Obras em Jacarepaguá causam polêmica

A polêmica em torno das obras do Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Jacarepaguá, no Rio, está longe de terminar, pelo menos para os dirigentes da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA). Nesta terça-feira, representantes do consórcio Rio Sport Plaza apresentaram projeto de modernização do local à entidade que, antes mesmo de uma avaliação minuciosa, já apontou três falhas técnicas."O acesso à área interna é feito por um túnel, previsto para ser erguido em cima de um manguezal e que custará certamente o valor de uma pista", declarou o presidente da CBA, Paulo Scaglione. "O projeto também não está dentro do terreno do autódromo e, por último, há possibilidade da construção de duas pistas: uma agora e a outra a gente não sabe quando."A necessidade de reformas no autódromo surgiu porque o local foi escolhido para ser um dos principais aparelhos dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Estão previstas as construções de uma arena poliesportiva, um parque aquático e um velódromo. Além da criação de dois traçados para o circuito: um com aproximadamente 3,1 quilômetros e outro com 4,5 quilômetros.Após o encontro, a CBA dará em até um mês um parecer técnico sobre o projeto. Mas o presidente da entidade já deixou claro que, mesmo aprovando tecnicamente, tentará impedir judicialmente a realização das obras. "A licitação foi um jogo de cartas marcadas", afirmou Scaglione.Para o presidente da CBA, o projeto foi feito às pressas e não se levou em conta um aspecto importante para a sociedade: a preservação do ambiente. "Estamos estragando uma área que é reserva ambiental", disse Scaglione, abordando temas como a possível extinção da restinga, do manguezal e do lençol freático, pertencentes à região. "Ninguém está preocupado com a qualidade da água e com um estudo de urbanização: para onde vai o esgoto dos prédios construídos?"O representante do consórcio Rio Sport Plaza, Peter Von Varder, disse que vai esperar pela avaliação da CBA para depois, se necessário, tentar melhorar o projeto. Mas ele acredita que as mudanças serão mínimas.

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