não diz com quem conversa, mas as opções são bem poucas. Com certeza não são Red Bull, Ferrari, Mercedes, McLaren, Lotus e Toro Rosso. E como Marussia e Caterham não fazem parte dos planos, restam portanto Williams, Force India e Sauber.

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