Issei Kato/Reuters
Issei Kato/Reuters

'O carro de corrida mexe com o sonho das crianças'

Uma das iniciativas do Instituto criado pelo ex-piloto de Fórmula 1 ensina kart para crianças carentes

Entrevista com

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2019 | 04h30

O ex-piloto de Fórmula 1, Rubens Barrichello, é o recordista do número de corridas disputadas: 326. Em 2005, ele criou o Instituto Família Barrichello, que oferece inúmeros projetos sociais em que o esporte é uma ferramenta de desenvolvimento e transformação social. Um deles oferece aulas de kart para crianças carentes no kartódromo da Granja Viana, em São Paulo. Em entrevista ao Estado, ele conta que tenta retribuiu a ajuda que recebeu ao longo da carreira. 

1. Porque criar um projeto social voltado para o kart?

No kart, assim como todas as outras atividades que fazemos no Instituto, o esporte é o meio, a ferramenta de educação e desenvolvimento humano que está presente em 14 núcleos de atendimento para crianças e idosos. Hoje, são 2000 mil pessoas sendo atendidas em regiões vulneráveis de São Paulo. Além de ser a minha paixão – por isso foi natural incluir um projeto de kart dentre tantos outros projetos -, o carro de corrida mexe com o sonho de todas as crianças. Pensamos em um projeto que envolvesse o kart, mas sempre focados em oferecer a experiência do kart como ferramenta de desenvolvimento humano, dando a oportunidade para que as crianças possam experimentar a velocidade e superar seus limites.

2. Você costuma ir até lá com frequência?

Eu acabo indo menos do que eu gostaria, mas quando estou, estou presente de corpo e alma. Temos uma equipe bem estruturada e que trabalha incansavelmente para fazer o melhor, por isso também me sinto tranquilo. O projeto tem crescido bastante, e pretendemos que o IFB ajude mais e mais pessoas, e eu trabalho para estar cada vez mais presente. Eu sei o impacto positivo que traz a presença de uma pessoa pública e de um atleta na vida das pessoas e crianças mais vulneráveis.

3. Qual é o balanço que você faz do projeto até hoje?

Já atendemos mais de 500 crianças no kart e o foco maior é a educação, formar cidadãos e ajudar essas crianças a viverem melhor consigo mesmas, respeitar o próximo.

4. O projeto tem um público-alvo muito claro: crianças de baixa renda. Como foi sua infância?

Eu não posso dizer que eu tive dificuldade, pois nunca me faltou comida na mesa. Foi uma infância bem simples, mas meu pai me ensinou a ter muita garra para ir atrás dos objetivos. A gente brinca que o meu kart era meio “feijoada” (risos), uma parte de um, cabeça de outro, carburador de um, motor emprestado de alguém. O objeto era fazer com que aquela criança, que parecia tão feliz no kart, não deixasse de ter aquele kart. Eu tinha garra, mas tive também muita ajuda. Como eu fui muito ajudado, cabe a mim hoje retribuir tudo isso.

5. Quais os próximos passos do projeto?

Crescer exponencialmente o número de pessoas atendidas, crianças, jovens e idosos. Hoje operamos com uma estrutura bem enxuta e toda a nossa captação é para aumentar o número de pessoas atendidas. Não gastamos em infraestrutura, nós vamos até os núcleos com a nossa equipe e usamos os espaços disponíveis no local e de parceiros para operar.

 

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