FRANCK FIFE / AFP
FRANCK FIFE / AFP

Nasser Al-Attiyah consolida campanha tranquila e conquista o Rally Dakar pela 4ª vez nos carros

Catariano de 51 anos dominou a disputa, liderando todos os 12 dias de competição na Arábia Saudita

Redação, Estadão Conteúdo

14 de janeiro de 2022 | 10h50

Pela quarta vez na carreira, Nasser Al-Attiyah é campeão do Rally Dakar. O catariano de 51 anos, piloto e também medalhista olímpico, dominou a disputa do maior rali do mundo na edição de 2022 do início ao fim e liderou todos os 12 dias de prova na Arábia Saudita. Enquanto nadou de braçada no seu Toyota Hilux, os concorrentes diretos pela vitória enfrentaram problemas de todo o tipo: o francês Sébastien Loeb, que mais tinha chances reais de concorrer, sofreu com dois pneus furados a bordo do carro da Prodrive e perdeu muito tempo na terceira especial, enquanto que o também francês Stéphane Peterhansel e o espanhol Carlos Sainz fizeram o Dakar com o novíssimo protótipo elétrico da Audi, o RS Q e-tron, que já se mostrou competitivo, em que pese estar em fase ainda inicial de desenvolvimento.

Com o projeto bastante consolidado da Toyota, Nasser usou e abusou da experiência, tirou proveito dos problemas dos adversários e, em que pese toda a dominância ao longo da prova, escapou ainda de uma punição na segunda etapa que, esta sim, poderia comprometer por completo sua jornada rumo ao título.

Ao longo de toda a prova, Al-Attiyah controlou uma vantagem para Loeb sempre em torno de 30 minutos. Já na metade final da prova, passou a administrar a vantagem para chegar à rampa da vitória, em Jeddah, e confirmar a conquista do título. O triunfo na Arábia Saudita igualou o catariano a outra lenda do Dakar: o finlandês Ari Vatanen, vencedor do maior rali do mundo também em quatro oportunidades.

Na especial desta sexta-feira, de 164km entre Bisha e Jeddah, a vitória ficou com outro carro da Toyota, o Hilux pilotado pelo sul-africano Henk Lategan. Peterhansel, que finalizou um rali muito bom para a Audi neste início de projeto do RS Q e-tron, terminou a etapa em segundo, enquanto que o sul-africano Brian Baragwanath, da Century, fechou em terceiro, logo à frente de Loeb.

Destaque também para a dupla brasileira formada por Marcelo Gastaldi e Cadu Sachs, que terminaram a etapa desta sexta-feira em sétimo com o buggy da Century, enquanto que Al-Attiyah só administrou e terminou em 19.º, mais que o bastante para, no tempo total de prova, terminar com ampla margem para Loeb.

Na classificação geral da prova, Al-Attiyah encerrou o Dakar 2022 com tempo total de prova em 38h33min03s, com 27min46s de vantagem para Loeb. O saudita Yazeed Al Rajhi terminou em terceiro na disputa dos carros a bordo de Toyota Hilux. O argentino Orlando Terranova foi o quarto, à frente do campeão de 2009, o sul-africano Giniel de Villiers, da Toyota.

Carlos Sainz, vencedor de quatro especiais do Dakar, terminou a prova deste ano em 12.º na classificação geral, enquanto que Peterhansel, em um rali com muitos problemas - o que se reflete também nas 46h19min de punições - terminou em 55.º. Gastaldi e Sachs finalizaram em 30.º, a 10h43min26s do tempo de Al-Attiyah.

Motos

A 44.ª edição do Dakar terminou com um bicampeão na mais clássica das suas disputas, nas motos. O britânico Sam Sunderland, a bordo de uma GasGas, conquistou a taça na esteira de luta feroz pela liderança ao longo de toda a competição.

Sunderland, de 32 anos, repetiu o feito de 2017, quando estava na KTM, e conquistou o Dakar pela segunda vez. Mesmo tendo vencido apenas uma especial na edição de 2022, o britânico alcançou o triunfo no maior rali do mundo principalmente em razão da sua regularidade e por ter cometido poucos erros ao longo da prova.

O campeão vibrou com a conquista depois de ter vivenciado uma última etapa complicada. "Sinceramente, não poderia estar mais feliz. Esta última etapa foi tão difícil, tão estressante... Muita navegação, muitas notas complicadas, algumas vezes um pouco confusas e sem ter certeza de que estava no caminho certo. Nos últimos 10 minutos, não tinha certeza se tinha vencido. Agora eles me falaram e, nossa, um sonho realizado. Tive uma temporada muito difícil, mas quando você ganha o Dakar, tudo vale a pena", comemorou.

Na curta especial desta sexta-feira, a vitória ficou com o chileno Pablo Quintanilla. O sul-americano precisava não apenas terminar bem, mas contar com um revés de Sunderland para chegar ao título. O britânico, bastante experiente, apenas marcou seu adversário mais próximo e, com o oitavo lugar na etapa, a 3min25s de Quintanilla, confirmou a conquista do título.

A diferença que separou os três primeiros mostra o quão dura foi a disputa do Dakar nas motos ao longo de 12 dias de disputa em solo saudita. Sunderland teve 38h47min30s de tempo total de prova e apenas 3min27s de frente para Quintanilla. Matthias Walkner, da KTM, concluiu o Dakar em terceiro, com 6min47s de atraso para Sunderland na classificação geral.

Adrien Van Beveren, que novamente ficou muito perto de vencer o Dakar e foi o líder da prova até a antepenúltima etapa, terminou a competição em quarto lugar com a Yamaha, a 18min41s do tempo do líder, enquanto que Joan Barreda, outro piloto que despontou com chances reais de vencer a prova, foi o quinto na classificação geral, com 25min42s para o vencedor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.