Robson Fernandjes/Estadão
Robson Fernandjes/Estadão

Nelsinho Piquet celebra renascimento da carreira na Nascar

Piloto, que ainda lembra com tristeza do insucesso na Fórmula 1, deverá correr mais etapas da divisão principal da Nascar em 2014

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2013 | 19h02

SÃO PAULO - Era uma entrevista coletiva para expor mais um patrocinador de Nelsinho Piquet, brasileiro que caminha bem como desbravador da Nascar. Ele já conseguiu uma vitória na Nationwide, espécie de segunda divisão da categoria, e outra na Truck Series, a terceirona, em 2012. Este ano, acumulou um pouco mais de experiência. Na próxima temporada, poderá fazer mais corridas na categoria principal, a Nascar Cup. E ele tem outros motivos para comemorar. Até mesmo para o desafio de kart de fim de ano, no parque Beto Carrero, ele tem patrocínio - conseguiu o apoio da petrolífera malaia Petronas. Mas os repórteres ainda lhe perguntam sobre seus anos na Fórmula 1 - os já distantes 2008 e 2009. Habitualmente sério, Nelsinho não exibe um sorriso de mostrar os dentes nem em fotos publicitárias - seu sorriso é de canto de boca. Mas, ao ouvir a pergunta, seu semblante ficou ainda mais fechado, e seus olhos lacrimejaram.

"Bom, eu aprendi muito na Fórmula 1, e ainda apareço em alguma estatística - não sei se é a de brasileiro que conseguiu um pódio mais rápido ou a de brasileiro com mais pontos na primeira temporada". Nelsinho conseguiu o primeiro pódio - um segundo lugar na Alemanha - em sua décima corrida, em 2008. Ayrton Senna foi segundo em Mônaco, em seu sexto GP. O filho de Nelson realmente fez mais pontos (19) em sua primeira temporada, mas correu numa época em que a F-1 adotou um sistema de pontuação mais generoso. Na época de Senna, o vencedor levava nove pontos. Pelo antigo sistema de pontuação, Nelsinho teria marcado nove pontos em seu primeiro ano, e Senna fez 13.

"Tenho orgulho de ter ido pra lá ganhando salário, e não por causa de patrocínio. Mas fiquei mais feliz realmente por ter um sonho que renasceu na Nascar, de ir para lá para buscar outra coisa. Estava preocupado de perder aquele desejo de fazer qualquer coisa para conseguir uma vitória, e ele renasceu. Na Fórmula 1 não deu, não foi a minha vez. Eu era novo, as pessoas que controlavam minha vida estavam todas lá. Ao olhar para trás, é óbvio que poderia dizer que faria diferente, mas naquela ocasião não fiz".

Antes da demonstração de um moderníssimo cortador de grama-robô (é programável, deixa a base na hora marcada, corta a grama e a tritura, eliminando até o trabalho de recolhimento, e volta para a base), Nelsinho teceu comentários sobre o incerto futuro do país na principal categoria do automobilismo.

O Brasil corre o sério risco de não ter nenhum piloto na F-1 em 2014. "Acho que isso é uma mistura de coincidências e de a CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) não fazer um trabalho certo. A CBA é um pouco corrupta e tá bagunçada. Odeio falar mal. Os pilotos daqui (do Brasil) não podem falar, mas eu posso porque não dependo da CBA. A Confederação poderia ajudar um pouco mais. Nós temos pilotos que foram fenomenais no kart e não tiveram ajuda de ninguém para correr numa categoria de fórmula. Você compara com federações da Europa e dos Estados Unidos e vê que há pilotos lá que começaram do nada. Piloto no Brasil que não tem patrocínio, todos sabem, não tem jeito".

Nelsinho diz que não costuma ouvir manifestações de contentamento de seus amigos pilotos que estão no Brasil. "O pessoal só reclama. E vejo que até se acomodaram com a desorganização. Até mesmo um campeonato de kart, que deveria ser simples, tem mudanças de regulamento ao longo do ano. Quando eles vão pra fora, não acreditam na organização. Um fim de semana de kart nos Estados Unidos e no Brasil são bem diferentes".

O piloto diz que hoje faltam iniciativas como a de Pedro Paulo Diniz, que incrementou a Fórmula Renault - o vencedor do campeonato no Brasil tinha uma ajuda para participar de campeonatos europeus, como foi o caso de Nelsinho. "Na Indy também existia isso - o campeão da Indy Lights recebia metade de um patrocínio para correr na Indy no ano seguinte. É claro que não foi o trabalho da CBA que levou o Ayrton Senna e o meu pai para a Fórmula 1 no ano passado, porque a CBA nunca ajudou, mas é um dos fatores que explicam os problemas de hoje".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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