Nelsinho Piquet evita comparações

Nelsinho Piquet diz que já deu um salto grande passando do kart para a Fórmula 3. Mas evita demonstrar entusiasmo com o título antecipado do campeonato sul-americano (faltam quatro corridas para o final da temporada), repetindo comportamento do pai, Nelson Piquet, de quem recebeu cumprimentos sem muitos festejos pela conquista.Herdeiro nas pistas do tricampeão mundial de Fórmula 1, o jovem piloto de17 anos acredita que é difícil fazer uma comparação entre ele e seu pai. Nelsinho afirma que a época é diferente, mas sonha em chegar aonde Piquet chegou.Agência Estado ? Existe semelhança entre você e o seu pai nas pistas?Nelsinho Piquet ? Teria de perguntar para alguém que está assistindo. Eu não acompanhava as corridas do meu pai, era pequeno. Uma coisa é ver uma pessoa de fora e outra é pilotar. Não dá para comparar piloto com piloto.AE ? As comparações com o teu pai te incomodam?Nelsinho ? Não. Meu pai foi um dos melhores, foi brilhante. Teve mais dificuldade de chegar aonde chegou e mesmo assim foi tricampeão mundial. Ser comparado a ele é uma coisa maravilhosa. Às vezes, pesa um pouco ser filho do Piquet. Mas na hora da corrida, eu praticamente esqueço, ignoro.AE ? Você tem toda estrutura para desenvolver a carreira, mas costuma pôr a mão da graxa como fazia o seu pai?Nelsinho ? Os tempos mudaram muito. Hoje, a gente pode entender, estudar, saber como funciona. Os carros se desenvolveram muito. Há um mecânico para cada parte. É diferente. Mesmo meu pai, se tivesse começado agora, dificilmente botaria a mão na graxa. AE ? Ter uma grande estrutura por trás provoca inveja nas outras equipes?Nelsinho ? Cria sim. Não é que a gente tem uma estrutura melhor. Nossa equipe não é comercial como as outras. O que a gente ganha do patrocinador, gasta no projeto. Eles ganham 10 e gastam 7 no carro. O resto vai para o bolso, para ganhar dinheiro. A gente desenvolve mais o carro e eu treino muito mais.AE ? Você treina mais do que os outros pilotos, por contar com um autódromo à sua disposição em Brasília?Nelsinho ? O autódromo está à disposição de qualquer um. É só reservar, pagar e andar. Agora, se tiver gente querendo treinar de graça, achando caro, aí, fica fora. AE ? Antes da corrida de domingo (quando garantiu o título da F3, no Rio), o piloto Wagner Ebrahim saiu alardeando que tentaria impedir que você ganhasse o título antecipadamente. Como vê o comportamento deste tipo de concorrente?Nelsinho ? Isso é pressão que a imprensa faz. Wagner é pessoa boa, acho que não pensaria desse jeito. Não me interessam intrigas.AE ? Você não é igual a seu pai. Ele falava o que bem entendia.Nelsinho ? Se ele voltasse no tempo, faria diferente, se contralaria mais. Percebeu que poderia ter feito uma imagem boa. Hoje, atende todos jornalistas, está sempre querendo agradar. Naquele tempo da F-1 era difícil, o clima bem estressante.AE ? Como você se prepara psicologicamente para chegar a esta fase?Nelsinho ? Os tempos mudaram. A F-1 virou o que está assinado no papel, tem de ser daquele jeito, tem que andar na linha, senão está fora. Na época dele, era mais liberal. Hoje, é mais rígido. Ainda vou chegar lá um dia.AE ? Num esquema destes, você se comportaria igual ao Rubens Barrichello? Nelsinho ? Dependeria da situação. Se estivesse no começo ou no final da carreira. Numa equipe boa ou ruim. Depende de milhões de coisas. Mas se estivesse no lugar de Rubinho deixaria o Schumacher passar. Rubinho é um piloto muito bom, para chegar aonde chegou. Não é qualquer um. Mas o Schumacher é bem melhor que ele, está na cara. Ele já fez o contrato sabendo que um dia teria de fazer isso. Se não aceitasse, estaria numa equipe menor.AE ? Não é frustrante ser o segundo piloto sempre?Nelsinho ? Quando estiver na F-1, quero ser o mais rápido e treinar muito para ser o primeiro piloto. Se Deus quiser vou mostrar o máximo que puder para subir devagar e sempre.

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