Nova era: começa o ano dos carros 'voadores' na Fórmula 1

Treinos na Austrália marcam a abertura da temporada, que terá mais velocidade e expectativa de novos recordes

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2017 | 07h00

A Fórmula 1 dá a largada na temporada esta noite, pelo horário brasileiro – a primeira sessão livre para o GP da Austrália tem início marcado para as 22h de Brasília – ansiosa pelo início de uma nova era. Depois da mudança no regulamento em 2014, com a adoção dos motores turbo, a categoria terá para 2017 a maior alteração. Os carros vão para a pista em Melbourne para mostrarem ao público novidades no visual, no barulho e, principalmente, na velocidade.

A tendência é que nas 20 etapas do ano ocorram seguidas quebras de recordes de tempo de pista. A maioria dos autódromos tem marcas já antigas sem serem batidas. É o caso, por exemplo, de Interlagos, onde desde 2004 tanto o melhor tempo de pole position, como o de corrida não é superado. As duas marcas foram obtidas pelo colombiano Juan Pablo Montoya. Agora, porém, as novidades no regulamento devem forçar o surgimento de novos feitos.

“Vemos o despertar de uma nova era, de várias maneiras. É a primeira vez que a Fórmula 1 mexeu no regulamento para deixar os carros mais rápidos. O foco foi deixar esta geração de carros como a mais rápida do esporte’’, resumiu Toto Wolff, chefe da equipe Mercedes, atual tricampeã dos construtores.

Segundo estimativa das equipes, os pilotos vão conseguir andar até 40 km/h mais rápidos nas curvas em comparação com o ano passado, em um total de quase 5 segundos por volta. As novas dimensões das asas, pneus mais largos e mudanças aerodinâmicas possibilitam esse impacto, sentido já de forma introdutória na pré-temporada, realizada em oito dias de testes na Espanha.

Os pilotos estão ansiosos pela estreia para ver como vão lidar com as novidades. Os carros mais velozes, e também 20 kg mais pesados, vão exigir mais da parte física. “Há um ar de desconhecido nesta nova Fórmula 1. Nós não sabemos como cada um pode render, porque os testes tiveram um caráter mais experimental do que nunca. Será interessante ver o quanto estamos rápidos. Será muito desafiador guiar’’, comentou o espanhol Fernando Alonso, da McLaren.

Os fãs da categoria tiveram um importante apelo atendido. Os motores de 2017, mesmo com configuração parecida à de anos anteriores, trazem como principal diferença a volta do barulho. A falta do som alto foi estabelecida em 2014, com a adoção dos motores turbo. A novidade impôs um ruído abafado à unidade motriz e foi criticada por parte do público. Preocupada com a perda de fãs, a categoria resolveu incluir na mudança do regulamento técnico para esta temporada a permissão para um limite de giros mais altos.

O ano inicia com uma grande mudança de gestão. Após estar durante quase 40 anos como o grande chefe e centralizador da Fórmula 1, o inglês Bernie Ecclestone deixou o cargo. O grupo americano Liberty Media se tornou o acionista majoritário da categoria e afastou o ex-dirigente. 

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Hamilton é favorito após saída do campeão

Com a surpreendente aposentadoria do alemão Nico Rosberg, inglês vê aumentar possibilidade de conquistar o tetra

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2017 | 07h00

Na largada para o GP da Austrália, no domingo, os 20 carros vão se alinhar com uma enorme ausência entre os competidores. Pela primeira vez em mais de 20 anos o atual campeão não defenderá o título. O alemão Nico Rosberg se aposentou da categoria aos 31 anos e deixa o antigo colega de Mercedes, Lewis Hamilton, como o principal favorito para, mais uma vez, ser o campeão mundial de Fórmula 1.

O favoritismo do inglês se apoia em mais evidências do que a simples saída do principal adversário nas três últimas temporadas. O tricampeão do mundo continua no cockpit do time alemão, uma das principais do esporte, onde está desde 2013 e conhece, portanto, muito bem a todos na equipe. Desta vez ele terá como companheiro o finlandês Valtteri Bottas, recém-contratado da Williams e atrás da primeira vitória na carreira.

O contraste entre o perfil dos dois será novamente um desafio à Mercedes. A escuderia costuma liberar os pilotos para disputarem livremente as posições na pista, mas teme perder o protagonismo conquistado com o título de construtores nas três temporadas anteriores pela adoção do novo regulamento. “Tivemos um grande sucesso nos últimos anos, mas com regras estáveis. Nenhum time manteve o sucesso depois de uma grande mudança. Vamos ter um desafio”, afirmou o chefe da equipe, Toto Wolff.

Se apostar nos dois pilotos da Mercedes virou algo óbvio, em razão do domínio em vigor desde 2014, o novo regulamento e a juventude são as armas da Red Bull. A escuderia austríaca foi a única a conseguir tirar vitórias dos carros prateados na temporada de 2016 e novamente desponta como a principal adversária. O australiano Daniel Ricciardo e o holandês Max Verstappen são arrojados e talentosos.

A dupla incomodou a Mercedes na última temporada e está disposta a se sagrar campeã mundial pela primeira vez. A grande sensação é Verstappen, piloto de 19 anos que foi mais jovem a estrear e a vencer na história da categoria, além de ser o autor do recorde de ultrapassagens em uma mesma temporada, com 78, em 2016. “A primeira corrida é sempre empolgante. Estou ansioso”, disse.

Sem alarde, a Ferrari também pode voltar a incomodar. A equipe italiana não venceu em 2016, mas tem na experiente dupla de pilotos formada por Kimi Raikkonen e Sebastian Vettel o trunfo para reagir. O alemão Vettel, aliás, tem como motivação para o ano evitar o tetra de Hamilton, o que faria o inglês igualar-se a ele em número de títulos.

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Veterano, Massa admite ansiedade com a ‘volta’

'Voltei porque a minha equipe precisou de mim', afirma brasileiro que chegou a anunciar aposentadoria em 2016

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2017 | 07h00

O chamado da Williams pesou para Felipe Massa cancelar a aposentadoria e aceitar o convite para disputar pela 15.ª vez uma temporada de Fórmula 1. Até perto do Natal, porém, o piloto não pensava nessa possibilidade. Estudava propostas de categorias como o Mundial de Endurance (WEC), a DTM e a Fórmula E como possíveis destinos, fora analisar projetos como embaixador de marcas e de comentarista de televisão.

O retorno improvável se concretizou quando o atual campeão, Nico Rosberg, anunciou aposentadoria. A decisão inesperada fez a Mercedes recrutar Valtteri Bottas e deixar a Williams com uma vaga livre. “Voltei porque a minha equipe precisou de mim, tem muito carinho comigo e eu também tenho com eles. Não consegui recusar. Segui meu coração’’, explicou Massa em entrevista ao canal ESPN Brasil.

A escuderia quis contar o experiente piloto para ajudar na transição para o novo regulamento e na chegada de um estreante. O outro piloto é o canadense Lance Stroll, de 18 anos.

Aos 35 anos, Massa disse na chegada à Melbourne estar ansioso para o novo campeonato. “A Austrália é o lugar perfeito para iniciar a temporada. É uma pista um tanto complicada, por ser metade autódromo e outra metade circuito de rua, mas é bom ter um desafio logo no início’’, disse. “Estou ansioso para que tudo comece. É a primeira vez que todas as equipes vão competir juntos para valer”, completou. 

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