Opinião é unânime: Ferrari é favorita

Os milhões de dólares investidos no projeto e construção dos modelos 2002, os cerca de 6 mil quilômetros de testes realizados pela McLaren e Williams com seus novos carros e os desenvolvimentos introduzidos pela Ferrari no seu modelo do ano passado têm um objetivo maior: as 58 voltas do GP da Austrália de Fórmula 1, que acontece à meia-noite deste sábado (horário de Brasília), e, claro, as 16 demais corridas do Mundial. Tudo o que foi obtido nas pistas e virou notícia até agora, a exemplo dos recordes quebrados por Williams e McLaren em Valência, nos testes de inverno, não valeu nada. O que conta mesmo é corrida, como a de hoje no circuito Albert Park, que dá a largada para a 53º temporada da Fórmula 1. E há um consenso entre as equipes: Michael Schumacher e a Ferrari são, de novo, os favoritos para vencer. Ainda demais depois da escuderia italiana ter dominado os treinos, com Rubinho conseguindo a pole e seu companheiro ficando em segundo lugar no grid. Disputa desigual À meia-noite, o inglês Charlie Whiting, com os 22 pilotos já alinhados no grid, apertará o botão que apaga os faróis vermelhos, dando início à competição. O que sugeria ser um confronto desigual, a disputa entre o carro velho da Ferrari e os modelos 2002 da Williams e McLaren, acabou por mostrar-se, ao menos nos treinos, ser mesmo desigual, mas a favor da Ferrari. "A diferença entre nossos pilotos (Juan Pablo Montoya e Ralf Schumacher) para Michael Schumacher será pequena. A vantagem, porém, continua com Michael e a Ferrari", admitiu Gerhard Berger, diretor da BMW, fornecedora de motor da Williams. A esperada elevação da temperatura para este sábado é considerada pelos times da Michelin (Williams, McLaren, Renault, Jaguar, Toyota e Minardi) como a grande esperança para um bom desempenho na corrida. Na sexta-feira, as escuderias da Bridgestone (Ferrari, Sauber, Jordan, BAR e Arrows) foram favorecidas pela temperatura baixa de 16 graus. "Há um ponto em que os pneus franceses mudam radicalmente de comportamento. Em vez de serem mais lentos que o concorrente, passam a ser mais velozes", explica Patrick Head, diretor-técnico da Williams. Esse ponto seriam as temperaturas superiores a 25 graus. Histórico da prova O que também poderá vir a ajudar os times da Michelin é o histórico da prova, em que um pit stop é a estratégia mais usada. Ano passado, Michael Schumacher, o vencedor, assim como David Coulthard, segundo colocado, Rubens Barrichello, terceiro, e os demais seis primeiros pararam apenas uma vez para trocar os pneus. Nas etapas finais do campeonato de 2001, a resistência dos Michelin mostrou-se superior aos da Bridgestone. Pierre Dupasquier, diretor da empresa francesa, comentou: "Pelo que vimos aqui nossos pneus devem ser mais eficientes ao longo da prova." Nos treinos livres, contudo, os japoneses da Bridgestone saíram na frente. Michael não escondeu que a diferença imposta para seu primeiro adversário na sessão livre de sexta-feira, em que supostamente Ferrari, Williams e McLaren estavam na configuração de corrida, de 1 segundo e 545 milésimos para Ralf, teve enorme influência dos pneus. "Eles trabalharam muito bem e estou surpreso com a nossa competitividade." Domínio Se hoje Michael e Rubens Barrichello confirmarem durante as 58 voltas da prova o favoritismo que quase todos lhes atribuem na F-1, a temporada corre sério risco de ser mais uma vez dominada pelo piloto alemão e a Ferrari. Isso porque permitiria à escuderia continuar lutando pelas vitórias, com o F2001, e estrear o novo carro apenas quando já tivesse algum desenvolvimento. E sobre ele, F2002, Michael disse em Melbourne: "É seguramente bem mais rápido que o usado aqui." Montoya não estava nada satisfeito com o desempenho da Williams FW24 na condição de corrida, sexta-feira, "ora saindo de frente ora de traseira." É provável que no momento em que registrou seu tempo estivesse com 20 quilos de gasolina (26 litros) a mais da massa existente na Ferrari de Michael, há mais tempo no circuito. Nos 5.303 metros do traçado australiano, com suas 16 curvas, "a cada 10 quilos de gasolina no tanque o carro torna-se 4 décimos de segundo mais lento", explica Gary Anderson, chefe dos técnicos de pista da Jordan. Diferença O piloto colombiano, portanto, deveria ficar a oito décimos de segundo de Michael e não a 1 segundo e 594 milésimos como ocorreu, o dobro do esperado. "Na corrida essa diferença será bem menor, mas a Ferrari está muito rápida", falou Montoya, sobre quem recaem muitas das esperanças de poder enfrentar e vencer Michael. O bom desempenho de Michael e de Barrichello na condição de corrida foi atribuída por Ross Brawn, diretor técnico da Ferrari, ao fato de a equipe conhecer muito bem a F2001 e saber como atuar no seu ajuste. "Os outros estão aprendendo ainda como fazer com seus novos modelos." Isso explicaria a maior adaptabilidade, em princípio, da F2001 em relação à Williams FW24 e à McLaren MP4/17 de Kimi Raikkonen e David Coulthard, para quem a McLaren é muito mais do exposto sexta-feira, quando ficou a cerca de 2,5 segundos da Ferrari. Estreantes Quatro estreantes devem largar no GP da Austrália. O destaque é o brasileiro Felipe Massa, de 20 anos, da Sauber. Os outros são o veloz japonês Takuma Sato, da Jordan, o escocês Alan McNish, da Toyota, e Mark Webber, da Minardi. A prova tem como atração também a estréia da escuderia da Toyota, a terceira maior montadora do mundo, com produção de mais de 5 milhões de carros por ano. Seus pilotos são McNish e Mika Salo. Enrique Bernoldi, da Arrows, é o terceiro brasileiro no Mundial.

Agencia Estado,

02 Março 2002 | 13h53

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