Arquivo Pessoal/Pietro Fittipaldi
Arquivo Pessoal/Pietro Fittipaldi

Novo membro renova dinastia do clã Fittipaldi na Fórmula 1

Pietro assina contrato com a Haas para ser piloto de testes e repetir trajetória de avô e tios

Ciro Campos, Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2018 | 05h00

A família Fittipaldi voltou para a Fórmula 1. O sobrenome mais tradicional do automobilismo brasileiro vai retornar ao paddock em 2019 por meio de Pietro Fittipaldi, neto do bicampeão Emerson. Ele será piloto de testes e de desenvolvimento da equipe Haas. Vai seguir, assim, os passos do avô, do tio Wilson e do primo Christian. A meta, claro, é ter um assento de piloto titular, como fizeram seus parentes. Isso já em 2020. 

"Claro que o meu objetivo é virar titular em 2020. É o meu sonho", disse Pietro ao Estado. O piloto revelou que Emerson ficou emocionado ao receber a notícia do acerto. "Falei com meu avô ontem, ele estava muito feliz. Ele vai estar aqui neste sábado (hoje) e vou poder vê-lo pessoalmente."

Pietro é o quarto piloto do clã Fittipaldi na Fórmula 1. Tudo começou antes mesmo de Emerson. O pai do bicampeão, Wilson, mais conhecido por Barão, foi um pioneiro das transmissões de automobilismo no rádio. Ele era jornalista, mas também piloto amador. Como radialista, narrou as vitórias do filho na F-1, incluindo as provas que lhe renderam os dois títulos mundiais.

Wilson Junior, filho do Barão e irmão de Emerson, e Christian, sobrinho do bicampeão, tiveram resultados menos expressivos. Há ainda na família, embora sem o sobrenome famoso, Max Papis, genro de Emerson e tio de Pietro.

O neto não esconde que tem Emerson como seu maior ídolo. E já vê semelhanças entre seu estilo e a postura mais cerebral do avô nas pistas. "É difícil comparar porque eram tempos diferentes, mas meu avô era muito bom em acerto de carro, em coisas mais técnicas. Acho que eu sou bom nisso também", afirma o piloto de 22 anos. 

"Acredito que foi isso que me deu essa oportunidade com a Haas. E muitas dessas coisas eu aprendi com o meu avô, com o Christian e com o meu tio Max Papis. E eles têm muito mais experiência e me dão muitos conselhos", diz Pietro.

O sobrenome pesou na contratação do jovem brasileiro. Chefe da Haas, Günther Steiner exaltou o "pedigree de campeão" do novo piloto de testes do time norte-americano. Pietro tem consciência das portas que o sobrenome abre em sua carreira, mas também está ciente da pressão inerente à condição de nova aposta brasileira. 

"Tem pressão com o nome, claro. Mas é normal. O nome ajuda mais do que prejudica. Para mim, é um privilégio e uma honra poder carregar o nome de uma família tão tradicional no automobilismo", afirma.

Por conta do acerto com a Haas, a convivência familiar passará por mudanças em 2019. Pietro ficará mais longe do avô, que mora nos Estados Unidos, porque vai residir na Itália. Ele deixará o país da América do Norte para trabalhar em Maranello, onde fica a sede da Ferrari. A Haas tem forte ligação com o time italiano, que costuma ceder seu simulador aos pilotos da equipe americana.

Longe dos pais, que continuarão a morar na Carolina do Norte, Pietro ficará mais próximo do irmão. Enzo, de 17 anos, é outro candidato a representar a família Fittipaldi na F-1 no futuro e acaba de ser campeão da Fórmula 4 Italiana. "Eu me dou muito bem com o meu irmão. A gente briga de vez em quando, é normal", diz Pietro, ao lado do irmão, entre risadas.

 

 

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'Tenho estilo parecido ao do meu avô', diz Pietro

Brasileiro recém-contratado pela Haas como piloto de testes mira virar titular da categoria na temporada 2020

Entrevista com

Pietro Fittipaldi

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S. Paulo

10 Novembro 2018 | 05h00

A família Fittipaldi voltou para a Fórmula 1. O sobrenome mais tradicional do automobilismo brasileiro vai retornar ao paddock em 2019 através de Pietro Fittipaldi, neto do bicampeão Emerson. Ele será piloto de testes e de desenvolvimento da equipe Haas e não esconde que pretende os seguir os passos do avô, dos tios Wilson e Max Papis e do primo Christian. A meta é ter um assento de piloto titular em 2020, como fizeram seus parentes.

