O 17 na vida de Ingo

Com o número 17 pintado na Brasília azul e laranja, Ingo Hoffmann começou a firmar, no começo dos anos 70, a imagem do piloto de carreira mais vitoriosa da história do automobilismo brasileiro. E este número seria marcante na vida não apenas dele, mas de toda a sua família. Ainda na primeira fase da construção dos 30 chalés da Casa de Apoio à Criança e à Família, criada por ele para ajudar no tratamento do câncer infantil, recebendo as famílias da criança em tratamento no vizinho Centro Infantil Boldrini, um hospital dedicado a isso em Vinhedo, interior de São Paulo, ele e a administradora do Instituto Ingo Hoffmann, Regina Barsotti, receberam um telefonema do hospital perguntando se o local já estava em condições de receber a primeira família de uma paciente. Ingo olhou no relógio, viu a data (17 de abril de 2007) e se emocionou. Estava começando naquele momento a história de um centro pelo qual já passaram mais de seis mil pessoas.

Reginaldo Leme, O Estado de S. Paulo

19 de dezembro de 2015 | 03h00

O filho mais novo de Ingo e Ruth Hoffmann, Robert, nasceu à meia noite e meia do dia 17 de novembro, que, na verdade, já era 18. Mas, pelo fato de ser período em que vigora o horário de verão no Brasil, Ingo deu uma “roubadinha” de uma hora e registrou a data de nascimento do filho como sendo onze e meia da noite de 17. Em janeiro de 2010, aos 22 anos de idade, Robert foi diagnosticado com um tumor no cérebro, e Ingo conta que isso o fez compreender o quanto aquilo que ele fazia por outras pessoas era importante.

Durante o tratamento, Robert teve a constante companhia de uma amiga chamada Mariana, que ele acabou pedindo em namoro e escolheu para isso um dia 17. Era uma homenagem carinhosa ao pai.

Na última quinta-feira, 17 de dezembro, data em que as crianças do Instituto Ingo Hoffmann celebraram o seu tradicional Natal, recebendo brinquedos de um amigo vestido de Papai Noel, “Robi”, o caçula de Ruth e Ingo, não resistiu mais à doença. Aconteceu aquilo com o que a garota Olivia, de quatro anos, filha de Lígia e neta de Ingo, havia sonhado no começo da semana e descrito como “o tio Robi cercado de flores e muita gente triste ao lado dele”. O 17 na vida de Ingo marcou momentos de todo tipo.

Final de temporada. Com a Stock Car definindo seu novo campeão domingo passado em Interlagos, chegou ao fim mais uma temporada de automobilismo. O título de campeão, que Ingo Hoffmann conquistou 12 vezes na carreira, agora foi parar nas mãos de Marcos Gomes, o 16.º campeão em 37 anos da categoria que se tornou a mais importante do Brasil.

Defendendo a equipe Voxx, Marcos foi o piloto que mais venceu no ano (três vezes), chegando quatro vezes em segundo e somando oito pódios. Ele não marcou ponto na corrida final, mas Cacá Bueno, seu único rival na briga pelo título, também teve problemas e terminou apenas em 20.º. Os 36 pontos conquistados por Felipe Fraga, companheiro de Marcos e terceiro colocado em Interlagos, acabou garantindo à Voxx, comandada por João Adibe e chefiada por William Lube, também o título de campeã entre as equipes, ultrapassando Red Bull e Full Time. Na única vez em que Gomes havia chegado à disputa direta do título na última corrida, em 2008, acabou derrotado por Ricardo Mauricio, que tinha como chefe técnico o mesmo Lube. 

Este foi o segundo ano de disputa no sistema de rodadas duplas, exceto a Corrida de Duplas que abre o campeonato, a Corrida do Milhão no meio do ano e a final. Assim como em 2014, o campeonato foi decidido apenas na última corrida, valendo pontos em dobro. A temporada teve 14 vencedores diferentes, o que mostra que as regras atuais estão dando certo.

Mesmo assim, há uma sugestão de se aumentar a pontuação da primeira das duas corridas do fim de semana, com o objetivo de levar os pilotos a pensar mais em vitórias do que em somar o maior número de pontos na etapa, o que não depende necessariamente de vitória, mas da estratégia que os leve a pontuar bem tanto na primeira como na segunda corrida.


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