Números provam que GP Brasil é bom negócio

Não há dirigente e promotor de evento que acredite na manutenção da liminar que suspendeu o GP Brasil de Fórmula 1 de 2004. A expectativa geral é a de que quando o agravo, recurso prestes a ser utilizado pela Secretaria Municipal dos Negócios Jurídicos, for julgado, a prova possa voltar a ser planejada, sem a obstrução da Justiça. Mas prefeitura, Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPC&VB), entidade que reúne empresários das mais diversas áreas, e Interpro, promotora da corrida, fazem as contas do que São Paulo perderia sem o GP.Roberto Gheler, diretor-executico do SPC&VB, dispõe de números. ?Entre os benefícios diretos e indiretos, São Paulo arrecada US$ 94 milhões a cada GP e em 2004 serão US$ 102 milhões.? Como a prefeitura discutirá com a Interpro a renovação do contrato por mais cinco anos, lembra Gheler, a cidade deixaria de arrecadar entre a edição de 2004 e a de 2009 cerca de US$ 600 milhões. ?Tendo por base que a carga tributária média do País é de 40%, os governos federal, estadual e municipal deixariam de receber US$ 240 milhões.? Gheler complementa. ?Agora responda, a prefeitura investir US$ 8 milhões por ano é muito para obter esse retorno??Paulo Scaglione, presidente da CBA, pode também contribuir com números. ?Cada equipe de um piloto emprega seis funcionários diretos e quatro indiretos.? Scaglione afirma que há 4.700 pilotos cadastrados, em atividade no País. ?O automobilismo gera, portanto, algo próximo de 50 mil empregos.? E a F-1 tem participação direta, segundo o dirigente, nesse setor significativo da economia. ?Foi depois do sucesso de Emerson Fittipaldi no exterior e da inclusão do Brasil no calendário da F-1, em 1973, que o automobilismo nacional cresceu tanto.? A secretária de Esportes do município, Nádia Campeão, tem igualmente dados que reforçam os números do SPC&VB. Além dos benefícios econômicos para a cidade, Nádia observa que quem vive em São Paulo gosta, vive, aprova o GP. ?A maratona de Nova York virou uma marca da cidade, assim como o GP de F-1 em São Paulo.?Scaglione aproveita o exemplo para lembrar que o Estado foi criado ?para o bem-estar do cidadão e não para ter lucros nos investimentos?, como parece sugerir a ação da Promotoria de Justiça da Cidadania, a que gerou a liminar suspendendo a prova em Interlagos.?Organizar eventos como Olimpíada, Copa do Mundo ou Pan-Americano exige orçamento de bilhões de dólares e o caderno de encargos do COI e da Fifa são bem mais abrangentes que o da FIA, que cobra segurança e um mínimo de conforto em um autódromo?, diz Tamas Rohonyi, da Interpro. O Rio será sede do Pan-Americano de 2007, é candidato à Olimpíada de 2012 e o Brasil já pleitea a Copa do Mundo de 2014. ?Esses eventos são superválidos, mas se você pensar na relação custo-benefício, a F-1 é bem mais favorável?, argumenta Rohonyi.

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