Em entrevista exclusiva do Estado, o atleta de 22 anos também admite que o sobrenome abriu muitas portas em sua carreira, como acontece agora, e pondera sobre a pressão inerente às expectativas sobre o seu rendimento. Ele também revela como será sua nova rotina e aponta o espanhol Fernando Alonso como sua referência na F-1.

Como será sua rotina a partir do ano que vem?

Vou morar na Itália, com o meu irmão [Enzo]. Vamos dividir apartamento de novo. No fim do ano, já vou fazer o primeiro treino para provar o pneu de 2019. No próximo ano, vou tentar fazer vários treinos com a Haas. Mas vou atuar mais no simulador. É por isso que vou para a Itália porque a Haas usa o simulador da Ferrari, em Maranello. Toda quinta-feira, de fim de semana de corrida, vou estar usando o simulador para testar tudo que a equipe precisa para a corrida. Aí eu vou acompanhar tudo pessoalmente nos GPs.

Como vai ser a convivência com o irmão, que também atuará na academia da Ferrari?

Já dividimos apartamento em 2017, quando eu estava correndo de World Series e ele, na Fórmula 4. Me dou muito bem com o meu irmão. A gente briga de vez em quando, é normal. Mas vai ser muito legal. Meus pais vão continuar morando na Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

Como foi a negociação com a Haas?

Conheci o Günther [Steiner] há dois anos na Carolina do Norte, onde eu moro. A base oficial da Haas fica lá também. Ela mora a dez minutos da minha casa. Somos vizinhos. Tomamos café na mesma padaria, já almoçamos juntos várias vezes. Começamos a conversar há meses e ele me fez a proposta há um mês

Sua boa performance na Nascar pesou?

Acho que sim porque a Haas é uma equipe que tem origem na própria Nascar. Eu ganhei o campeonato da Nascar na Carolina do Norte. O Gene Haas é um cara bem americano, bem focado na Nascar. Além disso, o Günter também trabalhou na categoria.

O patrocínio ajudou no acerto?

Claro que a Escuderia Telmex sempre me apoiou na minha trajetória até aqui, com a Claro e a Embratel. Mas a equipe me contratou e está me pagando, é diferente. Para mim, é um grande passo na minha carreira profissional. Sou muito grato aos meus patrocinadores, que me ajudaram a chegar até aqui. Para conseguir isso como piloto contratado, é algo muito grande para mim.

Como foi a reação do seu avô ao saber do seu acerto com a Haas?

Eu falei com ele ontem [quinta]. Ele estava muito feliz, emocionado. Claro que a meta não é ser só piloto de testes. Quero virar piloto titular. É a meta para 2020, é o meu sonho. Meu avô vai estar aqui amanhã [sábado], vou poder vê-lo pessoalmente. Tem sido um mês muito bom para a família porque o Enzo foi campeão da Fórmula 4 Italiana. Foi um bom mês para nós.

Você vê semelhanças entre o seu estilo na pista com o do seu avô?

É dificil comparar porque eram tempos diferentes, mas meu avô era muito bom em acerto de carro, em coisas mais técnicas. Acho que eu sou bom nisso também. Acho que foi isso que me deu esta oportunidade com a Haas. Muitas destas coisas eu aprendi com o meu avô e com o Christian, e com o meu tio Max Papis. Como eles têm muito mais experiência, eles me dão muitos conselhos e eu vou escutando e aprendendo.

Ter este sobrenome traz vantagens e também pressão. Como você lida com isso?

Sempre vai ter pressão. Eu não estou aqui para me guiar o carro e me divertir. Claro que vou me divertir, mas estou aqui porque eu quero ganhar. Ninguém pode colocar mais pressão em mim do que eu mesmo. Porque eu quero ganhar e estou fazendo o que eu amo. Tem pressão com o nome, claro. Mas é normal. O nome ajuda mais do que prejudica. Para mim, é um privilégio e uma honra poder carregar este nome e ter esta família tão tradicional no automobilismo.

Qual é a sua referência na atual Fórmula 1?

Observo bem o Alonso. Sei que nos últimos anos ele não tem andado tão bem e a McLaren tem sofrido um pouco. Mas ele é um piloto que sempre consegue maximizar um carro ruim. Extrair o melhor resultado possível com um carro considerado inferior. Meu avô costuma dizer que o Alonso é o melhor piloto da F-1 atual. Eu vejo ele como um ídolo. Mas todos para mim são referência para observá-los e para ver onde eu posso melhorar.

 

 

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