Novas regras da F-1 causam confusão

As novas regras técnicas e esportivas para a Fórmula 1, anunciadas quarta-feira pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), em Paris, estão causando algumas confusões, em especial porque há mudanças que entram em vigor já na próxima etapa da temporada, dias 29, 30 e 31 em São Paulo, o 31.º GP do Brasil. Em primeiro lugar, a imposição de um único motor por piloto nos fins de semana de competição vale apenas para 2004, assim como a obrigação de os pilotos usarem um capacete especial, denominado Hans, refere-se a 2003. O que a torcida em Interlagos e milhões de telespectadores têm então de estar atentos? O que mudou nas regras do jogo da última corrida, domingo na Malásia, para a prova de São Paulo? O exemplo dos acidentes entre Juan Pablo Montoya, da Williams, e Michael Schumacher, Ferrari, em Sepang, e o que envolveu Rubens Barrichello, Ferrari, e Ralf Schumacher, Williams, na Austrália, são bons para se compreender como funcionará a punição aos considerados culpados. Na Malásia, os comissários julgaram que Montoya causou a batida com o alemão. Como ele continuou na corrida, recebeu um drive-through, pena que estreou este ano. O piloto passa pela área de box, mas não necessita parar para cumprir o stop and go. Pela regulamentação aprovada em Paris, se ocorrer algo semelhante em Interlagos, o piloto terá pena igual ou o stop and go. O piloto causou um acidente, mas continuou na corrida. A pena então é aplicada na mesma prova. Já a situação que envolveu Barrichello e Ralf em Melbourne é distinta. Os dois não puderam permanecer na disputa, em razão dos danos em seus carros, o que não dá margem ao culpado, se houve, de cumprir a pena durante a corrida. Nesse caso entre em cena a nova regra. Aquele que for considerado o responsável pelos comissários desportivos perderá dez posições no grid no GP seguinte, o de San Marino, dia 14. "É importante destacar que as novas sanções não invalidam as já existentes", disse hoje o assessor de imprensa da FIA, Francesco Longhanesi. Mas há casos em que um piloto pode, já em Interlagos, saber de antemão que perderá 10 lugares no grid. Para isso, ele terá de cometer numa das duas sessões de treinos livres de sexta-feira, ou na de sábado de manhã, alguma infração que acabou por comprometer o trabalho de outro piloto nesses treinos. Por exemplo: um piloto comete falta grave e causa um acidente, atingindo um colega, que se vê privado de prosseguir no treino em razão dos danos no carro. Vale lembrar que não é permitido usar o carro reserva nessas sessões. Ele pode ser punido com a perda de dez posições no grid já naquela etapa. A FIA limitou o tempo de intervenção da equipe em um carro parado no grid, depois de aceso o sinal verde para a volta de apresentação, a 30 segundos. Depois disso, os comissários empurram o carro para a saída dos boxes, de onde deverá largar. Até a etapa da Malásia, não havia essa limitação, o que significava que o piloto poderia, depois desse prazo, ter o seu carro recuperado, percorrer velozmente a pista, encontrar o grupo e ainda largar em último no grid.

Agencia Estado,

21 Março 2002 | 18h52

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